Com uma grande ciranda, militantes do Movimento Saúde+10 compareceram ao ato de lançamento da "Campanha Nacional em Defesa do SUS Publico de Qualidade e para Todos", em Brasília, na manhã de quarta-feira (30), em frente ao Congresso Nacional. Lançada pelo Conselho Nacional de Saúde, a campanha tem como objetivo comemorar os 25 anos do Sistema Único de Saúde (SUS) e pensar os próximos 25 anos.
“Fizemos uma ciranda com todos os movimentos que lutam em defesa da saúde para simbolizar nossa união em torno da aprovação do PLP 321/13. Foi importante para reforçar a mobilização em torno do projeto de lei que é resultado de uma iniciativa popular que colheu 2,2 milhões de assinaturas de brasileiros que querem um Sistema Único de Saúde público e de qualidade. E para isso não há outra forma: tem que ter mais recursos”, declarou Ronald Ferreira dos Santos, Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), também coordenador do Movimento Saúde+10, presente no ato.
O objetivo da atividade foi pressionar os parlamentares a aprovarem projetos que ampliem os recursos para o financiamento do SUS. Com faixas, carro de som e muito entusiasmo, os manifestantes defenderam principalmente a destinação de 10% da receita bruta da União para o setor, conforme previsto no PLP 321/13.
Durante à tarde de quarta, as entidades lançaram, no Ministério da Saúde, uma campanha para incentivar a ampliação da participação popular no controle social do SUS. A iniciativa visa ser um processo de acumulação de forças até a 15ª Conferência Nacional de Saúde, marcada para 2015, em Brasília.
A aprovação do PLP trará ao setor um adicional de R$ 46 bilhões para o setor já em 2014. Em cinco anos, a proposta popular prevê um acréscimo de R$ 257,1 bilhões na saúde pública. Representantes de diversas entidades do setor cobram urgência na aprovação do projeto. A proposta é uma iniciativa do Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública, o Saúde+10, e recebeu a assinatura de 2,2 milhões de eleitores.
Na Câmara, o Projeto de Lei de Iniciativa Popular está em tramitação como Projeto de Lei Complementar (PLP) 321/2013. Já foi aprovado na Comissão de Legislação Participativa atualmente encontra-se apensado ao outros projetos na Comissão de Seguridade Social e Família, tendo como relator o deputado Nazareno Fonteles, que apresentou seu relatório na quarta (30/10), apontando com referencia a RCL e a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) com alíquota de 0,1%. Sua proposta prevê o escalonamento da participação da União no financiamento da saúde começando no primeiro ano com 16% das RCL, 17% no segundo ano, 18% no terceiro ano e 19% das RCL a partir do quarto ano, deputados da Comissão solicitaram vistas coletiva ao relatório, que será apreciado nos próximos dias.
O PLP, que também é analisado na Comissão Especial da Casa criada para analisar o financiamento para a Saúde, o deputado Rogério Carvalho (PT-SE), relator, definiu que fará mudanças no parecer já apresentado à comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a proposta. A votação acabou adiada para a quarta-feira (6/11).
Durante os debates desta quarta, vários deputados manifestaram-se a favor do voto em separado apresentado pelo deputado Geraldo Resende (PMDB-MS).
Ao contrário do texto de Rogério Carvalho, o voto em separado de Resende não prevê a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS), um novo imposto sobre todas as transações financeiras acima de R$ 4 mil. A arrecadação seria no percentual de 0,2% por transação, de forma parecida com a antiga Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), extinta em 2007.
A proposta do deputado peemedebista prevê, ainda, uma nova forma de escalonamento para o financiamento da saúde: o governo federal destinaria 15% da receita corrente líquida da União para o setor em 2014, até chegar a 18,7% em 2018, com revisão prevista para 2019. Os 18,7% equivalem aos 10% da receita bruta para o setor, conforme prevê o projeto de lei de iniciativa popular apresentado pelo Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública Saúde+10.
Por conta da decisão, de muitos deputados, de declarar voto em separado, o relator solicitou novo prazo para modificar seu parecer. No entanto, não vai retirar do texto a criação da CSS.
“Colocar a CSS junto com a definição da participação da união no financiamento da Saúde significa inviabilizar o tramite do projeto de iniciativa popular. Apesar do Conselho Nacional de Saúde defender o projeto que tramita na câmara de taxação das grandes fortunas, ao coletarmos as assinaturas focamos apenas na contribuição da união com a saúde, foi esse foco que permitiu a unidade de amplos setores em torno da proposta. A ideia é discutir novas fontes separadamente, o que para nós da Saúde nos parece a melhor solução.” observou Ronald.
Segundo o relator, a proposta é uma contribuição que, de cada R$ 100 mil movimentados, R$ 380 sejam gerados de contribuição e que a mesma não incida para o trabalhador que receber até o teto da Previdência, que discrimina quem pode pagar de quem não pode pagar.
