Por Eliane Trindade – repórter da Folha de S.Paulo – 13/01


A questão acima é colocada por Alexandra Baldeh Loras, 37, francesa de origem muçulmana e judaica, que vive no Brasil há dois anos como consulesa do país em São Paulo.


Como todos os cidadãos franceses, ela procura respostas para os atentados terroristas em Paris em meio ao luto. Formada em ciências políticas e estudiosa do fenômeno da integração, ela assina um blog sobre minorias.


Fez sua tese de mestrado na prestigiosa SciencePo (L'École Livre de Sciences Politiques, onde se forma a elite política) sobre os negros na televisão francesa, onde foi apresentadora por sete anos.


Alexandra afirma que "a França ainda precisa se assumir como nação multicultural e multirracial" para evitar que alguns de seus filhos de ascendência árabe e africana não sejam "adotados pelo terrorismo".


A seguir, trechos da entrevista concedida dois dias depois do ataque que matou 12 jornalistas do "Charlie Hebdo" e na tarde do sequestro que acabou na morte de quatro reféns.


UM NOME FAMILIAR
Quando vi nos telejornais que o sequestrador do supermercado kosher em Paris se chamava Coulibaly, fiquei rezando para que não fosse um dos meus primos. É um sobrenome comum na África. O terrorista que matou quatro reféns não era meu parente, mas é como se fosse. É negro e francês como eu. O que aconteceu na vida dele para que se tornasse tão violento?


As mortes na redação do "Charlie Hebdo" e no supermercado são atos detestáveis do terrorismo. Antes de falar de liberdades, o respeito pela vida humana me leva a condenar os ataques categoricamente como um ato bárbaro inaceitável. Estou de luto pelas famílias das vítimas.


Ouvi e li nas redes sociais muitas reações violentas: "esses animais, selvagens, negro sujo, árabes imundos...". A lista de insultos é longa, mas gostaria de convidar a todos a se perguntarem o que levou esses franceses a cometer tais crimes hediondos. Os terroristas passaram alguns meses no Iêmen sendo treinados e várias décadas na França. Então, a base da identidade deles é francesa.

 

Apesar do nosso lema "liberdade, igualdade e fraternidade", fomos de geração em geração condicionados a pensar que o racismo e o sexismo são naturais. Uma hierarquia construída durante séculos declarou que os homens são superiores às mulheres, que só tiveram direito de voto em 1944, e que os brancos eram superiores a árabes e negros.


Foi uma dor imensa crescer na França como negra. Sou de origem muçulmana, já que meu pai é da Gâmbia, um país da África Ocidental. Nasci em Paris, de mãe francesa, branca e católica.


O que me machucava quando criança é que sempre me perguntavam de onde vinha. Até os meus 21 anos, eu não conhecia Gâmbia. Fui criada na França. Meu avô era comunista, foi secretário-geral do partido anarquista, mas era super racista.


O "Charlie Hebdo" é um jornal de esquerda, que sempre publicou charges que podem ser interpretadas como xenófobas, racistas e antissemitas. Defendem um Estado laico, o que não quer dizer ateísta. Ser laico, na verdade, é respeitar todas as religiões. Que liberdade de expressão estamos defendendo? Pode-se faltar com respeito a profetas reverenciados por uma comunidade que não tem poder nos meios de comunicação para se expressar?

JE SUIS CHARLIE
É muito fácil dizer 'Eu Sou Charlie'. Eu gostaria que todos fossem Charlie também quando jogaram o coquetel molotov na Redação anos atrás. Quando eles desenhavam Maomé de quatro. Quando Phillipe Val [ex-editor] foi vítima de violência da extrema direita. Quando o Charb [Stéphane Charbonnier, diretor da publicação morto no ataque] precisou de escolta policial por oito anos. Não é ser Charlie só hoje, quando houve a morte deles.


Eu me emociono ao ver a caminhada de quase 4 milhões de pessoas em Paris. É bom ver a França tão unida. Acho muito triste que tenham morrido personalidades conhecidas. Mas me entristece também a explosão de um carro bomba que matou 37 pessoas no Iêmen, em um atentado do mesmo grupo da Al-Qaeda, quatro dias antes do de Paris. Por que ninguém falou mais disso? As vidas do Charb e do Wolinski valem mais?


