O Anuário Brasileiro da Educação Básica, apresentado à Comissão de Educação, também mostra que apenas 9% dos alunos sabem matemática adequadamente ao fim do ensino médio

 

A diretora executiva da entidade da sociedade civil Todos pela Educação, Priscila Cruz, informou, ontem (4), que mais da metade das crianças permanecem analfabetas ao fim do 3º ano do ensino fundamental. Ela apresentou à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2015. Este é a quarta edição do anuário e a primeira após a promulgação do Plano Nacional de Educação (PNE – Lei 13.005/14), sancionado em junho de 2014.

 

“O que está acontecendo no Brasil é que as crianças que frequentam a escola não estão se alfabetizando. Sem alfabetização, não há aprendizagem mais pra frente. É muito difícil recuperar esse aluno depois. O direito básico à alfabetização está sendo negado a essas crianças”, afirmou Priscila.

 

Para ela, um dos fatores que gera isso é a má formação dos professores. “Não existe educação de qualidade sem professores de qualidade”, disse. A diretora defendeu o aumento dos salários dos professores, para que os melhores alunos do ensino médio possam ser atraídos para a carreira de docente. “Hoje os bons alunos são desencorajados para seguir essa carreira”, ressaltou.

 

Segundo Priscila, outro dado alarmante contido no anuário é o de que apenas 9% dos alunos do 3º ano do ensino médio têm aprendizado adequado de matemática. “Não é à toa que esses jovens têm dificuldades de entrar no mercado de trabalho. O sistema de educação não está preparando esses jovens para a vida, para o mercado de trabalho e para o século XXI”, salientou.

 

Prioridades

 

Conforme a diretora do Todos pela Educação, o Congresso Nacional deve se debruçar sobre dois temas fundamentais: a alfabetização e a reformulação do ensino médio. “Talvez esta seja a maior jabuticaba do Brasil: o ensino médio. O Brasil é o único país que eu tenho conhecimento que tem um único currículo de ensino médio”, disse. Para ela, a falta de diferenciação de currículos, de acordo com as diferentes vocações dos estudantes, gera alunos desmotivados.

 

O deputado Alex Canziani (PTB-PR) concorda que esses dois temas são prioritários, além da qualificação dos professores.

 

O deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), que pediu a reunião, também acredita ser essencial estabelecer prioridades entre as 20 metas do PNE. “O Brasil não é um país rico. Então, a gente tem que dar foco no ensino infantil e no primeiro ciclo do ensino fundamental, principalmente em matemática e português”, afirmou.

 

Marinho observou ainda que é preciso transformar os dados apresentados em políticas efetivas: “Se nós sabemos que a metodologia de ensino passada aos nossos professores nas universidades não está permitindo a formação de professores capazes de responder ao desafio da alfabetizar as crianças na idade adequada, temos que modificar o currículo de formação. E temos que fazer que a carreira estruturada seja atrativa para os jovens.”
Financiamento

 

A deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) destacou que a área de educação é a que tem mais cortes no Orçamento. “O País tem que assumir que a educação é prioridade. Tem que fazer cortes em outras áreas”, opinou.

 

“Dizer que o lema deste governo é Pátria Educadora é hipocrisia, isso é só discurso”, acrescentou o deputado Izalci (PSDB-DF). De acordo com o parlamentar, o Plano Plurianual (PPA 2016-2019) é incompatível com esse lema.

 

Priscila Cruz afirmou que o investimento por aluno do ensino médio dobrou nos últimos 10 anos. Porém, na visão dela, os recursos a mais que estão sendo investidos não estão sendo revertidos em um ensino melhor para os alunos. Para ela, essa melhora só vai acontecer com o redesenho do ensino médio.

 

 

Na Câmara, aguarda votação pelo Plenário proposta de reformulação do ensino médio (PL 6840/13), que foi aprovada por comissão especial no ano passado.

