O Brasil tem o maior rebanho comercial de bovinos do mundo: 212,8 milhões de cabeças conforme levantamento de 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mesma pesquisa informa que no ano do estudo, o país contava com 39,3 milhões de suínos, 9,3 milhões de caprinos e 5,5 milhões de equinos. O número de galináceos chega a 1,266 bilhão. E o que dizer da quantidade de animais de estimação que cresce em ritmo vertiginoso dentro de casas e apartamentos? Estamos entre as nações com mais gatos e cachorros do mundo.

 

Segundo publicações especializadas em pets, o número de cães está na casa dos 35,7 milhões de cabeças e o de gatos algo próximo de 20 milhões de animais. Se a população humana brasileira acumula em casa 15 toneladas de medicamento a serem coletados a cada ano, o quanto de rejeitos farmacêuticos os proprietários de animais retêm no campo e nas cidades?

 

A pergunta desconcertante emerge da conversa com a farmacêutica do Grupo de Trabalho pelo Descarte Correto de Medicamentos do Rio Grande do Sul, Débora Melecchi, também presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do estado sulista.

 

Ela explica que a grande dificuldade de controle dos fármacos veterinários descartados está na diferença dos órgãos reguladores. Enquanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável pelos medicamentos humanos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) se encarrega das regras para os veterinários. Ou, seja, a legislação do Anvisa não é cumprida pela área veterinária.

 

Nessa história, o Rio Grande do Sul está saindo na frente e vai propor um encontro entre representantes da vigilância sanitária do RS e do MAPA. A reunião inédita será possibilitada pelo I Fórum sobre Descarte de Medicamentos Veterinários, a ser realizado no dia 23 de julho, no anfiteatro da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRRS).

 

“A partir dessa apresentação, esperamos poder levantar regramentos importantes para os animais serem bem atendidos e humanos não fazerem mau uso dos medicamentos veterinários”, pontua a farmacêutica. O Fórum é realizado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul em parceria com o Grupo de Trabalho pelo Descarte Correto de Medicamentos do Rio Grande do Sul.

Débora Melecchi / Arquivo pessoal

Folha de S.Paulo - 16/07/2013 - 03h30

ALEXANDRE DALL'ARA
DE SÃO PAULO
MARIANA VERSOLATO
EDITORA-ASSISTENTE DE "CIÊNCIA+SAÚDE"

Pegando carona em pesquisas médicas e avanços recentes relacionados a células-tronco e terapia genética, empresas de cosméticos tentam conquistar o consumidor com um apelo "científico".

Há produtos que se gabam dos supostos benefícios das células-tronco de uva e maçã. É o caso do Initialist (R$ 340), condicionador da Kérastase com ativos extraídos da macieira, e do creme facial Power Charge (R$ 2.300) da La Prairie, com algas e fitoextrato de uva suíça.

Já o apelo "genético" aparece na linha Renew Genics da Avon e nos produtos Active, do Boticário.

As tais células-tronco usadas nos cosméticos são de origem vegetal --na verdade, células meristemáticas, que têm função semelhante às células-tronco humanas (capacidade de se dividir e formar novas estruturas).

Mas, segundo o biólogo e pesquisador do Instituto D'Or Daniel Furtado, esses fatores vegetais dificilmente teriam efeito em células humanas.

"O que essas células-tronco podem fazer de diferente de um extrato vegetal comum?", questiona o biólogo, que atribui o uso das substâncias ao marketing.

"As empresas se aproveitam do apelo popular da ciência para lançar esses produtos. Muitos consumidores até sabem que a publicidade é exagerada, mas o desejo de rejuvenescer os leva a buscar gratificação, na maioria das vezes, ilusória", diz o dermatologista Davi de Lacerda.

João Hansen, presidente da Associação Brasileira de Cosmetologia, diz desconhecer o efeito das células-tronco vegetais, mas afirma que o benefício delas para a pele é "perfeitamente possível".

"Se há ou não abuso na publicidade eu não sei dizer. Mas sei que as empresa de renome têm justificativa para o que estão falando, não agem só pelo modismo", afirma.

REGULAÇÃO

Para Lacerda, as empresas de produtos de beleza tentam conquistar o consumidor "manipulando termos na sua publicidade e nos rótulos". "A maioria das empresas maquia as informações no limiar da legalidade de cada país, que no caso dos cosméticos é bastante complacente."

Cosméticos de baixo risco para o consumidor não passam por avaliação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) antes de entrar no mercado.

Mas, segundo a agência, as fabricantes devem ter comprovação científica da eficácia dos produtos e podem ser responsabilizadas legalmente por afirmações enganosas.

Em geral, os testes realizados pelas empresas são feitos com um número pequeno de voluntários que avaliam o efeito percebido do produto.

"É muito subjetivo. O ideal seria comparar o produto real com outro placebo, sem eficácia", afirma Furtado.

Sobre as novas tecnologias propagandeadas pela indústria, a Anvisa diz que não existe consenso científico.

"No caso das células-tronco não há como comprovar a eficácia porque não há legislação que sustente o uso dessas substâncias", diz o gerente-geral de cosméticos da agência, Marcelo Sidi Garcia.

OUTRO LADO

Em resposta às críticas sobre a eficácia dos cosméticos, as empresas afirmam ter testes para comprovar os efeitos dos produtos. Alegando sigilo industrial, nenhuma delas apresentou esses estudos.

A Avon explica que a linha Genics é baseada em pesquisa da Universidade de Calábria (Itália) sobre um gene que estimularia a "longevidade da pele". Segundo a empresa, testes in vitro demonstraram que os produtos "auxiliam no estímulo à produção desses genes".

O Boticário afirma que as células-tronco de origem vegetal são "usadas pelo mercado cosmético de maneira geral" e que seus produtos cumprem os requisitos de segurança e eficácia da Anvisa.