Após os ataques, tenho escutado: "Temos que matar esses terroristas". Vamos matar como eles mataram? É essa a solução? Sou contra a pena de morte. Gostaria de conhecer as reivindicações deles. Por que se tornaram loucos assim? Por que caíram no extremismo?


Para eles, talvez, nós é que sejamos terroristas. Quantas atrocidades foram cometidas nas ex-colônias? Pegaram argelinos, marroquinos, senegaleses para lutar pela França e defendê-la para ser um país livre. Aprendi na escola que eram voluntários. Hoje, documentários mostram que não tiveram escolha, as famílias eram ameaçadas. Há um lado da história da França muito obscuro, que ela não quer assumir.


A pátria mãe francesa parece ter esquecido os 400 anos de escravidão e 300 de colonização. A França ainda não se desculpou pela dores imensas que causou na África. Precisa se aceitar como sociedade multicultural e multirracial. E hoje ela não quer assumir esses filhos. Eu me coloco entre eles. Nos sentimos rejeitados. E me refiro aos africanos, aos árabes, aos asiáticos e aos judeus também. A todas as minorias.


PAI TERRORISMO
E quando um filho não tem pai, ele pode ter outro que o acolhe e lhe dá importância. O "pai terrorismo" pegou alguns desses filhos e deu a eles o senso de pertencimento a um grupo, lhes deu espaço, comida e dinheiro. Precisamos tentar resgatá-los.


Falam: "Ah, eles não se integraram". Eles têm que adivinhar como se integrar? A riqueza da cultura deles não tem que desaparecer. É a riqueza da França.


O prato preferido do francês hoje é o cuscuz. Entre os artistas mais amados estão Omar Sy —ator de origem senegalesa que ganhou o César [o Oscar francês], pelo filme "Os Intocáveis" (2011)— e Jamel Debbouze, ator e comediante de origem marroquina [de "Astérix e Obélix - Missão Cleópatra"].


É preciso ter coragem de pesquisar sobre esses jovens que vão para a Al-Qaeda. Saber o que vai pela cabeça deles para trilhar esse lado da escuridão. Do que eles precisam para se sentir parte do povo francês?


Sempre que abrem espaço para o debate sobre a França multirracial e multicultural convidam rappers e jogadores de futebol para falar, que nem sempre estão preparados para debater com o outro lado. Quase nunca convidam intelectuais. Só o Tariq Ramadan [professor da Universidade de Oxford, de origem Egípcia e autor de "Radical Reform, Islamic Ethics and Liberation"], que é muito inteligente, mas sempre pegam frases dele fora de contexto.


É como dar muito espaço para Michel Houellebecq [escritor francês que acaba de lançar "Submissão", livro sobre uma Franca governada por um partido muçulmano em 2022].


Eu não concordo com ele e outros pensadores, mas se falamos de liberdade de expressão temos que deixar todo mundo se exprimir. Não só os pensadores da extrema direita, que está crescendo.


É assim que criam um mundo muçulmano que eu não vejo ao meu redor. Entre todos os meus amigos e na minha família, ninguém é extremista. Eles não acham o lugar deles na sociedade francesa nem na África. Quando vão pra lá, tampouco são bem-vindos.


MONOCROMÁTICA
No poder e na televisão também, onde trabalhei como jornalista e apresentadora nos canais France 3 e TF1, sempre era a única negra. Aprendi muitas coisas tendo esse olhar de "infiltrada".


A França é ainda uma espécie de monarquia. Cortaram a cabeça do rei, mas ele ainda vive na elite oligárquica. Houve a revolução de 1789, mas todo o espectro atual de líderes empresariais e políticos é aristocrata. Eles não representam a diversidade da França de hoje.


É o mesmo em governos de direita ou de esquerda: são brancos e elitistas. São intelectuais que cresceram no "quinto arrondissement" [região administrativa de Paris], foram estudar no sexto e trabalhar no sétimo. São da "rive gauche" [margem esquerda do Sena]. Não conhecem o que acontece lá fora.


Na ENA [École Nationale D'Aministration, símbolo da meritocracia republicana francesa], onde os presidentes estudam, só tem brancos. Na SciencePo, todos os alunos afrodescendentes franceses acabam indo trabalhar nos Estados Unidos e na Inglaterra. Eu me formei lá.