Fonte: Agência Câmara

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse ontem (29) que o ministério vai criar um grupo de trabalho para analisar a eficácia e a segurança da fosfoetanolamina na cura de casos de câncer, por meio de uma portaria com previsão de ser publicada amanhã (30), no Diário Oficial da União. “Vamos financiar e colocar os laboratórios públicos a disposição dos pesquisadores para chegarmos o quanto antes a um parecer final sobre essa substância”.

 

A fosfoetanolamina foi sintetizada pela equipe de pesquisadores chefiada por Gilberto Chierice, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, em São Carlos, há cerca de 20 anos, e ficou conhecida nas redes sociais como “pilula do câncer”, pela suposta capacidade de destruir tumores malignos. O problema é que a substância não passou oficialmente pelas etapas de pesquisa exigidas pela legislação, que prevê uma série de estudos antes de um medicamento ser usado por seres humanos.

 

Segundo o ministro, os donos da patente concordaram hoje, durante audiência pública no Senado, em cumprir as exigências científicas para determinar a eficácia da droga, e vão participar do grupo composto por representantes do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para a realização dos estudos clínicos, os pesquisadores terão o apoio do Instituto Nacional do Câncer e da Fiocruz.

 

“Nós estamos torcendo para que essa substância tenha efetividade, e que seja segura, mas temos a preocupação de que esse tensionamento todo que foi criado e que está na sociedade, leve pessoas a abandonarem tratamentos comprovadamente eficientes para se aventurarem com uma droga que não cumpriu os protocolos científicos.”, alertou o Ministro.

 

Marcelo Castro explicou que as exigências do Brasil para a liberação de medicamentos estão de acordo com os protocolos definidos pela Organização Mundial de Saúde, praticados no mundo inteiro. Esse método científico incluiu testes em células e em cobaias antes de ensaios clínicos em humanos.

 

Para ressaltar a importância dos testes, o ministro citou dois medicamentos, a anti-inflamatório Viox e o tranquilizante Talidomida, que apresentaram problemas após a comercialização. “Medicamento é coisa importante e séria. Estou dando o exemplo de duas drogas que obedeceram todas as exigências científicas e, mesmo assim, trouxeram graves problemas para a população. Imagine uma droga que nunca foi testada”, disse.

 

Por algum tempo, cápsulas de fosfoetanolamina sintética foram fornecidas, de graça, em São Carlos, mas a USP proibiu a produção e distribuição porque o medicamento não é registrado na Anvisa. Desde então, pacientes que tinham conhecimento dos estudos têm entrado na Justiça para obter a substância.

 

No início de outubro, o Supremo Tribunal Federal liberou o acesso à fosfoetanolamina a um paciente do Rio de Janeiro que estava na fase terminal da doença. Desde então, a demanda pela substância não para de aumentar. “Nós vamos dar todo o suporte necessário para fazer os ensaios clínicos e chegar a um veredicto sobre essa substância. Não podemos ficar na situação que estamos hoje, agravada por decisões judiciais”, afirmou o ministro.

 

Fonte: Agência Brasil – repórter Maiana Diniz

"Muitos países hoje podem ser arruinados de um dia para o outro, como na Grécia, através de um ataque especulativo"

 

São Paulo – Em evento realizado na quarta-feira (28), em São Paulo, o sociólogo português Boaventura Souza Santos, professor da Universidade de Coimbra, e o jurista Fábio Konder Comparato, professor aposentado da Faculdade de Direito da USP, analisaram a crise do capitalismo financeiro global que o mundo está enfrentando atualmente.

 

Em debate promovido pela Escola de Governo, com o tema 'A Crise Global Contemporânea', os pensadores afirmam que, como consequência, a democracia ficou fragilizada, as nações perderam autonomia e cresceu a desigualdade, como mostra a reportagem de Caroline Campos, para o Seu Jornal, da TVT.

 

Comparato enfatiza que o mundo está nas mãos dos banqueiros. Para ele, um dos principais problemas é que os bancos só visam ao lucro, com investimentos em fundos, e, por isso, não ajudam na distribuição da riqueza. "Antigamente eram os industriais que davam as cartas, até no campo político e internacional. Hoje são os banqueiros. Ora, o banco não produz nenhuma riqueza", refletiu o jurista.


