Resistências aos genéricos existem, mas a julgar pela fatia de mercado que esses medicamentos conquistaram no Brasil, não há dúvida, eles vieram para ficar. Aos 15 anos de vigência da Lei dos Genéricos (9787/1999), comemorados em fevereiro, esse segmento cresceu 15,8% em 2013 no Brasil, movimentando cifras bilionárias, mais exatamente R$ 14 bilhões no ano passado.
A participação no mercado brasileiro chega a 27,3% o que corresponde a 790 milhões de unidades de medicamentos comercializadas em 2013. Os dados são do IMS Health. Para o diretor do Sinfarmig, Rilke Novato Públio, a aceitação dos genéricos se dá especialmente por parte dos consumidores e por uma razão bem simples: “eles acreditam na qualidade dos medicamentos, além de fazerem economia porque, em comparação com os medicamentos de referência, os genéricos entram no mercado custando 35% a menos”, diz.
Esta semana Rilke conversou com a reportagem da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte que perguntava por que ainda há resistência dos médicos em receitarem os medicamentos genéricos. O repórter relatou ao farmacêutico o caso de um colega que se deparou com uma diferença de quase 100% no preço entre um medicamento de referência, receitado pelo médico e um medicamento genérico, que ele acabou comprando.
O diretor do Sinfarmig avaliou que as resistências, no caso, se devem bem mais aos médicos, prescritores, que costumam optar pelos medicamentos de referência por algumas razões. Segundo Rilke, em primeiro lugar, os médicos são fortemente pressionados pelos laboratórios, por meio dos representantes comerciais, a continuarem receitando os medicamentos de referência. Em segundo, ao evitar a receita de genéricos e similares, eles admitem que têm dúvidas quanto à sua qualidade e, em terceiro lugar: as prescrições de medicamentos de referência seguem garantidas pela prática da clínica: o médico sempre prescreveu certo medicamento (de referência) e o receitará sempre pelo costume.
Conforme o relato do diretor ao jornalista Eustáquio Ramos, existem hoje 3.600 medicamentos genéricos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de 135 classes terapêuticas como analgésicos, antibióticos, antiinflamatórios, entre outros. No país são 117 laboratórios que produzem genéricos, incluindo estrangeiros. Os seis genéricos mais vendidos são: losartana, dipirona, sildenafila, atenolol e paracetamol.
Publicado por Imprensa Sinfarmig