Muitos falavam: "Ah, você é parte da cota?" Eles selecionam alguns alunos dos guetos que tiveram notas excelentes. Pensam que cheguei lá como parte desse programa. Respeito muito os cotistas, mas não percebem que me insultam ao concluir que uma negra não pode entrar lá por outro caminho.


INVISIBILIDADE
Fiz meu mestrado sobre a invisibilidade dos negros na televisão francesa. Quando vamos sair dos estereótipos? Tenho 50% de sangue branco, mas minha pele é negra. Tenho 50% de sangue africano e meu filho é louro. A pele de meu pai era de ébano. É um desafio ser mãe de um negro que é branco de pele.


Vejo no Brasil um racismo diferente. Quando vou ao clube com meu filho, me olham torto porque não estou usando branco como as babás.

Comecei a dar palestras nas escolas públicas daqui para trabalhar a autoestima das crianças de cor. Falo dos inventores e das grandes figuras negras. Aqui também os negros só são retratados dentro do estereótipo: no esporte, na música e no crime. Falo para os estudantes o que gostaria de ter ouvido na escola, mas que só descobri aos 30 anos no meu mestrado sobre o tema: a geladeira foi inventada por um negro, assim como a antena parabólica e o marca-passo.



A BABÁ
Os brancos têm que se olhar e ver os privilégios que têm. Precisam entender o que é ser negro ou árabe diariamente. E o que vem com isso, quando se está procurando um apartamento para alugar ou concorrendo a uma vaga de emprego.

O que é muito triste é que temos um marketing ótimo: a França defensora dos direitos humanos, a França da "igualdade, liberdade e fraternidade". Onde você vê igualdade e fraternidade? Quem tem liberdade de expressão? Só um lado.

Onde você vê os ciganos se expressarem? E eles estão lá há várias gerações. Você ouve falar dos sem-teto? Onde se fala dos jovens que não podem entrar numa discoteca por terem mais melanina?

O conhecimento é a melhor arma para combater a desigualdade e desconstruir os fundamentos do racismo e do extremismo. Quase nenhum escritor, filósofo, cientista negros e árabes ganha visibilidade na televisão e nos livros didáticos na França.


Ao investigar essa realidade, descobri que eles existem, sim, e que potencial e talento não têm nada a ver com a quantidade de melanina na pele. Precisamos reparar e aliviar a dor que nossa sociedade gera sem que nem percebamos. E tentar entender quanto é nossa responsabilidade ter criado esses monstros.

O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) e do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF), divulgou um trabalho com as avaliações do órgão sobre quais demandas foram atendidas e quais ainda precisam ser cumpridas em relação à Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF), concebida em 2003, durante a 1ª Conferência Nacional de Medicamentos e Assistência Farmacêutica.

 

Dentre as propostas apresentadas no Relatório Final da 1ª Conferência, o Ministério da Saúde categorizou 528 como sendo de sua competência para serem executadas, divididas de acordo com três eixos: Eixo I: “Acesso à assistência farmacêutica: a relação dos setores público e privado de atenção à saúde”; Eixo II: “Pesquisa e desenvolvimento tecnológico para a produção nacional de medicamentos”; Eixo III: “Qualidade na assistência farmacêutica, formação e capacitação de recursos humanos”.

 

No Eixo I, destacam-se nas demandas atendidas com êxito o aumento do acesso a medicamentos para usuários com doenças de perfil endêmico e o amplo alcance do Programa Farmácia Popular do Brasil.

 

No Eixo II, o trabalho trata sobre as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), que visam proporcionar economicidade ao sistema e ampliar o acesso às tecnologias em saúde.

 

No Eixo III, o relatório destaca os resultados do Programa Qualifar-SUS, que visa aprimorar a implementação e integração sistêmica das atividades da Assistência Farmacêutica nas ações e serviços de saúde.

 

ACESSE O FOLDER COM O RELATÓRIO COMPLETO NA VERSÃO DIGITAL.

