O Jornal Brasil de Fato está fazendo a cobertura diária da tragédia ocorrida em Mariana no dia 05/11. A cobertura é atualizadas várias vezes ao dia. No dia 05 de novembro, duas barragens da empresa de mineração Samarco se romperam destruindo o distrito de Bento Rodrigues.

 

 

Mais de 600 pessoas estão morando em abrigo temporário e já foram confirmadas as mortes de outras quatro.

 

 

Acompanhe aqui a cobertura realizada pelo Jornal  

Começou ontem, segunda-feira, a votação que vai escolher os novos representantes da categoria para os próximos anos.

 

Na eleição de 2015, serão escolhidos quatro conselheiros regionais, uma chapa de diretoria e uma chapa de conselheiro federal. Votação ocorre exclusivamente pela internet, no site www.votafarmaceutico.org.br, até meio dia de quarta-feira, 11 de novembro.


Participe. Seu voto fortalece a categoria!

A Fenafar realizou, na sexta-feira, 06/11, a primeira reunião do novo Conselho de Representantes da entidade, após o seu 8º Congresso, com a presença de 24 estados e o Distrito Federal.

 

 

Por Renata Mielli, de Brasília


Para contextualizar os debates e as ações que o CR deve apontar para dar desdobramento às resoluções congressuais, foi feita uma análise da conjuntura política e econômica do país, que contou com a presença da deputada federal Angela Albino (PcdoB-SC) e do consultor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – DIAP, Ântonio Queiroz.


O presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, abriu a reunião destacando a sua representatividade. “É uma demonstração de uma importante vitória, que representa o acerto de uma política de construção coletiva, de ouvir, de buscar a unidade e que tem como princípio – desde o primeiro congresso da Fenafar – realizar um sindicalismo classista, politizado, independente, de luta, que trata com muita atenção as questões específicas e econômicas da categoria farmacêutica, a luta pela sua valorização, mas também trata dos problemas do Brasil, do desenvolvimento nacional, da soberania e da luta pela Saúde Pública”.


A deputada federal Angela Albino iniciou sua apresentação dizendo que toda organização do movimento social, que todos os sindicatos, precisam incluir na sua agenda de discussão a análise da conjuntura política. Ela reafirmou a visão de que o sindicato não pode se resumir a luta pelas demandas econômicas da categoria, que são fundamentais, mas são insuficientes para obter avanços mais estratégicos. “Nossas lutas não são nossas lutas apenas. Temos que ter um papel político para atuar em consonância com um contexto político”.


Onda conservadora e o papel da mídia


A deputada discorreu sobre a crise política e econômica que estamos atravessando. “Temos uma crise econômica que é mundial e que nos afeta e também precisamos reconhecer nossas debilidades”, mas ela chamou a atenção para o papel político que os meios de comunicação têm cumprido, ao amplificar a crise econômica, gerando mais instabilidade política.


“A crise existe mas ela é manipulada pelos meios de comunicação porque a mídia tem lado”, diz se referindo ao consórcio oposicionista no país que é composto pela direita conservadora e a mídia hegemônica.


Além da crise, a mídia têm insuflado um discurso conservador que está fortemente representado no atual Congresso Nacional, pelos parlamentares da bancada religiosa, da bancada dos setores agropecuários e de empresários ligados à indústria da violência. Para exemplificar, Angela falou dos projetos que atacam os direitos das mulheres e de outros que representam graves retrocessos aos direitos humanos.


“Essa ofensiva exige uma ampla unidade em defesa da democracia. O ambiente polítco não nos permite apostarmos nas nossas divergências, temos que ter muita clareza nos pontos que nós convergirmos e eles não podem ser esgotados apenas nas pautas das nossas categorias, senão não teremos avanços. Não podemos achar que a nossa luta é apenas por salários. Nunca nenhum sindicalista pode dar a impressão para a sociedade de que a nossa luta particular é maior que a luta coletiva”, afirmou.