"Não concordávamos com a recriação da chamada Contribuição Social sobre a Saúde, ou seja, uma nova CPMF. Por isso, apontamos que é, sim, possível construir um novo financiamento da saúde pública baseado na proposta que vem do movimento social, entendendo que ela não pode ser um incremento abrupto, mas que pode ser construído, paulatinamente, um crescimento escalonado", explicou o relator Geraldo Resende. Ainda em defesa da criação da CSS, o relator declarou que, sem a criação de alguma contribuição especifica para financiar a saúde, haverá um "apagão" no setor.
Senado
O Senado aprecia outro projeto sobre ampliação do financiamento do setor, o que institui o Orçamento Impositivo, que prevê que 50% das emendas de deputados e senadores devam ser destinadas à saúde.
Na quarta (30/10), o presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acolheu a questão de ordem apresentada pelos senadores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e Pedro Taques (PDT-MT) que solicitaram o adiamento da votação da PEC do Orçamento Impositivo (PEC 22A/2000), sob o argumento de que o parecer do senador Eduardo Braga sobre as nove emendas apresentadas à matéria em Plenário, aprovado nesta quarta na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), não foi publicado no Diário do Senado Federal. A proposta será apreciada, em primeiro turno, na terça-feira (5/11).
“No Senado trata-se de uma Proposta de Emenda a Constituição junto com uma proposta do Orçamento Impositivo, fixando apenas os percentuais. É uma proposta do Executivo e que já recebeu diversas emendas. Mas, tem os mesmos percentuais da proposta do Rogério Carvalho”, esclareceu o coordenador do Saúde+10.
Para os movimentos sociais que defendem o fortalecimento do sistema público de saúde, este é o momento das entidades e organizações pressionarem.
“Tem que ter pressão por todos os lados e insistir na proposta popular assinada por mais de dois milhões de brasileiros”, reforçou Ronald.
Da redação
Publicada em 31/10/2013
31/10: AUDIÊNCIA NA CÂMARA APONTA DEFICIÊNCIAS NA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA PÚBLICA EM BH
Audiência pública realizada na terça-feira, 29, na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, discutiu a distribuição de medicamentos e a assistência farmacêutica no município. O Sinfarmig esteve representado pelos diretores (foto) Júnia Lelis, Ricardo Ribeiro. O diretor Sebastião Fortunato de Faria teve assento à mesa representando o Conselho Municipal de Saúde de BH.
Durante o evento, o secretário adjunto de saúde da capital, Fabiano Pimenta, admitiu que há problemas com o abastecimento de medicamentos na rede municipal. “Temos como avançar. Manter a rede abastecida é desafio cotidiano que às vezes foge à governabilidade da Secretaria Municipal de Saúde”, disse, insistindo que o desabastecimento, quando ocorre, é pontual.
O gestor foi questionado pelo representante dos usuários das nove regionais de saúde de BH no Conselho Municipal de Saúde, Ivan Martins. “Recebo reclamações diárias dos usuários e posso garantir que pelo menos 30% dos medicamentos da lista disponibilizada pela prefeitura faltam”, assegurou. Ele pediu à equipe de gestores presentes da prefeitura que sejam mais transparentes e divulguem a lista dos medicamentos em falta. “Tenho certeza que podemos lutar juntos para mudar essa situação”, ressaltou.
Mais farmacêuticos e mais autonomia
A farmacêutica Regina Lemos Silva, responsável pela Gerência de Assistência Terapêutica (Gemed) da PBH avaliou que o município tem problemas sérios para distribuir os medicamentos. Ela afirmou que o número de veículos é insuficiente para atender todas as unidades de saúde. A compra dos medicamentos seria outro gargalo criado pelas indústrias farmacêuticas que, conforme a gerente, “têm uma visão diferente quando se trata de vender para o serviço municipal de saúde”. Ela frisou que a assistência farmacêutica (pelo município) deve ser vista para além da compra e distribuição, incluindo a orientação para o uso correto dos medicamentos distribuídos. Regina ainda destacou que o termo assistência farmacêutica é relativamente novo para a sociedade.
Interpelada pelos vereadores sobre o desperdício de medicamentos, a gerente de assistência da PBH, Maria Luisa Tostes, concordou que ele acontece, especialmente pela dificuldade que pacientes com doenças crônicas têm de usar os medicamentos de forma contínua.
O secretário adjunto de saúde reforçou que, em 2014, haverá contratação de mais farmacêuticos de modo que cada centro de saúde seja atendido por um profissional. Atualmente Belo Horizonte possui 147 unidades de saúde que recebem 135 receitas médicas diárias com prescrição de medicamentos. Para o presidente da comissão de saúde da Câmara de Vereadores, Dr Nilton (PROS), um farmacêutico por unidade seria um número ainda é pequeno. “Como é que é possível para um profissional fazer assistência farmacêutica com 135 receitas por dia?”, questionou.
