Mobilização dos farmacêuticos derruba MP 653/14 e confirma os avanços conquistados neste ano pela categoria
 

 

Neste final de 2014, a categoria farmacêutica comprovou que está mais forte porque soube reafirmar sua importância perante a sociedade. Em meados do ano, democraticamente apresentou seu avançado projeto de transformar a farmácia em estabelecimento de saúde que foi apreciado e aprovado pelo Congresso em seus pontos mais decisivos.

 

 
De forma madura e democrática, os farmacêuticos também souberam enfrentar o jogo dos interesses da Medida Provisória 653/14 que tentava solapar os avanços conseguidos com a Lei 13021/14. Assim, nas duas últimas semanas, mobilizaram-se em todo o País e conseguiram que a, a partir de 08/12, a MP que estabelecia o atraso para a assistência farmacêutica perca a validade por falta de votação.

 

 
Destaque-se que a justa vitória dos farmacêuticos mineiros e brasileiros se sustenta no amadurecimento da sociedade que não quer perder direitos conseguidos dura e lentamente. Lembremos que a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF) completa 10 anos neste ano e busca sua consolidação com importantes benefícios para a população.
 

 

Equilíbrio no jogo de forças
 
O jogo de forças que favoreceu a categoria farmacêutica ficou explícito na falta de acordo que inviabilizou a votação e fez da MP 653/14 letra morta. Aprová-la nos moldes do relatório final, tirando os farmacêuticos das farmácias, seria agredir a sociedade brasileira de maneira insolente. Por isso prevaleceu o equilíbrio no jogo de forças, democraticamente, como deve ser.  

 
Neste 04 de dezembro, a hora é de comemorar os avanços para a assistência farmacêutica no Brasil e o fortalecimento merecido e buscado pelos farmacêuticos enquanto profissionais da saúde.

 
Os avanços da Lei 13021/14 agora são para valer e deverão ser aplicados na íntegra em todas as farmácias e drogarias do país, independente do porte e localização. Vale registrar alguns pontos de grande importância conquistados pelos farmacêuticos.
 

 

A nova lei torna obrigatória a presença de um farmacêutico em farmácias e drogarias durante todo o expediente e também:
 
Indica o profissional a orientar o paciente sobre os benefícios, riscos, utilização e conservação do medicamento;
 
Autoriza as farmácias a disporem de vacinas e soros para atendimento imediato;
 
Faz com que o proprietário da farmácia não possa desconsiderar orientações técnicas do farmacêutico;
 
Obriga o farmacêutico a notificar os profissionais de saúde, laboratório industrial e órgãos sanitários em caso de efeitos colaterais provocados por medicamentos;
 
E, por último, a Lei mantém inalterada a competência dos Conselhos Regionais como fiscais dos estabelecimentos farmacêuticos.  

 

A Lei 13021/14 também alterou a classificação dos estabelecimentos, confira:
 

Drogarias – Estabelecimentos de dispensação e comércio de drogas, medicamentos e insumos farmacêuticos e correlatos em suas embalagens originais.
 

Farmácias de manipulação – Além das atribuições das drogarias, têm competência privativa para o atendimento de unidades de saúde.
 

 

Mobilizados

A diretoria do Sinfarmig, que esteve o tempo todo envolvida nas mobilizações, discussões e alinhada ao Fórum Nacional de Luta pela Valorização Profissional, parabeniza todos os farmacêuticos que lutaram  contra a MP 653/14. Fortalecidos por essa vitória, vamos continuar mobilizados para assegurar novos avanços.   
 

 

Leia, na íntegra, a nota do Fórum Nacional de Luta pela Valorização Profissional constituído por: Conselho Federal de Farmácia/Comissão Parlamentar (CFF), Federação Nacional de Farmacêuticos (Fenafar), Federação Interestadual de Farmacêuticos (Feifar), Associação Brasileira de Educação Farmacêutica (Abef) e Executiva Nacional de Estudantes de Farmácia (Enefar)

 

 
UFA! CONSEGUIMOS, COLEGAS. A MP 653/14 CADUCOU
"Parabenizamos a vocês, colegas farmacêuticos de todo o Brasil, pela forma positiva como responderam ao chamamento do Fórum Nacional de Luta Pela Valorização da Profissão Farmacêutica de engajamento na luta contra a MP 635/14".
 

 

O ano de 2014 foi marcado por duas notícias antagônicas e definidoras para a profissão farmacêutica. A primeira foi a aprovação pelo Senado da Lei nº 13.021, sancionada, em agosto. A segunda, a edição da Medida Provisória (MP) nº 653. Considerada avançada pelo seu grande alcance sanitário e social, a Lei muda o conceito de farmácia no Brasil, transformando-a em unidade de prestação de assistência farmacêutica, assistência à saúde e orientação sanitária individual e coletiva, e assegura a atuação do farmacêutico nos estabelecimentos. Já a MP praticamente inviabilizaria a aplicabilidade da Lei, não fosse, entre outros fatores, a ação coordenada e decisiva empreendida pelo Fórum Nacional de Luta Pela Valorização da Profissão Farmacêutica, o que resultou no desfecho da MP: a sua não votação por decurso de prazo. Ou seja, a Medida Provisória caducou.
 