 

 

 

 

Crise política e econômica


Ântonio Queiroz, do DIAP, fez um diagnóstico bastante aprofundado do quadro político e econômico do país. Na sua avaliação “existe uma crise política influenciando a economia, que tem uma disputa ideológica como pano de fundo: o empresariado é contra um Estado que tenha ação na economia para definir políticas de investimento”.


Ele destacou que “há no Brasil uma combinação de quatro fatores que são sinônimos de crise em qualquer País ou lugar: um governo fraco; um Congresso conservador e subordinado ao poder econômico; um Judiciário midiático; e uma imprensa tendenciosa. Essa combinação torna o ambiente político e social confuso e deixa a população atônita. Precisamos compreender bem esse ambiente para não sucumbirmos ao desalento nem à desesperança”.


Somado a isso, Toninho do Diap considera que desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula, o governo tem tido um problema de comunicação. “Isso fica patente quando se vê o resultado de uma pesquisa recente que mostra que as pessoas atribuem a méritos pessoais a sua melhoria de vida”.


Temos um setor empresarial que não investe na economia.


“Alega-se que os investimentos não acontecem na dimensão esperada por falta de confiança ou temor de que o governo possa interferir na margem de lucro das empresas”. Apesar disso, “o Brasil continua como um destino de investimento estrangeiro direto importante, inclusive porque seus ativos estão baratos, mas poderá perder essa condição se os Estados Unidos modificarem sua política monetária ou se mais uma agência de risco retirar o selo de bom pagador do País: o grau de investimento”.


Neste cenário, Queiroz ressalta que “os ajustes promovidos pelo governo não podem incidir sobre as políticas públicas que beneficiam os mais pobres. Está em curso uma onda de flexibilização das medidas de regulação, uma onda neoliberal para acabar com a política de conteúdo nacional, junto com uma onda conservadora, que quer mudar o conteúdo do projeto político”.


Os desdobramentos de junho de 2013


Nos aspectos políticos, Toninho buscou nas manifestações de junho de 2013 alguns sinais da crise política que estamos vivendo hoje. Para ele, “as manifestações eram para pedir mais Estado, mais governo e mais políticas públicas. Depois foi apropriada por setores que não tinham mais interesses. “O cidadão foi às ruas nas dimensões de eleitor, contribuinte, usuário de serviços públicos e consumidor”, disse.


Em sua análise, “o eleitor é o titular de poder e quando delega para que alguém em seu nome legisle, fiscalize, aloque recursos no orçamento ou administre um Município, um Estado ou a própria União, o faz com base em um programa, com exigência de prestação de contas; na dimensão de contribuinte. Ele criticou a injustiça tributária, que incide basicamente sobre consumo e salários, quando deveria recair sobre renda, lucros e dividendos, patrimônio, grandes fortunas; como usuário de serviço público, que foi o estopim das manifestações, especialmente no transporte público, o cidadão igualmente tinha e continua tendo razão. Apesar do esforço dos servidores públicos, os serviços públicos são insuficientes; na dimensão de consumidor, foi às ruas em razão da retomada da inflação, contra a atualização das tarifas públicas ou dos preços administrados, como energia elétrica e combustíveis, também impactou o orçamento das famílias, contribuindo para o aumento da indignação do consumidor, Mas o cidadão não protestou na dimensão de trabalhador, porque naquele momento o emprego e a renda cresciam. Ocorre que, ao não verem suas reivindicações terem desdobramentos, ficaram “frustrados em suas expectativas, os eleitores ficaram indignados e passaram a se identificar “contra tudo que está aí”. O Congresso eleito nesse ambiente político foi esse que vemos, formado por bancadas como a ruralista, a evangélica, a da segurança/bala e a da bola, que, somadas, reúnem a maioria absoluta das cadeiras da Câmara dos Deputados. Essas bancadas, que representam o que há de mais atrasado na política nacional, têm atuado de modo articulado”.