A L'Oréal, responsável pela venda do condicionador Initialiste, afirma que a fórmula do princípio ativo Complex Régénérateur teve eficiência comprovada em testes in vitro.

A representante da La Prairie no Brasil não respondeu aos questionamentos da reportagem.

João Hansen, presidente da Associação Brasileira de Cosmetologia, diz que todos os produtos comercializados são baseados em alguma tecnologia e em testes em pessoas ou in vitro.

Senadores defenderam, nesta quinta-feira (11), a derrubada dos vetos da presidente Dilma Rousseff ao projeto de regulamentação do exercício da medicina, conhecido como Ato Médico. Ao sancionar a Lei 12.842/2013, Dilma excluiu vários procedimentos que, pelo texto aprovado no Congresso (SCD 268/2002), se tornariam privativos dos médicos.

 

Na justificativa dos vetos, que se concentram nos artigos 4º e 5º da lei, Dilma se compromete a apresentar nova proposta que mantenha as conceituações técnicas adotadas no projeto, mas compatibilizando-as com as práticas do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos estabelecimentos privados.

 

Dilma vetou dispositivos que estabeleciam como atividades privativas do médico a formulação de diagnóstico de doenças e a respectiva prescrição terapêutica, além da indicação do uso de órteses e próteses (exceto as próteses temporárias) e a prescrição de órteses e próteses oftalmológicas.

 

A senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), uma das relatoras da matéria no Senado, lamentou os vetos presidenciais, que, segundo ela, “mutilam inteiramente o projeto”. Ela disse que o projeto foi acompanhado pelos ex-ministros da Saúde José Gomes Temporão e Humberto Costa, atual senador. A senadora frisou, porém, que não obteve resposta do atual titular da pasta, Alexandre Padilha, a quem procurou para saber se o projeto influiria no SUS.

 

- É lamentável que, depois de tanto trabalho, esforço e dedicação, acabe se deparando com uma situação como essa. Acredito que essa Casa precisa ser respeitada, porque o trabalho que se faz aqui é um trabalho sério - afirmou.

 

Também relator do projeto, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) observou que, se Dilma usou suas prerrogativas constitucionais para vetar artigos, o Congresso também usará suas prerrogativas para examinar os vetos. Segundo ele, o conjunto de vetos “descaracteriza por completo" a regulamentação da profissão dos médicos.

 

Os vetos ao Ato Médico já devem ser examinados de acordo com as regras definidas nesta quinta-feira pelo Congresso. A partir de agora, os vetos deverão ser votados no prazo de 30 dias, contados de sua publicação. Se isso não ocorrer, a pauta do Congresso ficará trancada.

Falta de diálogo

 

Para o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), também relator da matéria em comissão do Senado, faltou diálogo por parte do governo, que deveria apontar de antemão os pontos de que discordava.

 

- Foi desatenção e desconsideração com todos nós. Não o fato de vetar, mas a forma como foi vetado, depois de quase 11 anos de tramitação - afirmou.

 

Médicos por formação, os senadores Waldemir Moka (PMDB-MS) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) também criticaram os vetos presidenciais. Moka disse que ficou “indignado” com a decisão de Dilma. Segundo ele, as categorias profissionais “vão reagir". Mozarildo lembrou que houve consenso para aprovação do projeto no Senado.

 

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) considerou o veto “um erro grave do governo” e registrou que a aprovação do projeto resultou de acordo na Câmara e no Senado. Ele afirmou que o governo poderia ter conversado com o Congresso, que sempre esteve aberto para a discussão.

 

 

Para a senadora Ana Amélia (PP-RS), o veto representa um "flagrante desrespeito" a uma decisão soberana do Senado.

 

Já a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) disse que “não se deve ir contra a decisão de Dilma” diante da informação de que novo projeto deverá ser enviado ao Congresso. Vanessa também pediu que não se estimule o confronto entre os médicos e outras categorias da saúde.

 

Os vetos presidenciais foram saudados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), por meio de nota publicada no portal eletrônico da entidade. Já o Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou o veto como uma “traição” de Dilma.

 

 

Justificativa

 

 

Na justificativa dos vetos, Dilma explica que o texto original inviabilizaria a manutenção de ações preconizadas em protocolos e diretrizes estabelecidas no Sistema Único de Saúde (SUS). Ela também observa que os dispositivos impossibilitariam a atuação de outros profissionais que usualmente já prescrevem, confeccionam e acompanham o uso de órteses e próteses que, por suas especificidades, não requerem indicação médica.

 

Também foram vetados dispositivos que consideravam como procedimentos invasivos, restritos aos médicos, “a invasão da epiderme e derme com o uso de produtos químicos ou abrasivos, e a invasão da pele atingindo o tecido subcutâneo para injeção, sucção, punção, insuflação, drenagem, instilação ou enxertia, com ou sem o uso de agentes químicos ou físicos”.

 

Na justificativa, Dilma alega que os dispositivos caracterizam de maneira ampla e imprecisa o que seriam procedimentos invasivos, alguns dos quais já estão consagrados no SUS a partir de uma perspectiva multiprofissional.

 

Agência Senado

 

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

A Fundação Ezequiel Dias (FUNED) anunciou que o Concurso Edital Seplag/Funed 01/2013, publicado em 23 de junho, está suspenso por ordem judicial.

 

O concurso visa a contratação de pessoal para os cargos das carreiras de técnico de saúde e tecnologia e analista e pesquisador de saúde e tecnologia.

 

A notícia foi publicada no Diário Oficial de Minas Gerais no dia 09/07, terça-feira e explica que a suspensão se deve ao cumprimento do Agravo de Instrumento nº 1.0024.12132557-5/002.

Mais Artigos...