Jornal Estado de Minas

 

Profissionais da saúde afirmam que Ato Médico irá burocratizar o SUS Categorias são contra dois artigos do projeto de lei. Após reunião nesta tarde, eles planejam ações de protesto na cidade

 

 

Publicação: 04/07/2013 17:14 Atualização: 04/07/2013 20:52

 

Diante da polêmica em torno do Projeto de Lei Suplementar (PLS) nº 268/2002, também conhecido como Ato Médico, aprovado no Senado em 18 de junho, profissionais da área da saúde se reúnem, na tarde desta quinta-feira, em uma “Frente Mineira em Defesa da Saúde”, no Conselho Regional de Psicologia, no Bairro Lourdes, na Região Centro-Sul de BH, para discutir o assunto. Eles reivindicam o veto de dois artigos do projeto de lei, que segundo eles, ferem o paradigma de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

A "Frente Mineira em Defesa da Saúde", composta por entidades, conselhos, sindicatos e profissionais da saúde, afirma que, dos 14 conselhos de classe, 13 se colocam contra alguns artigos do Ato Médico. O mais criticado é o item que transfere aos médicos atribuições de outras profissões, como psicólogos, nutricionistas, enfermeiros, entre outros. “Se isso não for vetado, apenas o médico terá o poder de diagnosticar e prescrever medicamentos e tudo o que os outros profissionais fizerem terá que passar pela autorização dos médicos, o que vai burocratizar o sistema de saúde e dificultar ainda mais o acesso à saúde”, explica Beatriz Carvalho, assessora técnica do Conselho Regional de Nutricionistas de MG.

 

Saiba mais...

 

Profissionais da saúde realizam protesto no Centro de BH contra o Ato Médico

 

Ainda segundo Beatriz, outro artigo alvo de reclamações por parte dos profissionais é o que torna a chefia de serviços privativa do médico, levando a uma hierarquização que, segundo ela, vai contra os princípios do trabalho em equipe e multiprofissional. “O veto a esses itens não traz nenhum prejuízo para o exercício da medicina, mas se a lei for sancionada desta forma, trará muito prejuízo a outros profissionais e para a saúde como um todo”, afirma.

Para a psicóloga Lourdes Machado, conselheira do Conselho Regional de Psicologia e integrante da Frente Mineira, a regulamentação da profissão do médico não é o problema, e sim a redação do texto. “O projeto de lei, da forma como está escrito agora, tenta dizer à outras profissões o que elas devem fazer. Somos contra alguns artigos que de fato prejudicam não só as categorias, mas também o funcionamento do SUS”.

 

Além de discutir sobre o Ato Médico, o encontro desta tarde debateu outras pautas, como qualidade na saúde e condições de trabalho e a luta por 10% do PIB para a área da saúde. Após o encontro, as entidades vão se reunir em uma assembleia e planejar novas ações, como manifestações e passeatas.

Orientação ao público

A Frente Mineira em Defesa da Saúde pretende realizar uma blitz simbólica na próxima segunda-feira, na Avenida Alfredo Balena. “Queremos informar a população a respeito do Ato Médico, pois muitas pessoas não entendem o que é o projeto de lei”, explica Lourdes. O grupo também fará uma nova concentração no dia 11, na Praça Tiradentes, na Região Centro-Sul da capital. A manifestação acontece um dia antes da data limite em que Dilma deve vetar ou sancionar a proposta.

Protestos

Em 21 de junho, em meio aos diversos protestos que tomaram às ruas da capital mineira, cerca de 80 pessoas, entre fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, naturalogistas e acupunturistas saíram da Praça da Liberdade e desceram a Avenida João Pinheiro, no Centro de BH, em direção à Praça Sete, na Avenida Afonso Pena. Com faixas e cartazes, eles exigiam o veto imediato do projeto de lei do Ato Médico.

Na Praça Sete, eles se uniram a outros manifestantes que seguiam em direção à Câmara Municipal de Belo Horizonte e somaram mais de 600 pessoas, segundo a Polícia Militar. A caminho da Câmara, eles fecharam os dois sentidos da Avenida Andradas.

 

 

Jornal O Tempo - BH - PUBLICADO EM 05/07/13 - 03h00

LITZA MATTOS

A presidente Dilma Rousseff tem até a próxima sexta-feira para vetar, ou não, o Projeto de Lei Suplementar (PLS) nº 268/2002, que regulamenta a medicina – também conhecido como “Ato Médico”. Temendo o impacto que a decisão possa trazer para outras 13 categorias da área da saúde, representantes das entidades que formam a Frente Mineira em Defesa da Saúde se reuniram ontem em Belo Horizonte e decidiram pela realização de duas manifestações – uma nesta segunda-feira e outra no dia 11 de julho.