O diretor do Sinfarmig, Sebastião Fortunato (na foto abaixo ao microfone), argumentou que é necessário que o farmacêutico tenha mais autonomia dentro das escalas de trabalho nas equipes de saúde. “É preocupante. Em BH, o farmacêutico transita na farmácia, na enfermagem e fica sujeito à escala de trabalho”, explicou, destacando que faltam profissionais concursados, com perfil adequado para levar adiante a assistência farmacêutica. “A prefeitura tem que pensar no perfil profissional que permita ao farmacêutico outras ações”, disse, enfatizando a importância que o farmacêutico tem dentro das equipes dos centros de saúde”.

30/10: PRODUTOS SÃO SUSPENSOS E EMPRESAS INTERDITADAS POR AGÊNCIA REGULADORA
A Anvisa determinou, na última segunda-feira (28/10), a suspensão da importação, comercialização, distribuição, uso e divulgação, em qualquer tipo de mídia, dos produtos Sistema de Terapia VAC Via Negative Pressure Wound System e VAC Instill Therapy Unit, fabricados e distribuídos pela empresa Efe Consultoria e Importação. A empresa não possui registro ou notificação perante esta Agência.
Também foi suspensa a fabricação, comercialização, distribuição e uso, bem como a proibição da divulgação de todos os produtos fabricados pela empresa Pomada Síria Cosméticos. A empresa também não possui registro ou notificação na Anvisa.
Já a empresa Digiex Tecnologia Digital também foi suspensa de fabricar, comercializar, distribuir e divulgar seus produtos. A medida ocorreu após a constatação da comercialização de produtos sem o devido registro ou cadastro.
Os produtos fabricados pela empresa Prolimpel Produtos de Limpeza também estão suspensos. A empresa citada não possui autorização de funcionamento (AFE) e comercializava, irregularmente, produtos sem registro ou cadastro.
Recolhimento voluntário
A Anvisa também deu publicidade ao recolhimento voluntário dos lotes 09B024, 09B078, 09D085, 09E052, 09H070, 09D026, 09N027, 09N028 e 09N029 do produto Infusores Baxter (sistema de infusão portátil em elastômero), modelos 2C1071KJP (Infusor 1 Dia), 2C1075KJP (Infusor 2 Dias) e J2C1075J. Os produtos apresentaram vazamento entre tampa e Leur e foram fabricados e distribuídos, respectivamente, pelas empresas Baxter Healthcare Corporation e Baxter Hospitalar Ltda.
Interdições cautelares
A Anvisa interditou cautelarmente, em todo o país, o lote 13E87A do medicamento Cloridrato de Propanolol 40mg, genérico, fabricado pela empresa Prati Donaduzzi & Cia e com validade até 04/2014. O lote em questão apresentou resultados insatisfatórios nos ensaios de doseamento e uniformidade de conteúdo.
Também foi determinada a interdição cautelar do lote UICA 06 do produto Açúcar Cristal Peneirado, marca Guarani, fabricado pela empresa Açúcar Guarani SA e com validade até 24/01/2014. A medida é em virtude dos resultados insatisfatórios quanto aos ensaios de características sensoriais e pesquisa de sujidades pesadas ferromagnéticas.
Interdições cautelares vigoram pelo prazo de 90 dias a partir da data de publicação no Diário Oficial da União. Clique aqui para visualizar todas as suspensões, recolhimentos e interdições publicadas na segunda-feira (28).
NOTÍCIA PUBLICADA NO SITE DA ANVISA EM 29/10
30/10: ANVISA ABRE CHAMADA PÚBLICA SOBRE GENÉRICOS E SIMILARES
A Anvisa abriu, nesta terça-feira (29), um chamamento público que coletará opiniões, dados e informações sobre o item nº46 da Agenda Regulatório do Biênio 2013/2014.
O item nº46 trata dos critérios para prescrição e dispensação de medicamentos genéricos e similares. A iniciativa visa promover uma discussão sobre a necessidade de revisão das regras da proposta.
A discussão servirá como subsídio para uma futura Análise de Impacto Regulatório (AIR). A AIR é uma ferramenta utilizada para auxiliar a definição de problemas e contribuir para que a ação seja mais eficiente, oferecendo aos tomadores de decisão elementos para que possam avaliar as opções e alcançar os objetivos pretendidos.
Contribuições
Para enviar contribuições, basta acessar o formulário eletrônico, que estará disponível até o dia 26 de novembro de 2013. Os resultados estatísticos das participações estão acessíveis no formulário, por meio do menu Resultado (canto superior direito do formulário).
Para maiores informações, acesse o Edital de Chamamento n. 4/2013
Publicada no site da Anvisa em 29/10/2013