Como um sistema de saúde público universal pode garantir os seus princípios equitativos em uma sociedade cada vez mais globalizada e mercantilizada? Esta é a reflexão trazida pela sanitarista Maria Angélica Borges dos Santos, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e colaboradora do projeto Saúde Amanhã. Em coautoria com Isabela Soares Santos e Danielle da Costa Leite Borges, Maria Angélica assina o capítulo “Mix Público-Privado no Sistema de Saúde Brasileiro: Realidade e Futuro do SUS”, que integra o livro “A Saúde no Brasil em 2030: Diretrizes para a Prospecção Estratégica do Sistema de Saúde Brasileiro”. Nesta entrevista, a pesquisadora – que desde 2001 se dedica ao estudo da dinâmica econômica do sistema de saúde brasileiro – comenta as perspectivas futuras para a Saúde Pública no Brasil, considerando os cenários de retração econômica, manutenção das desigualdades sociais e abertura do setor ao capital estrangeiro.

 

Como a globalização e consequente mercantilização da sociedade impactam o sistema de saúde brasileiro?

 

A globalização é, antes de tudo, um princípio econômico que visa franquear a livre circulação do capital entre os países. Mas qual deve ser o limite para isso quando se trata da Saúde? Esta é uma questão delicada – e ética – pois a Saúde inevitavelmente cria situações-limite e as decisões são tomadas, em última instância, a partir do ponto de vista de um determinado grupo social. E essa dinâmica se intensifica quando, em vez de pensar em um sistema nacional de saúde, precisamos considerar um sistema global, que integra diferentes países, Estados e nações. Almejar um sistema de saúde global solidário, justo e equitativo é um paradoxo em um mundo cada vez mais mercantilizado, em que cada país ou grupo social tem como prioridade proteger e garantir os seus direitos, o seu acesso, em detrimento do bem-estar coletivo. Então precisamos estar atentos para, em um contexto como este, pensar, sob uma perspectiva ética, quais são os limites para a mercantilização e para a própria possibilidade de globalização da Saúde.

 

Essa é uma situação especialmente complexa para os países em desenvolvimento, uma vez que os chamados países desenvolvidos têm mais garantias e subsídios para manter o equilíbrio de seus mercados e as prerrogativas de seus cidadãos. Já os países em desenvolvimento, como o Brasil, não têm essas blindagens. Então, injetar capital estrangeiro nestes países significa intensificar a dinâmica de exploração mantida desde as relações entre metrópoles e colônias, uma vez que “capital estrangeiro sem fins de lucro” é um paradoxo conceitual. Há diversas incongruências na recente abertura geral para a entrada de capital estrangeiro para a Saúde no Brasil – essa da permissão da entrada de investimento estrangeiro em serviços sem fins de lucro é apenas uma delas.

 

Por outro lado, a globalização da saúde parece ser uma situação inevitável. O capital tem essa tendência internacionalizante e fatalmente a globalização nos leva a uma remodelação geral dos sistemas de saúde, em todo o mundo. No caso do Brasil, que tem uma infraestrutura básica de Saúde bem organizada, inclusive com excelência tecnológica em várias áreas da prestação de serviços, a internacionalização do setor não trará, necessariamente, novas tecnologias, bioprodutos de ponta ou profissionais altamente qualificados, mas, sim, novas oportunidades de negócios para o capital estrangeiro. O que precisamos nos perguntar, agora, é se essas novas oportunidades de negócios que surgirão serão realmente boas para nós, brasileiros.

 

Em síntese, o que o capital estrangeiro busca ao entrar em mercados nacionais de Saúde é o que o capital estrangeiro busca ao entrar em qualquer mercado nacional: lucro fácil, rápido e seguro. E a Saúde é um prato cheio para isso, uma vez que suas demandas apenas aumentam e, sobretudo nos países em desenvolvimento, os investimentos nacionais não são suficientes. São grupos internacionais voltados para o investimento em tudo o que possa dar lucro: e hoje essas oportunidades de novos negócios estão concentradas nas áreas de entretenimento, educação e agora, também, a Saúde. Ainda há muito a aprender e investigar sobre isso, mas ignorar esta realidade certamente não é o caminho mais apropriado.

