Em 1996, o Conselho Nacional de Saúde deu um passo à frente ao fixar diretrizes para a condução ética das pesquisas com seres humanos. No entanto, desde então, a comunidade científica tem manifestado sua preocupação com a burocracia e o viés ideológico e científico que pautam a agenda da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.

 

 

Em diversas ocasiões, buscou-se o diálogo franco. Sistematicamente, ouvia-se o mesmo discurso preparado tal qual serviço de atendimento ao consumidor sem que nada se resolvesse.

 

 

Após 15 anos de lutas, parecia haver uma luz no final do túnel com a publicação da consulta pública feita pelo Ministério da Saúde sobre o tema. A receptividade foi incomum. Foram quase 2.000 sugestões, que, em sua essência, buscavam simplificar o processo de aprovação das pesquisas clínicas sem, contudo, infringir conceitos éticos.

 

 

No entanto, o Conselho Nacional de Saúde descartou a maioria das sugestões e apresentou nova resolução, que acaba de ser publicada. No fundo, é mais do mesmo. Não muda o essencial.

 

 

Com essa atitude, houve nítido enfrentamento ao processo democrático que a consulta pública trouxera e um desrespeito a todos aqueles que se manifestaram.

 

 

A presidenta Dilma Rousseff defende ardentemente o Ciência sem Fronteiras e a inovação. Mas a atitude do Conselho Nacional de Saúde praticamente inviabiliza o desenvolvimento da pesquisa acadêmica e especialmente aquela voltada a novos medicamentos.

 

 

A indústria farmacêutica mundial investe mais de US$ 80 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, anualmente. O Brasil é a sexta economia e um dos dez maiores mercados farmacêuticos do mundo. Assim, justo seria imaginar que pudéssemos receber uma percentagem significativa daquele investimento e não míseros números inferiores a 1%.

 

 

A razão do disparate é a falta de uma agenda comum de interesses entre governo, indústria, pesquisadores e academia, a exemplo do que a Coreia do Sul fez brilhantemente. A área econômica do governo reclama do deficit na balança comercial referente a farmoquímicos. Se fôssemos pensar só pelo lado econômico, poderíamos zerar o deficit com a vinda de 10% do investimento em pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos.

 

A indústria nacional se ressente da burocracia que dificulta o processo de inovação e pesquisa de novos fármacos. Do ponto de vista humano, há de se lembrar que milhares de pacientes são prejudicados pela falta de pesquisas clínicas com novos medicamentos, que muitas vezes são sua última esperança.

 

 

Lamentavelmente, os mais pobres são as principais vítimas. Os demais podem buscar ajuda em outros países, como aconteceu com o ex-vice-presidente José Alencar, que se deslocou a Houston para participar de um estudo experimental para o tratamento do câncer. Aqui no Brasil, provavelmente um cidadão comum morreria antes das aprovações ética e regulatória, sem a menor chance de recorrer.

 

 

A insensibilidade do Conselho Nacional de Saúde faz com que as manifestações de dezenas de sociedades médicas e de pesquisa se tornem um grito no deserto sem eco. A dicotomia entre os programas federais de inovação e o posicionamento do Conselho Nacional de Saúde faz lembrar o presidente De Gaulle quando, diz a lenda, questionava se o Brasil não era um país sério.

 

 

JOÃO MASSUD FILHO, 64, médico e professor, é presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Farmacêutica

Curso de Fitoterapia

 

A Associação Brasileira de Fitoterapia (Abfit) oferece curso de capacitação no tema para farmacêuticos. As aulas são à distância e divididas em dois módulos: Introdução à Fitoterapia e Farmacologia e Clínica. O objetivo é capacitar os profissionais nos conhecimentos gerais e específicos sobre fitoterapia e principais fitoterápicos do mercado. O curso começa em agosto e dura 11 meses. A coordenação é de Alexandros S Botsaris, presidente da Abfit. As inscrições podem ser feitas pelo site: www.abfit.org.br/images/downloads/ficha-inscricao-cursos.pdf

 

 

Serviço

 

Curso de Fitoterapia

 

Inscrições: www.abfit.org.br/images/downloads/ficha-inscricao-cursos.pdf

 

Início: agosto 2013

 

Duração: 11 meses

 

Carga horária: 210hs

 

Mais informações: www.abfit.org.br/cursos-e-eventos

 

 

 

 

 

O Brasil tem o maior rebanho comercial de bovinos do mundo: 212,8 milhões de cabeças conforme levantamento de 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mesma pesquisa informa que no ano do estudo, o país contava com 39,3 milhões de suínos, 9,3 milhões de caprinos e 5,5 milhões de equinos. O número de galináceos chega a 1,266 bilhão. E o que dizer da quantidade de animais de estimação que cresce em ritmo vertiginoso dentro de casas e apartamentos? Estamos entre as nações com mais gatos e cachorros do mundo.

 

Segundo publicações especializadas em pets, o número de cães está na casa dos 35,7 milhões de cabeças e o de gatos algo próximo de 20 milhões de animais. Se a população humana brasileira acumula em casa 15 toneladas de medicamento a serem coletados a cada ano, o quanto de rejeitos farmacêuticos os proprietários de animais retêm no campo e nas cidades?

 

A pergunta desconcertante emerge da conversa com a farmacêutica do Grupo de Trabalho pelo Descarte Correto de Medicamentos do Rio Grande do Sul, Débora Melecchi, também presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do estado sulista.

 

Ela explica que a grande dificuldade de controle dos fármacos veterinários descartados está na diferença dos órgãos reguladores. Enquanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável pelos medicamentos humanos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) se encarrega das regras para os veterinários. Ou, seja, a legislação do Anvisa não é cumprida pela área veterinária.

 

Nessa história, o Rio Grande do Sul está saindo na frente e vai propor um encontro entre representantes da vigilância sanitária do RS e do MAPA. A reunião inédita será possibilitada pelo I Fórum sobre Descarte de Medicamentos Veterinários, a ser realizado no dia 23 de julho, no anfiteatro da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRRS).

 

“A partir dessa apresentação, esperamos poder levantar regramentos importantes para os animais serem bem atendidos e humanos não fazerem mau uso dos medicamentos veterinários”, pontua a farmacêutica. O Fórum é realizado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul em parceria com o Grupo de Trabalho pelo Descarte Correto de Medicamentos do Rio Grande do Sul.

Débora Melecchi / Arquivo pessoal

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