Boaventura, por sua vez, acrescenta que essa crise global também coloca em risco a democracia, porque o modelo atual de governo das nações é desigual na distribuição de riqueza. "Muitos países, hoje, podem ser arruinados de um dia para o outro, como a gente viu na Grécia, por meio de um ataque especulativo. Isso criou uma instabilidade política extraordinária, porque a organização política das sociedades é nacional, mas há um mercado global financeiro que controla a política nacional", analisa o sociólogo português.

 

"Na crise de 1929, os bancos, sobretudo nos EUA, pegavam os depósitos dos clientes e aplicavam em especulação na bolsa. Quando a bolsa caiu, os clientes foram lá para tirar o dinheiro do banco e não tinha mais. Está se fazendo a mesma coisa. Ou seja, é o crime financeiro organizado", disse Comparato, que defendeu como medida urgente a separação das atuações dos bancos de depósito dos bancos de investimento.

 

Já Boaventura constatou que, no Brasil, nos últimos anos, assistiu-se a um processo importante de distribuição de riquezas, sobretudo por meio do Bolsa Família, mas que isso se deu em um ambiente hostil. "No momento em que as coisas se tornam mais difíceis, imediatamente, instala-se a crise", afirmou.

 

Fábio Comparato disse que o fundamental é exercer, a todo momento, a denúncia: "É preciso mostrar a todos, sobretudo ao povão, que ele está sendo explorado por pessoas que ele nem enxerga, e que o governo é refém dos bancos", alertou.

 

Fonte: Rede Brasil Atual

O diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, participou na manhã desta quinta (29), no Senado  Federal, de uma Audiência Pública destinada a debater a substância fosfoetanolamina, que, segundo seus pesquisadores, seria eficaz na cura do câncer. Realizada conjuntamente por deputados e senadores, a sessão recebeu pesquisadores, cientistas e pessoas interessadas no tema.

 

Questionado sobre o papel da Anvisa em torno de toda a polêmica envolvendo a Fosfoetanolamina, Jarbas Barbosa foi enfático: “A Anvisa está no lado de proteger a saúde da população. Essa é a nossa missão legal e a de qualquer agência regulatória do mundo. Se nos forem apresentados todos os estudos necessários, eles serão priorizados em nossa análise. Mas não podemos liberar medicamentos que não passaram por esse crivo. Isso seria colocar em risco a saúde da população”.

 

Ele explicou que, para a liberação de um medicamento, se faz necessária uma série de ensaios clínicos, estudos que são exigidos por agências regulatórias do mundo inteiro e que comprovam se uma substância é segura e eficaz.

 

Os detentores da patente da Fosfoetanolamina ainda não apresentaram qualquer tipo de estudo à Anvisa. Porém, Jarbas explicou a todos que, iniciados os ensaios clínicos, a agência poderá apoiar e esclarecer qualquer dúvida que os pesquisadores tenham relação ao protocolo necessário para o registro da substância.

 

“A Anvisa está de portas abertas para apoiá-los”, ressaltou o diretor-presidente. “Mas é impossível nós termos, não só no Brasil, mas em qualquer país civilizado do mundo, um medicamento utilizado na população sem que todos os ensaios clínicos comprovem que ele é absolutamente seguro e eficaz”.

 


Jarbas explicou, ainda, que dentro dos nossos critérios da Anvisa, qualquer medicamento que seja desenvolvido no Brasil ou que seja destinado a uma doença que não disponha de outras alternativas, ele imediatamente vai para o começo da fila de pedidos de registros. Tem total prioridade.

 

“Nós temos hoje, na fila de análise de pesquisas clínicas da Anvisa, apenas  26 estudos. O mais antigo ingressou em julho passado. Ou seja, a Anvisa faz essa análise com muita rapidez”, assegurou. No entanto, alertou: “Sem a comprovação de que uma substância é segura, não podemos liberá-la. Já houve, no mundo, medicamentos que foram retirados do mercado exatamente porque, ao serem usados em larga escala, foram verificados efeitos adversos graves e que podem, inclusive, levar à morte”.

Fonte: Imprensa Anvisa

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