 

Por que é importante estudar o mix público-privado na Saúde e como é possível prospectar o futuro da dinâmica econômica do setor?

 

Podemos abordar o mix público-privado na Saúde a partir de pontos de vista diferentes e complementares. Podemos focar, como ponto de partida, nas questões envolvendo as fortes desigualdades sociais que persistem no Brasil e comprometem a equidade do sistema de saúde, buscando entender o impacto desse mix de prestadores de serviços e de modelos de financiamento nas condições de acesso ao sistema de saúde e na equidade. Mas também podemos partir da observação da dinâmica econômica da Saúde – e esta é a minha área de concentração - para desembocar na discussão sobre do direito e acesso à saúde.

 

Compreender a inserção da Saúde na Economia é fundamental para a regulação do setor, que acaba sendo a estratégia possível para tentar tamponar os efeitos deletérios das forças de mercado sobre o acesso à saúde. Também é um exercício permanente e essencial para entendermos quais são as tendências para o futuro, para sabermos para aonde estamos nos encaminhando e para desembocar em outras discussões, como o debate sobre o impacto desta dinâmica sobre os princípios do SUS, como a equidade. E para isso precisarmos fazer as contas do que se gasta, saber quem gasta, de que forma gasta e qual o retorno do investimento. É importante saber também como estão se configurando e conformando os mercados, se há concorrência, as tendências à formação de monopólios e das margens de lucros.... Este trabalho é feito pelo grupo multidisciplinar Contas de Saúde, que integra pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

 

Neste grupo, a partir do arcabouço conceitual do Produto Interno Bruto (PIB), inferimos a participação da Saúde na economia brasileira e buscamos dinamizar discussões sobre o financiamento da Saúde, a infraestrutura de prestação de serviços e produção de insumos  e a relação do Estado com os prestadores de serviços (públicos e privados; em âmbito municipal, estadual ou federal; com ou sem fins lucrativos). Ao fazer uma conta como esta, percebemos claramente o mix público-privado na Saúde e a urgência de um sistema regulatório mais eficaz.

 

E, agora, teremos que considerar também esta nova dimensão trazida pela abertura do setor Saúde ao capital estrangeiro: os prestadores de serviços internacionais. Trata-se de uma realidade que não estava prevista no ideário do SUS e que, no entanto, se apresenta a nós. A mercantilização crescente da prestação de serviços de saúde é uma tendência mundial desde a década de 1950. No Brasil, essa tendência torna-se clara em finais da década de 1970, quando o governo fez uma aposta de financiamento da capacidade instalada de hospitais privados, configurando a primeira onda a de privatização dos serviços de saúde no país. Essa aposta deu margem para o crescimento dos planos de saúde e agora cria as oportunidades para a penetração do capital estrangeiro na prestação de serviços de saúde o Brasil. O que estamos tentando estudar são os padrões e implicações da maior circulação de capital privado na Saúde, seja por meio do financiamento ou da prestação de serviços.

 

O que podemos esperar para o futuro do sistema de saúde brasileiro a partir da abertura do setor ao capital estrangeiro?

 

Para perceber o que está acontecendo – e o que ainda vai acontecer – com o sistema de saúde brasileiro basta ler os sinais. E os sinais estão nos jornais de grande circulação, nos debates e prioridades dos setores mais abonados da sociedade. Investigar esta dinâmica é fundamental para entender o que estas pessoas e grupos  que comandam o Brasil pensam e planejam ou , talvez melhor dizer, almejam. Assim poderemos nos preparar melhor para o futuro.