O veto parcial do projeto de lei, em especial, do artigo 4º, que trata das atividades privativas do médico é uma das principais reivindicações das categorias, além do aspecto que diz respeito aos cargos de chefia que, pelo projeto, só poderiam ser ocupados por médicos.

“Em relação ao diagnóstico, todas as profissões têm leis que regulamentam o exercício e uma série de atribuições privativas, por exemplo, a prescrição de dietas que é privativo para o nutricionista. Se passado o projeto da forma como está, significa a não autonomia do nutricionista, porque isso seria privativo do médico. Assim como nutricionistas não têm como dizer que tipo tratamento psicológico uma pessoa precisa, um médico não tem esse conhecimento para fazer avaliação em todas as áreas”, avalia a assessora técnica do Conselho Regional de Nutricionistas de Minas Gerais, Beatriz Carvalho.

Para Graziela Zanoni, membro-diretora do Sindicato dos Fonoaudiólogos de Minas Gerais, a preocupação também é em manter a autonomia profissional. “Hoje o que percebemos no dia a dia é que, muitas vezes, a troca de conhecimento é muito mais saudável. Já vencemos uma barreira, ainda com dificuldades histórias, de passarmos a receber, por exemplo, uma crianças com deficiência auditiva que antes vinha aos 11 anos e que passou a começar o tratamento desde cedo por causa da presença do fonoaudiólogo na maternidade e pelo teste da orelhinha recém regulamentado como lei”, afirma.

Segundo o diretor do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de Minas Gerais, Anderson Luis Coelho, o projeto de lei supervaloriza os médicos. “Ele dá uma autonomia ampla, como se o médico pudesse fazer o mesmo tratamento e diagnóstico de todas as profissões”, diz.

Nacional. O encontro das categorias faz parte do “Dia Unificado” – um encontro nacional que foi convocado pela Frente Nacional dos Conselhos anteontem em Brasília. O evento traz como temas principais o Ato Médico, os 10% na saúde, acesso a saúde integral e multiprofissional e condições adequadas de trabalho.

Conselhos regionais de classe e sindicatos que integram a Frente Mineira em Defesa da Saúde - representante de 13 profissões da área de saúde em Minas Gerais - convocaram a imprensa de Belo Horizonte para prestar esclarecimentos sobre a posição da entidade frente o Projeto de Lei do Senado (PLS) 268/2002, conhecido como Ato Médico.

 

 

A reunião com os órgãos de imprensa foi realizada no dia 04 de julho, na sede do Conselho Regional de Psicologia (CRP). A categoria de farmacêuticos esteve representada no evento pelo Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinfarmig) por meio do diretor Sebastião Fortunato de Faria Filho.

 

O diretor do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito/MG), Anderson Luis Coelho, disse que o projeto de lei do Ato Médico – que tem o objetivo de regulamentar a profissão de médico -, gera interpretações ambíguas e dificulta o acesso da população aos outros profissionais da saúde ao exigir a passagem obrigatória do paciente primeiramente pelo médico. “Esse PL passou por 27 audiências públicas (durante 11 anos) e só foi tão complexo por causa da ingerência nas outras profissões”, resumiu.

 

 

Os participantes da coletiva enfatizaram que a prioridade do diagnóstico nosológico e da prescrição terapêutica dada ao médico pelo projeto vai contra a ideia da saúde como um campo de ação multidisciplinar que constitui um dos pilares do conceito do Sistema Único de Saúde (SUS). 

 

 

O diretor do Sinfarmig, Sebastião Fortunato, argumentou com os repórteres que se o Ato Médico for sancionado pela presidente Dilma Rousseff no da 12 de julho próximo, o SUS terá se transformado no SUSTO – um sistema de saúde totalmente omisso.    

O Sinfarmig é uma das entidades fundadoras da Frente Mineira em Defesa da Saúde e vem discutindo exaustivamente a temática do Ato Médico por entender que ele é lesivo aos profissionais de saúde e ao SUS.

O Instituto Racine está com inscrições abertas, até o dia 25 de julho, para o curso de pós-graduação em Atenção Farmacêutica – Formação em Farmácia Clínica. Farmacêuticos associados ao Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinfarmig) possuem 10% de desconto nas parcelas.

 

O  curso tem carga horária de 450 h e será ministrado durante 19 meses, de forma presencial, em Belo Horizonte.  As aulas começam no dia 09 de agosto.

 

Conforme o Instituto, a titulação conferida ao final do curso é aceita pelas certificadoras para fins de comprovação de formação especializada do farmacêutico para atuação na área clínica. De acordo com a entidade, após 25 de julho, o pedido de inscrição só será aceito mediante solicitação especial.  

Mais informações no site WWW.racine.com.br/ir ou pelo telefone: (11) 3670.3499 


Mais Artigos...