 

Constituído pelo Conselho Federal de Farmácia/Comissão Parlamentar (CFF), Federação Nacional de Farmacêuticos (Fenafar), Federação Interestadual de Farmacêuticos (Feifar), Associação Brasileira de Educação Farmacêutica (Abef) e Executiva Nacional de Estudantes de Farmácia (Enefar), o Fórum, criado em 2014, é a instância mais representativa de nossa profissão e foi criada, com vistas a fortalecê-la e a reiterar a autoridade técnica do farmacêutico. O Fórum é, por assim dizer, a tradução da alma farmacêutica e o bastião da profissão em suas lutas.
 

 

A sua criação, pautada na união das representações farmacêuticas, foi fundamental para o destino que teve a MP nº 653/14: a perda de sua validade por decurso de prazo. É que a Comissão Mista que apreciaria e votaria o Parecer da PM teve, até hoje (03.12.14), o prazo para votar o texto do Relator, o que não aconteceu. Sendo assim, a matéria deixa de tramitar, ou seja, deixa de ir aos Plenários das duas Casas Legislativas por decurso de prazo.
 

 

O mérito do Fórum foi trazer para o centro dos debates a grandeza da Lei nº 13.021 e a possível derrocada da saúde pública, caso a MP fosse aprovada na forma como se encontrava. Ou seja, mantendo o famigerado artigo 3º da Medida Provisória, que desobrigava as pequenas farmácias e drogarias a manterem o farmacêutico como seu responsável técnico.
 

 

E mais: o Fórum não baixou as suas bandeiras, durante todo esse período. Usou de estratégias bem-sucedidas para sensibilizar (e pressionar) os Deputados e Senadores e para atingir a sociedade. Foi uma luta árdua, ininterrupta. Dias de reuniões que vararam o dia e entraram pela noite, mobilizações junto aos profissionais e acadêmicos de Farmácia, passeatas pelas ruas das cidades, discussões acaloradas, discursos nas mais diferentes tribunas, lutas renhidas.
 

 

Tudo foi feito, de forma coordenada e sob a égide da união, com vistas à derrota do Parecer da MP ou ao adiamento de sua votação. CONSEGUIMOS! Ainda que outras vozes divergentes do Fórum tentassem construir uma luta divergente, paralela à nossa e pautada na radicalização, a MP caducou.
 

 

Ressaltamos que esta vitória não deve significar a interrupção da luta. Todos os nossos esforços, agora, serão no sentido de viabilizar um amplo debate político à luz da proposta histórica de farmácia como unidade de saúde e de levar à aplicabilidade da Lei nº 13.021/14.
 

 

O Brasil conta, já neste mês dezembro de 2014, com 200 mil farmacêuticos. Este exército do bem quer transformar para melhor a saúde deste País, por meio dos seus cuidados profissionais. Todo este processo de mudança passa pela verdade inquestionável de que a farmácia é uma unidade de saúde e deve estar sob a responsabilidade exclusiva do farmacêutico. E esta verdade está sacramentada na Lei nº 13.021, que queremos ver implementada.
 

 

De tudo o que arrebanhamos para nos nutrirmos nesta luta tão dura, salientamos a fé e o sonho. A fé nos manteve de pé, e o sonho fez-nos concentrar no que é verdadeiramente nosso – de nossa profissão farmacêutica.
 

 

E, aqui, lembramos o poeta Fernando Pessoa, que disse: “Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso”.
 

 

Então, colegas farmacêuticos, sigamos unidos e sonhando este mesmo sonho: o da profissão farmacêutica forte cujos serviços possam ser acessados universal e irrestritamente pela população brasileira.
 

FÓRUM NACIONAL DE LUTA PELA VALORIZAÇÃO DA PROFISSÃO FARMACÊUTICA

 

 

Os farmacêuticos deram seu recado à população belo-horizontina no início da tarde desta quarta-feira (03), na Praça Sete, em Belo Horizonte. Os profissionais portaram faixas e cartazes contra a aprovação da Medida Provisória que tem previsão de votação nesta semana no Congresso Nacional. O movimento dos farmacêuticos transcorreu juntamente com a manifestação da CUT-MG contra o uso abusivo de agrotóxicos na agricultura brasileira. Hoje, em todo o mundo é comemorado o Dia do Não Contra o Agrotóxico.  