 

Hoje precisamos estar atentos também à globalização, à interação econômica com os outros países e as situações que surgirão a partir disso. No contexto global, o que os sinais nos mostram é que, acoplada a essa expansão sem precedentes do capital na saúde, há um movimento dos organismos internacionais pela garantia da cobertura universal em saúde. A lógica por trás disso é a consciência da capacidade imensa de criação de desigualdade da livre circulação de capitais. Se não for garantida uma cobertura universal dos serviços básicos de Saúde nos países, corremos o risco de ter um problema de saúde pública global incontrolável – um problema não apenas humanitário ou sociológico, mas epidemiológico e sanitário. É por isso que muitos entendem que a perspectiva da cobertura universal que vem sendo defendida é uma perspectiva filosófica bem diferente de entender a saúde como Direito. Seria uma tentativa de prover uma espécie “garantia sanitária” para o sucesso dos princípios da globalização.

 

Aqui no Brasil, desde a década de 1980 alguns sanitaristas já reconheciam que é preciso observar o sistema de saúde em sua interação com a dinâmica econômica do país e com o capitalismo. Mas quando fundamos o SUS, muitos de nós acreditávamos que o nosso sistema universal de saúde era uma realidade à parte, que ele não participava da lógica mercantil que rege a nossa sociedade. Nós gostaríamos que fosse assim. No entanto, hoje sabemos que o ideal não é o real. E não podemos fingir que isso não existe.

 

No ano 2000, começamos a perceber que a abertura da Saúde ao capital estrangeiro acabaria acontecendo também no Brasil, pois já havia uma pressão internacional de mercantilização da saúde, na forma de um clamor de organismos internacionais para a  maior participação do setor e da lógicas privados. Países que eram os esteios do WellfareSate estavam abrindo espaço para uma dinâmica mais mercantil da Saúde – ainda que no campo ideológico, a partir de conceitos da iniciativa privada, como o de competição. Esse viés foi tomando conta de sistemas de saúde pública que eram modelo para nós, como o da Inglaterra, e agora chegou ao Brasil.

 

A impressão é que estamos navegando em um barco sem vela, pois ainda não temos ainda evidências para avaliar as dimensões dos efeitos disso. É preciso realizar estudos comparativos para conhecer sistemas de saúde de outros países e analisar as suas experiências. A partir disso, precisamos investigar quais são os mecanismos legais, as políticas públicas e as ações efetivas para que possamos preservar o ideário do SUS neste cenário.

 

Quais as perspectivas para o futuro, em um país com um sistema de saúde público e universal que se abre cada vez mais ao capital privado?

 

A entrada de capital estrangeiro pode ser considerada uma terceira onda da expansão do setor privado de serviços de saúde no Brasil que, por fim, endossa a Saúde como uma atividade mercantil que visa ao lucro – e não como um direito.

 

As OSS, que seriam a segunda onda de adesão no Brasil a essa lógica mais empresarial na saúde, constituem uma forma de prestação de serviço para a Saúde muito diferente do que existia quando fundamos o SUS. Naquela época, este espaço era ocupado sobretudo por casas de saúde, santas casas e outras fundações sem fins lucrativos. Os contratos eram regidos por tabelas fixas, sem reajustes e tudo era orquestrado numa lógica predominantemente sem fins de lucro em parcerias onde o polo dominante era o setor público. As OSS também são, em tese, sem fins de lucro, mas tem uma característica muito forte de empreendedorismo social, segundo o modelo norte-americano, com um perfil corporativo jamais visto nas santas casas. A dominância dos interesses do setor público nas parcerias com esse modelo já começa a ficar colocada em xeque, mais ainda quanto mais abrimos mão de ter serviços públicos próprios e o “mercado” de OSS se oligopoliza .

 

Hoje, temos cinco grandes OSS no Brasil, dentre elas uma que está entre as 150 maiores empresas do país, com um faturamento de R$ 3 bilhões. Esta é uma tendência oligopolista que está crescendo e tende a crescer ainda mais com a entrada de capital estrangeiro na Saúde. A perspectiva é que, nos próximos anos, o SUS passe a ser cada vez mais pilotado por prestadores privados e capital estrangeiro com um poder de negociação que ainda nem imaginamos – e por suas lógicas, princípios e prioridades. E, neste cenário, se tornarão ainda mais complicadas as negociações para garantir o acesso da população a serviços de saúde. Diante deste quadro, é fundamental estudarmos os novos modelos de negócio que surgem para o setor Saúde e para o SUS.