Toninho se soma à preocupação da deputada Angela Albino sobre a necessidade de se construir uma ampla unidade em defesa da democracia. Também disse que é preciso fortalecer os sindicatos e os movimentos sociais e ampliar o debate político na sociedade, porque, ao contrário do que a mídia hegemônica tenta impor no sentido de criminalização da política: "é na política que os problemas coletivos são resolvidos. Todas as conquistas dos avanços civilizatórios são produtos de decisões políticas. Se você desqualifica a política você perde este instrumento fundamental para definir regras de convivência, mecanismos de proteção. Quando se desqualifica a política, se qualifica o mercado, e o mercado só pensa no lucro, não tem compromisso ético, social nenhum. Se a gente não participa da política, este espaço vai ser ocupado por gente inescrupulosa que não tem compromissos com o interesse público.

Do Viomundo


Por Luiz Carlos Azenha -  09/11


A mineradora Samarco, joint venture da Vale com a australiana BHP Billiton, teve um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões em 2014. Ou seja, limpinhos!

Como se sabe, o Brasil é uma “mãe” para as mineradoras. A Agência Pública fez uma reportagem interessante a respeito, quando Marina Amaral perguntou: Quem lucra com  a Vale?  http://apublica.org/2012/11/quem-lucra-vale/

O “pai” das mineradoras é Fernando Henrique Cardoso. Em 1996, com a Lei Kandir, isentou de ICMS as exportações de minerais!

O que aconteceu com a Vale, privatizada a preço de banana, é o mesmo que se pretende fazer com a Petrobras: colocar a empresa completamente a serviço dos acionistas, não do Brasil.

O que isso significa?

Auferir lucros a curto prazo, custe o que custar.

A questão-chave está no ritmo da exploração das reservas minerais.

Num país soberano, o ritmo é ditado pelo interesse público. É de interesse da população brasileira, por exemplo, inundar o mercado com o petróleo do pré-sal, derrubando os preços? Claro que não.

Quem lucra, neste caso, são os países consumidores. Os Estados Unidos, por exemplo. Portanto, quando FHC privatizou parcialmente a Petrobras, vendendo ações na bolsa de Nova York, ele transferiu parte da soberania brasileira para investidores estrangeiros. Eles, sim, querem retorno rápido. Querem cavar o oceano às pressas, até esgotar o pré-sal. É a dinâmica do capitalismo!

O Brasil é um país sem memória. Não se lembra, por exemplo, do que aconteceu na serra do Navio, no Amapá. Uma das maiores reservas de manganês do mundo foi esgotada porque interessava aos esforços dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Ficamos com o buraco e a destruição ambiental…

Obviamente, não é um problema brasileiro. Fui pessoalmente às famosas minas de diamante de Serra Leoa, na África, que mereceram uma visita da rainha Elizabeth. Investiguei o entorno. O local de onde sairam bilhões de dólares em diamantes não tinha rede de esgoto, nem de distribuição de água.

O mesmo está acontecendo neste exato momento com o coltan, do Congo, um mineral utilizado pela indústria eletroeletrônica. A exploração do coltan financia uma guerra interminável de milicias, que exportam o mineral para a Bélgica praticamente de graça!

Serra Leoa, Congo, Brasil…

Infelizmente, estamos no mesmo nível.

Como denuncia seguidamente o Lúcio Flávio Pinto, o ritmo da exploração do minério de ferro de Carajás é um crime de lesa-Pátria. www.viomundo.com.br/denuncias/lucio-flavio-pinto-ritmo-de-exportacao-de-minerio-de-ferro-e-crime-de-lesa-patria.html

Por que haveria de ser diferente nas reservas de Minas Gerais?


A economia do estado, tanto quanto a brasileira, ainda é extremamente dependente da exportação de commodities. À Vale interessa produzir rápido, derrubar o preço a qualquer custo para apresentar lucro no balanço.

Infelizmente, a elite brasileira até hoje se mostrou incapaz de formular um projeto soberano de país. Isso vale para PSDB, PT e todos os outros, como ficou evidente na tragédia de Mariana.