 

O diretor do Sinfarmig Rilke Novato Públio ocupou o microfone para dizer à população que a luta dos farmacêuticos vai além de defender a categoria. “Estamos também defendendo a saúde pública ao exigir que o profissional farmacêutico permaneça nas farmácias orientando o uso racional dos medicamentos”, disse o diretor.

 

A resposta da população não tardou a chegar por meio da professora aposentada Lourdes Oliveira. Ela pediu a palavra e discursou em favor dos farmacêuticos: “Quando vou ao médico ele me fala: _ dona Lourdes, não tenho tempo suficiente para atender a senhora. Então eu saio do consultório com dúvidas sobre o remédio que vou tomar. É o farmacêutico que tira as minhas dúvidas sobre o medicamento que o médico não teve tempo de tirar. Por isso ele não pode sair da farmácia”, alertou.

 

A professora de Farmacologia da Nova Faculdade, Fabiana de Almeida, teme pelo futuro da profissão se a MP for aprovada. “Meus alunos estão ficando desmotivados”, contou.     

 

A farmacêutica Fabiana Correa Borges, da Maternidade Odete Valadares, disse que se a MP for aprovada será um atraso para a profissão e para o país. “Se com os avanços que conseguimos até hoje, ainda não é fácil para o próprio farmacêutico fazer assistência farmacêutica no Brasil, imagina essa dificuldade para um técnico (que poderá ocupar o lugar do farmacêutico, segundo a MP 653/14)”.

 

Proprietária de estabelecimento farmacêutico e também farmacêutica, Tamara Silveira protestava: “se a alegação da dispensa do farmacêutico é usada pela Medida Provisória com o pretexto de apoiar as micro e pequenas empresas, por que não dar esse apoio de outra forma, por exemplo reduzindo impostos das empresas e a tributação sobre os medicamentos”?

 

O advogado Otamir Saccheto, que parou para falar com os farmacêuticos, analisou: “é um absurdo falarem em tirar o farmacêutico da farmácia. É preferível que ele esteja lá para nos orientar”, declarou.

 

Portaria do Ministério da Saúde publicada hoje (3) no Diário Oficial da União libera R$ 11,3 milhões em incentivos financeiros para a organização e o fortalecimento de ações de vigilância sanitária.

 

Serão beneficiados municípios com menos de 50 mil habitantes que tenham respondido ao levantamento Perfil da Vigilância Sanitária Municipal no Brasil e que se enquadrem em critérios como ter lei municipal de criação de vigilância sanitária; não dispor de veículos, computadores e outros equipamentos em quantidade adequada; e encontrar-se regular no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde.

 

O texto prevê que caberá aos estados empreender ações de planejamento, acompanhamento e apoio aos municípios, na organização e no fortalecimento das ações de vigilância sanitária. Os recursos serão transferidos do Fundo Nacional de Saúde para os fundos estaduais e municipais, em parcela única.

 

Fonte: Agência Brasil  - Paula Laboissière

Ato integra campanha permanente da CUT contra uso de agrotóxicos, usados abusivamenteem nome dos lucros do setor

 

São Paulo – Há 30 anos, o vazamento de um gás tóxico usado na elaboração de um praguicida da Corporácion Union Carbide, na Índia, matou 30 mil pessoas, muitas delas crianças. Como forma de protestar e alertar para os riscos dos venenos ao meio ambiente, a Pesticide Action Network (PAN) estabeleceu o dia 3 dezembro como o Dia do Não Uso dos Agrotóxicos.

 

Manifestações dos movimentos sindical e sociais acontecerão em todo o país e, em São Paulo, a CUT promoverá um diálogo com a população por meio de uma rádio itinerante nesta quarta-feira (3), a partir das 11h, na Praça do Patriarca, região central da capital paulista.

 

A mobilização ainda discutirá a necessidade de os movimentos estarem nas ruas para pressionar o governo federal a adotar políticas progressistas para o campo, contra o forte viés conservador que se apresenta e pressionam em defesa dos interesses do agronegócio.

 

Nas últimas eleições, os parlamentares da bancada ruralista aumentaram em 33% a participação no Congresso e elevaram de 205 para 273 o número de deputados e senadores no Congresso, o equivalente a 46% da Casa.

 

A mobilizações dos movimentos sindical e sociais serão fundamentais para enfrentar a bancada ruralista que luta pela aprovação de leis que facilitem o uso de agrotóxicos.

 

Vale lembrar que o Brasil tem 1% dos proprietários de terra donos de 44% das áreas agricultáveis. Isso se manifesta no modelo de produção e no impacto que essa produção terá sobre a saúde dos brasileiros, visto que soja, cana, milho e algodão, principais produtos do agronegócio, respondem juntos por 78,5% do uso de agrotóxicos no país.

 

Fonte: CUT Nacional

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