 

Quais os desafios deste cenário de mercantilização da Saúde para a regulação do setor?

 

Esta realidade globalizada implica novas maneiras de pensar, sobretudo para os países em desenvolvimento. No Brasil, os hospitais privados já apontam há alguns anos para o mercado do turismo médico, por exemplo. Isso significa criar condições, produtos e serviços para praticar preços em padrões internacionais – em um país que ainda não conseguiu resolver questões sociais e de infraestrutura primordiais, como o saneamento básico universal.

 

Então, em um cenário como este, estudar a dinâmica econômica do sistema de saúde é determinante para pensarmos a regulação dos mercados interno e externo da Saúde. Se ainda não sabemos precisar o lucro dos hospitais privados e o crescimento deste mercado, como podemos pensar em um regulação efetiva do setor Saúde? O primeiro passo é superar a discussão sobre ser contra a favor desta ou daquela medida – sem abrir mão dela- e de fato entender o que está acontecendo, para que possamos planejar políticas públicas que minimizem efeitos preocupantes num contexto de Saúde Pública e proteção social.

 

Nós sanitaristas precisamos entender bem este mercado, conhecer os seus atores sociais, os grandes grupos internacionais, saber quem é dono do quê... Precisamos de novas metodologias para fazer a regulação da concorrência ao SUS, ter embasamento para participar de uma eventual discussão sobre vetos, critérios e condições para a entrada deste capital estrangeiro na Saúde... Alguns grupos de pesquisa fizeram o mesmo tipo de esforço para entender e estudar os planos de saúde e sua interação com o SUS e hoje discutem com muito embasamento e propriedade, por exemplo, impactos da renúncia fiscal na saúde e seus limites .

 

Em nossos estudos avaliamos que não existe uma “composição ótima” para o mix público-privado na Saúde. A forma de atingir este equilíbrio varia de país para país e no tempo, de acordo com cada realidade local. Mas, pelo que conhecemos até  o momento, a forma de minimizar as iniquidades no acesso a serviços de saúde prestados por este ou aquele fornecedor seria por meio da regulação do sistema. É uma situação complexa, sobretudo porque não dominamos as forças de mercado, não sabemos exatamente como elas vão agir e reagir aos diferentes cenários que podem se apresentar. E também não temos como prever se e quais Estados serão fortes o suficiente para fazer essa regulação. O mercado, naturalmente, defende a ”desregulamentação” radical e liberdade total para a “mão invisível” do mercado.

 

De uma maneira geral, para o Brasil, uma “composição ótima” seria aquela que procura instalar um sistema de regulação capaz de garantir os princípios básicos do SUS, no que diz respeito à universalidade e à equidade do sistema nacional de Saúde Pública. No entanto, qual a viabilidade de um sistema regulatório como este, em um contexto geopolítico cada vez mais neoliberal, globalizado e mercantilizado?

 

Neste contexto de profundas mudanças, qual a contribuição de uma iniciativa como o projeto Saúde Amanhã, que desenvolve estudos prospectivos sobre o futuro do sistema de saúde brasileiro?

 

O exercício da prospecção estratégica do futuro é primordial para definir as políticas públicas e ações que devem ser realizadas no presente. Do ponto de vista metodológico é um desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade participar dessa iniciativa. Quando iniciamos o trabalho para produção do capítulo “Mix público-privado no sistema de saúde brasileiro: realidade e futuro do SUS” não tínhamos, ainda, a real dimensão deste esforço coletivo. Com o lançamento do livro e a leitura dos demais capítulos e volumes temos uma ideia muito mais clara sobre como realizar estudos de futuro e sobre como atuar, hoje, para garantir o melhor cenário possível para o sistema de saúde brasileiro.

