Conforme estimativas do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinfamig), neste ano, pelo menos 17 milhões de comprimidos de Clonazepam (ansiolítico) devem ser distribuídos  em postos de saúde de apenas 10 dos 34 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Isso sem falar nas vendas do Rivotril na rede privada medidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Entre 2006 e 2010, elas aumentaram 36%.


A pesquisa realizada pelo Sinfarmig no início do ano teve repercussão nacional e pôs em evidência a chamada medicalização da vida. O fenômeno se configura quando problemas sociais e até mesmo culturais levam ao consumo de medicamentos como forma de tratamento. “Uma pessoa desempregada que anda irritada, sem dormir, pode facilmente ser diagnosticada com ansiedade e medicada”, detalha o diretor do Sinfarmig Rilke Novato Públio.


“A pesquisa do Sindicato dos Farmacêuticos servirá de base para orientar nossas primeiras ações no Núcleo sobre Medicalização de Belo Horizonte e Região Metropolitana”, explica a conselheira do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG), Lourdes Machado. O CRP-MG é o idealizador do Núcleo de BH e RMBH por meio das comissões de saúde e de educação.


Conforme Lourdes, a medicalização da educação, denunciada por professores e comprovada pelo aumento do uso da Ritalina por crianças e jovens, também será assunto a ser tratado pelo Núcleo. O medicamento vem sendo prescrito com grande freqüência para o diagnóstico (alvo de polêmicas) do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).


A primeira reunião do Núcleo sobre Medicalização de Belo Horizonte e RMBH, deverá reunir psicólogos, nutricionistas, acupunturistas, assistentes sociais, nutrólogos e farmacêuticos amanhã, 05/09, na sede do Conselho Regional de Nutrição (CRN9), às 19h.


Para Rilke Públio, do Sinfarmig, a criação do Núcleo deverá desencadear várias iniciativas de caráter educativo e político. “Uma vez formalizado, o Núcleo poderá acionar professores para participar de debates com pessoal especializado para aprofundarmos o assunto”, diz.       


A criação do Núcleo de Belo Horizonte faz parte do movimento brasileiro contra a medicalização iniciada com a criação do Fórum (nacional) sobre Medicalização da Educação e da Sociedade em maio de 2011. Em Minas Gerais, há mais dois Núcleos em funcionamento, o de Uberlândia e o do Leste de Minas, com sede em Governador Valadares.    

30/08/2013 - 02h52 - Folha de S.Paulo

DÉBORA MISMETTI
EDITORA DE "CIÊNCIA+SAÚDE"

Uma pesquisa publicada hoje pelo "British Medical Journal" pode amargar o café da manhã de muita gente: o consumo diário de um ou mais copos de suco de fruta eleva em até 21% o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

A doença, que é considerada uma epidemia mundial, afeta 347 milhões de pessoas, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

O estudo, liderado por Isao Muraki, da Escola Médica de Harvard (EUA), analisou dados de mais de 187 mil homens e mulheres acompanhados por 24 anos para saber se o consumo de diferentes tipos de fruta poderia influenciar positiva ou negativamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Mais de 12 mil participantes (6,5%) receberam diagnóstico da doença durante o estudo. O diabetes tipo 2, diretamente relacionado à obesidade, é caracterizado pela resistência do corpo à ação da insulina, que controla os níveis de açúcar no sangue, ou pela produção insuficiente do hormônio.

Trabalhos anteriores já haviam tentado averiguar se o consumo de frutas poderia reduzir o risco de diabetes, mas, segundo os autores, não havia sido encontrada ligação forte entre uma coisa e outra.

Por isso eles decidiram analisar cada fruta separadamente. Mirtilo, uva e maçã, consumidos três vezes por semana, foram as frutas que mais diminuíram o risco de diabetes, em 26%, 12% e 7%, respectivamente.

Já o melão foi a única fruta cujo consumo esteve ligado a um aumento dos casos de diabetes. Os autores também notaram um aumento no risco de desenvolver a doença entre os que tomavam suco de fruta.

Segundo os cálculos do estudo, trocando os sucos por um consumo frequente de quaisquer frutas inteiras, o risco de diabetes cai 7%; a queda pode ser maior dependendo da escolha de cada um (de novo, uva e mirtilo deram os melhores resultados).

De acordo com Daniela Jobst, nutricionista funcional e membro do Instituto de Medicina Funcional dos EUA, a diferença de resultado entre as frutas tem a ver com seu índice glicêmico (potencial de cada uma de gerar "picos" na produção de insulina) mas, talvez principalmente, aos nutrientes que cada uma delas tem.

"O diabetes envolve um processo de estresse oxidativo, aumenta a quantidade de radicais livres. Frutas como mirtilo e uvas têm fitoquímicos antioxidantes."
O problema dos sucos é que, em relação à fruta inteira, eles têm muito menos fibras, o que eleva a velocidade da absorção do açúcar, gerando os picos que podem ser prejudiciais ao organismo.

Melhor eliminar o suco da dieta? "Não precisa. Dá para acrescentar fibras ao suco, para tornar a digestão mais lenta. Uma folha, como couve, ou grãos como linhaça e chia são boas opções."

No dia 02 de setembro, a partir das 16h, o diretor do Sinfarmig, Rilke Novato Públio, falará sobre Prescrição Farmacêutica na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A participação será durante o primeiro dia do Simpósio Acadêmico de Estudos Farmacêuticos que vai até o dia 06 de setembro. O tema do evento é “A prática na educação – essencial ao farmacêutico”.

A Faculdade de Farmácia da UFMG está localizada no Campus Pampulha - Avenida Antônio Carlos, 6627. 

Nos dias 03 e 05 de setembro, a diretora Junia Dark Vieira Lelis ministra palestra sobre Atribuições do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais para estudantes de graduação em Farmácia da Nova Faculdade, de Contagem. Segundo a diretora, a ação, já tradicional por parte do Sinfarmig junto aos estudantes, tem a finalidade de aproximar mais a instituição dos futuros profissionais.      

Na palestra, Júnia deverá falar sobre os serviços e competências do SINFARMIG, como representar a categoria farmacêutica, celebrar as convenções coletivas de trabalho, homologar rescisão de contrato de trabalho, conferência de documentos, além de orientar e direcionar os profissionais sobre o mercado de trabalho.

“Essa é uma oportunidade de falar aos futuros farmacêuticos sobre a importância do sindicato na luta pela valorização profissional e pelo trabalho decente, garantindo avanço aos direitos trabalhistas e defesa da profissão farmacêutica”, explica.

A diretora fará também breve histórico da atuação do SINFARMIG ao longo de seus 32 anos, as regionais distribuídas pelo interior do Estado e sobre o trabalho voluntário dos diretores. “As responsabilidades do profissional são crescentes e não podemos nos intimidar diante das dificuldades e cobranças do atual mercado”, destaca Júnia.

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