 

Fonte: CRF/SC  (12/01) 

Autor: Escrito por Daniela Nakamura

CUT, Força Sindical, UGT CSB, Nova Central e CTB marcam manifestações para o próximo dia 28 e marcha a Brasília em fevereiro. Entidades se reúnem com ministros na próxima segunda-feira

 

São Paulo – As centrais sindicais cobrarão do governo a revogação das duas Medidas Provisórias (664 e 665) que alteram acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários, como seguro-desemprego, pensão por morte, auxílio-saúde, auxílio-doença e abono salarial. As medidas foram anunciadas pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, em 29 de dezembro e editadas no dia seguinte. Em reunião na manhã de hoje (13), dirigentes da CUT, Força Sindical, UGT CSB, Nova Central e CTB decidiram levar a reivindicação em reunião marcada para a próxima segunda-feira (19), em São Paulo, com os ministros Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) e Manoel Dias (Trabalho e Emprego).

 

As entidades marcaram ainda um dia nacional de luta para o próximo dia 28, em defesa dos direitos trabalhistas e previdenciários. E programa uma nova edição de marcha a Brasília em 26 de fevereiro. Segundo a presidenta em exercício da CUT (que sediou o encontro de hoje), o início do ano terá "fortes mobilizações para impedir que haja algum retrocesso na agenda da classe trabalhadora", em referência à pauta das centrais sindicais. "O governo tende a fazer ajustes na economia às custas dos trabalhadores", disse Carmen, lembrando do discurso de posse da presidenta Dilma Rousseff, reafirmando a manutenção de todos os direitos.

 

O ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, justificou, em entrevista à Rádio Brasil Atual, que a atual “benevolência da regra” do seguro-desemprego faz com que muitos jovens distorçam a finalidade do benefício.

 

"As medidas anunciadas pelo governo de fato tiram direitos", reagiu Carmen Foro. "Estamos registrando claramente a nossa insatisfação com o tratamento dado às centrais", acrescentou a dirigente, lembrando que as entidades foram apenas informadas sobre as mudanças, sem conversa prévia. "Essas medidas dificultam o acesso dos mais pobres a direitos. Queremos exigir do governo a revogação das duas MPs."

 

"Tínhamos o entendimento de que todas as questões relativas ao movimento sindical seriam discutidas com as centrais", afirmou o presidente da Força, Miguel Torres. "Nós nos sentimos traídos naquele momento (em 29 de dezembro). Não adianta falar que é readequação, é perda de direitos", disse o sindicalista, para em seguida ironizar fala de Dilma, durante a campanha eleitoral, de que não retiraria direitos "nem que a vaca tussa". Segundo ele, as mobilizações já previstas podem ser "um remédio contra essa vaca, que começou a tossir".

 

Se não conseguirem a revogação das MPs, os sindicalistas prometem mobilizar bancadas no Congresso para que as medidas não sejam aprovadas. A bancada trabalhista é minoritária no Parlamento, mas entre as centrais representadas na reunião de hoje estão filiados a vários partidos (PT, PSB, PMDB, PPS, PCdoB, PSDB, PSD), alguns inclusive da base aliada.

 

O presidente da UGT, Ricardo Patah, disse que o antecessor de Joaquim Levy na Fazenda, Guido Mantega, chegou a sugerir medidas parecidas durante a sua gestão, mas que sempre foram rechaçadas pelas centrais. Ao lamentar a sinalização negativa, ele defendeu uma resposta "vigorosa" em defesa de propostas "pela inclusão social e não para retirar direitos".

 

Fonte: Rede Brasil Atual

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicada no Diário Oficial da União suspende a distribuição, comercialização e uso dos lotes A116, A117, A118 (Val.: 08/2016) e A120 (Val.: 11/2016) do medicamento Serophene (citrato de clomifeno) 50mg, comprimidos, importado por Merck S.A.

 

De acordo com o texto, a própria empresa enviou à Anvisa notificação de desvio de qualidade, após detectar impureza acima do limite de especificação no insumo ativo citrato de clomifeno, utilizado na fabricação do medicamento.

 

A agência determinou, ainda, o recolhimento do estoque existente em mercado.

 

Por meio de nota, a Merck S.A. informou que já suspendeu a distribuição, comercialização e uso dos lotes em questão e solicitou o recolhimento do estoque. “A medida foi uma ação pontual e preventiva e não compromete a comercialização de outros lotes do medicamento Serophene 50mg”.

 

Ainda de acordo com a empresa, não foram encontradas evidências de que os níveis detectados da impureza apresentem risco ao paciente.

 

Fonte: Agência Brasil

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