 

Para pensar em cenários para o futuro precisamos ter uma visão holística, que não se concentre apenas em determinados aspectos da realidade. É preciso pensar quais são todas as variáveis possíveis – e estar sempre aberto a novas variáveis. Precisamos batalhar muito, também, para aprimorar os nossos sistemas de informação – somente por meio deles é possível conhecer o presente, prospectar o futuro e definir ações estratégicas. No entanto, ainda utilizamos, no Brasil, as mesmas variáveis de 50 anos atrás. É simples: diante de uma nova realidade precisamos de novos mecanismos de avaliação, novos parâmetros, novas variáveis.

 

O problema é que quando a realidade muda a maioria das pessoas demora a perceber que ela mudou. Existe um lapso neste processo. Precisamos ter alguma visão estável do mundo – e esta percepção estável prejudica a nossa acuidade em relação às mudanças que estão ocorrendo. Para rever o mundo precisamos criar uma nova maneira de pensar o mundo.

 

 

Estamos chegando, no Brasil, ao momento de repensar qual é o nosso paradigma de sistema de saúde – sem abandonar o SUS, pelo contrário, considerando todas as suas demandas, desafios, conquistas e prioridades neste contexto de abertura ao capital estrangeiro. Não se trata de concordar ou aceitar a lógica mercantil que está sendo imposta à Saúde, mas de ter abertura para compreender a realidade e trabalhar a partir dela. De outra maneira perderemos o SUS como o concebemos.

 

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

A Anvisa vai deliberar amanhã, quinta-feira (19/03), a partir das 14h, a proposta de advertência para a face frontal dos produtos fumígenos. A medida entrou em consulta pública no último dia 7 de março com prazo de 10 dias para contribuição.

 

A proposta é resultado da Lei 12.564/2011 e do Decreto 8.262/2014 que trouxe avanços napolítica brasileira de redução do tabagismo. De acordo com o texto do Decreto, a partir de 1º de janeiro de 2016 a embalagens dos produtos fumígenos deverão trazer uma advertência também na parte frontal, ocupando 30% da face do maço.

 

 

Também está na pauta a Proposta de Consulta Pública sobre a atualização da lista de filtros ultravioletas permitidos para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. Outro tema é a análise sobre o enquadramento de medicamento na categoria de venda isenta de prescrição.

 

O evento acontece na sala de reuniões da Diretoria da Anvisa, em Brasília. A reunião também pode ser acompanhada pela site da Anvisa.

 

Fonte: Imprensa Anvisa

Brasileiros e alemães são os povos mais preocupados com a vigilância, na internet, que governos fazem a cidadãos. É o que mostra pesquisa encomendada pela Anistia Internacional, que será lançada mundialmente amanhã (18). Por causa da diferença de fusos horários, o material foi divulgado para o Brasil na noite de ontem (17).

 

O levantamento foi feito em 13 países, ouvindo 15 mil pessoas sobre a percepção pessoal a respeito da vigilância e privacidade na rede. Participaram homens e mulheres com mais de 18 anos de idade da Austrália, Brasil, Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, Filipinas, África do Sul, Espanha, Suécia e Estados Unidos. No Brasil, foram ouvidas 1006 pessoas entre os dias 4 e 11 de fevereiro de 2015.

 

Os que mais se opõem a que seu próprio governo monitore os cidadãos são os alemães (69%), espanhóis (67%) e brasileiros (65%). Nos resultados globais, 59% disseram ser contrários a que governos monitorem seus cidadãos e 71% reprovam a espionagem dos Estados Unidos a outros países. Entre brasileiros e alemães, 80% disseram que os americanos não devem interceptar, armazenar ou analisar a utilização da internet em seus países.

