O poder real – Publicado em Carta Capital em 13/11/2015

 

Em Wall Street e na City londrina, 737 megabancos e fundos controlam 80% das 43 mil transnacionais.

 

Por Davi Nardy Antunes e Luiz Gonzaga Belluzzo — publicado 13/11/2015 01h59
 

Desde os anos 1970 do século XX, a reestruturação do capitalismo envolveu mudanças profundas na operação das empresas, na integração dos mercados e na soberania do Estado. Em primeiro lugar, a empresa oligopolista, “conglomerada” e “verticalizada”, desmontou a velha estrutura e concentrou-se na “atividade principal”. A nova empresa assumiu a função “integradora” no comando de uma rede de fornecedores. Em segundo lugar, as decisões empresariais estratégicas foram submetidas ao “comando sistêmico” de poucas instituições financeiras. Em terceiro lugar, sob os auspícios do capital financeiro, ocorreu a centralização do capital à escala mundial, o que envolveu a vitória do “valor do acionista” sobre as “ultrapassadas” estratégias de crescimento da firma apoiada no investimento produtivo via lucros retidos. Neste texto, vamos detalhar tais transformações e discutir suas implicações.

 

 

A “desconglomeração” e a centralização da estrutura produtiva ocorreram em conjunto com profunda reorganização empresarial, levando a uma redução drástica do número de empresas. Toda a economia mundial passou a ser dominada por pouquíssimas empresas, em geral, de países desenvolvidos. O setor de equipamentos de telefonia móvel, por exemplo, é dominado por cinco empresas, o farmacêutico por dez e o de aviões comerciais de grande porte por apenas duas. Em termos do gasto com pesquisa & desenvolvimento, o fenômeno é semelhante: apenas cem grandes empresas concentram 60% do gasto em P&D, sendo dois terços dos gastos realizados em apenas três setores (informática, farmacêutico e automotivo).

 

 

Concentração crescente

 

 

Concentrando seus recursos no core business (marca, marketing, design e P&D), as grandes empresas ganharam dimensão global por meio de fusões e aquisições e tornaram-se integradoras de cadeias globais de produção terceirizadas. A empresa integradora desverticalizou-se, vendendo ativos e terceirizando atividades, e forçou seus fornecedores a também ganharem escala mundial e a se fundirem, num grande efeito cascata. Um exemplo eloquente é a Boeing. O 787 Dreamliner foi projetado integralmente em computadores, mas sua produção foi largamente terceirizada: 70% dos 2,3 milhões de componentes foram produzidos por 50 empresas em diversos países. Isso não significa que houve perda de controle sobre a produção, já que a Boeing, gerenciava em tempo real os fornecedores, os fornecedores dos próprios fornecedores, sincronizava pagamentos, estoques, prazos etc. Ou seja, mantinha estrito controle sobre as terceirizadas.

 

 

Em seu impulso para a “desterritorialização”, as empresas deslocaram a produção para as regiões onde prevalecem baixos salários, câmbio desvalorizado, baixa tributação. Nos 40 anos de globalização, as companhias dos países centrais cuidaram de separar os componentes de sua atividade globalizada: a) Wall Street e a City londrina abrigam as 20 maiores instituições financeiras que “administram” os ativos globais; b) na China e adjacências predomina a formação de nova capacidade produtiva; c) nos paraísos fiscais, a captura dos resultados.

 

 

O sistema financeiro também passou por transformações de monta, graças à globalização e à desregulamentação. Nas últimas décadas, as ondas de fusões e aquisições elevaram o grau de centralização: os 25 maiores bancos do mundo tinham 28% dos ativos dos mil maiores bancos em 1997; em 2009, mais de 45%. Dos 4 trilhões de dólares de transações diárias com moedas, 52% são realizadas pelos cinco maiores bancos. No que tange aos bancos de investimento, os dez maiores concentram 53% das receitas. Baseados, principalmente, nos 10% mais ricos, que geram 80% de suas receitas, os bancos conglomeraram-se e tornaram-se verdadeiros supermercados financeiros, capazes de oferecer todo tipo de serviço a pessoas físicas e jurídicas. O setor financeiro também se destaca no que se refere ao gasto em P&D. O investimento em TI (internet, caixas eletrônicos, servidores) alcançou 380 bilhões de dólares, em 2006.

O Sinfarmig tem recebido várias solicitações sobre a possibilidade de a entidade viabilizar o acesso dos Farmacêuticos ao Clube Topázio, também conhecido como “Clube dos Farmacêuticos”.

 

Neste sentido, gostaríamos que os farmacêuticos interessados se manifestassem por e-mail (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.).

 

Acesse o site para conhecer melhor o Clube

 

Segundo a coluna Painel da Folha de S. Paulo, publicada agora à tarde, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deve aplicar multa com valor próximo de R$ 250 milhões à mineradora Samarco pela tragédia no distrito de Bento Rodrigues em Mariana.

 

Conforme a colunista Natuza Nery, as indenizações por danos materiais, ambientais e humanos devem atingir a casa do bilhão. A multa rígida teria sido determinação da presidente Dilma Rousseff e da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

“Vamos fazer uma checagem dupla do que nós temos de informações sobre essas barragens”, afirmou em São Paulo o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga
Braga participou de fórum que discutiu as mudanças climáticas e a promoção da economia de baixo carbono

São Paulo – O ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, disse hoje (12), em São Paulo, que o governo federal vai iniciar um programa emergencial para realizar auditagens independentes das diversas barragens de resíduos de mineração que existem em Minas Gerais.

“Vamos fazer uma checagem dupla do que nós temos de informações sobre essas barragens”, afirmou. Braga disse também que estão sendo contratados emergencialmente 20 técnicos especialistas em geotecnia para estudar com profundidade a região de Minas Gerais e o desastre com a barragem da Samarco em Mariana, que se rompeu no dia 5 de novembro.

“Colocamos também recursos para fazer reciclagem e treinamento dos funcionários tanto do DNPM quanto do CPRM”, disse o ministro, referindo-se respectivamente ao Departamento Nacional de Produção Mineral e à Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais. Os dois órgãos do governo são ligados à pasta de Minas e Energia.

“São recursos da ordem de R$ 9 milhões que já estão autorizados pelo Tesouro Nacional e pelo Ministério do Planejamento para que o DNPM possa fazer um plano emergencial, permitindo que façamos uma checagem de toda a situação mineral no estado de Minas.”

Braga participou de fórum empresarial que discutiu as mudanças climáticas e a promoção da economia de baixo carbono, para reduzir os impactos ambientais da atividade econômica. O ministro defendeu que as fontes de energia suja, como as usinas térmicas, sejam substituídas por fontes de energia limpa.

“É você parar de gerar energia à base de óleo combustível e óleo diesel, e passar a gerar energia eólica, solar, hidrelétrica, de biomassa, todas elas ambientalmente corretas. Portanto, são substituições no setor elétrico, no setor de energia e no setor industrial que nós temos de agregar tecnologia; sem tecnologia e inovação, nós não venceremos na área industrial”.



Fonte: Rede Brasil Atual / repórter Helder Lima

Mais Artigos...