Não podemos culpar a mineradora Samarco pela tragédia antes de uma investigação independente e rigorosa. Mas, será que ela vai acontecer?

Do prefeito de Mariana ao senador tucano Aécio Neves, passando pelo governador petista Fernando Pimentel, todos deram piruetas para salvaguardar a Samarco. Pimentel deu uma entrevista coletiva na sede da mineradora!

Enquanto isso, milhões de metros cúbicos de lama desceram o rio do Carmo e chegaram ao rio Doce.

A Samarco diz que a lama é inerte, ou seja, não oferece risco à saúde.

Numa situação ideal, não caberia à Samarco dizer isso — com reprodução martelada em todos os telejornais da Globo.

O familiar de um desaparecido comentou comigo que, na Globo, as vítimas da tragédia não tinham rosto…

A Vale, afinal, é grande patrocinadora.

Espanta é que os governos federal, estadual e municipal, que em tese deveriam atuar de forma independente — em nome do interesse público — não o façam.

A primeira providência em um país civilizado seria uma análise de emergência na lama, para determinar se ela oferece algum risco à saúde.

Afinal, milhões de brasileiros podem entrar em contato com os rejeitos, seja nas margens dos rios, seja através da água consumida.

Além disso, o tsunami de lama carregou corpos humanos e de animais por uma longa extensão, de centenas de quilômetros.

No entanto, a não ser pelo esforço de relações públicas da Samarco, as pessoas afetadas, como testemunhei pessoalmente, estão totalmente no escuro.

Mais adiante, outras questões importantes vão surgir.

O rio do Carmo foi completamente destruído, de ponta a ponta. Quem vai pagar a conta? O Estado brasileiro ou a Samarco?

A Samarco fez o que se espera de uma empresa privada, que pretende minimizar os impactos sobre si do desastre ambiental que produziu.

 

De forma competente, acionou seu esquema de relações públicas para deixar no ar a ideia de que o rompimento de duas barragens foi consequência de um terremoto.

Transferiu os desabrigados para hoteis, evitando a ebulição de centenas de pessoas que, conjuntamente, poderiam conjurar contra uma empresa da qual sempre desconfiaram.

Conversei com os sobreviventes de Bento Rodrigues: todos sempre acharam um exagero o crescimento vertical, contínuo, da barragem, para guardar mais e mais lama.

Segundo eles, a Samarco começou a comprar novas áreas de terra porque pretendia construir uma outra barragem, mais próxima do povoado, para dar conta do armazenamento dos rejeitos.

Que a Samarco cuide de seus interesses é parte do jogo.


O espantoso é ver a captura do Estado brasileiro, em todas as esferas, pelo interesse privado.

Basta uma consulta às pessoas comuns, que vivem sob as barragens de rejeitos — que se contam às centenas em Minas — para que elas denunciem: as empresas aumentam indefinidamente as cotas, sem transparência, sem qualquer consulta pública, sem planos de resgate de emergência, sem um básico sinal sonoro para dar o alerta em caso de acidente.

É bem mais barato que construir uma nova barragem, certo? Lembrem-se: estas empresas estão a serviço do lucro de seus acionistas e a maioria deles não mora em Mariana, provavelmente nem mora no Brasil.

Minas Gerais, acossada pela crise econômica, sucumbe à lógica das mineradoras: como denunciou o leitor Reginaldo Proque, está tramitando na Assembleia Legislativa um projeto para simplificar o licenciamento ambiental, de autoria do governo Pimentel. http://www.almg.gov.br/atividade_parlamentar/tramitacao_projetos/documento.html?a=2015&n=2946&t=PL&doc=1

Em resumo, os desabrigados das margens do rio do Carmo fazem o papel, em carne e osso, da crise de representação da política brasileira.

Ninguém os ouve, nem consulta.



Quando muito, são sobrevoados por helicópteros que “representam” um Estado servil ao poder econômico.

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