 

De acordo com o assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional no Brasil, Maurício Santoro, isso ocorre por causa da grande repercussão que tiveram as denúncias de Edward Snowden contra a NSA, a agência de segurança nacional norte-americana, que teria monitorado a presidenta Dilma Roussef e a chanceler alemã Angela Merkel.

 

“As duas coisas estão muito ligadas, porque essa denúncia muito forte, que houve aqui no Brasil e na Alemanha, gerou um debate muito forte nas duas sociedades. Não por acaso foram esses governos que correram atrás de uma resposta no âmbito da ONU [Organização das Nações Unidas] para que houvesse a construção internacional de mecanismos de proteção de salvaguarda à privacidade”, ressaltou Santoro.

 

Os brasileiros são os mais favoráveis a que as empresas de tecnologia protejam as comunicações para evitar que governos tenham acesso aos dados, com 78% dos entrevistados. Santoro destaca que a aprovação do marco civil da internet, no ano passado, colocou o Brasil como referência mundial nos debates sobre direitos humanos e internet, inclusive na questão da privacidade. Por outro lado, ele coloca que ao mesmo tempo em que cresce o acesso à internet no país, com metade dos brasileiros conectados, e a preocupação com a privacidade na rede, as pessoas se expõem mais do que deveriam nas redes sociais.

 

Para Santoro existe até uma contradição, pois "a gente sabe que as pessoas têm medo do que vai ser compartilhado com as empresas, com os governos, mas muitas vezes elas acabam colocando também online coisas que não deveriam, por falta de conscientização; por falta mesmo de educação a respeito dessas novas tecnologias”.

 

A pesquisa destaca que, quando se trata de cidadãos estrangeiros que vivem em seus países, a maioria dos entrevistados na Grã-Bretanha (55%), Canadá (48%), França (54%), Filipinas (56%) e África do Sul (51%) aprovam a vigilância por parte do governo. A França foi o país que menos ficou insatisfeito com a vigilância dos Estados Unidos, com 56% de reprovação da espionagem.

 

Santoro ressalta que a pesquisa é apenas o primeiro passo para as discussões com a sociedade sobre o tema. A Anistia Internacional lançou também uma petição voltada para cinco governos (Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia) que formam a Aliança dos Cinco Olhos, dentro da campanha "#UnfollowMe", com o objetivo de exigir mais transparência e pressionar os governos a adotar medidas que impeçam o uso indiscriminado de tecnologias para a vigilância em massa.

 

“É uma aliança que vem das guerras mundiais, são cinco países de fala inglesa, muito próximos politicamente, culturalmente, e o que se sabe é que eles compartilham muito informações entre si, fazem muitas atividades de vigilância em conjunto. Mas não se tem a dimensão precisa do tamanho dessa vigilância, desse escopo integral. Então, isso é algo importante para a gente entender como funcionam esses mecanismos internacionais”, segundo Santoro.

 

O Ministério das Comunicações foi procurado para comentar a pesquisa e explicar como funciona a segurança da internet no país, mas não retornou até o fechamento desta matéria.

 

Fonte: EBC

Ontem, 16/03, foi realizada a primeira rodada de negociações entre o Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais – Sinfarmig e Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais – Sincofarma. Ao todo, a pauta apresentada ao sindicato patronal contém 40 cláusulas. Entre as principais reivindicações estão o reajuste com base no INPC/IBGE, piso salarial fixado em R$3.500,00 (carga horária de 40h semanais), R$3.850,00 (carga horária de 44h semanais).

 

 
A diretoria do SINFARMIG, juntamente com seu assessor jurídico, reivindicou avanços na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que vão além das cláusulas econômicas, como por exemplo: aumento de dias para capacitação profissional, adicional de insalubridade, local adequado nos estabelecimentos para a assistência farmacêutica entre outros.
 

 

Os diretores do Sinfarmig compareceram à reunião de negociação coletiva com o Sincofarma levando dados que comprovam a expansão do faturamento do setor do varejo de produtos farmacêuticos no país em 2014 e com isso demonstraram a viabilidade do reajuste do piso.  Mesmo assim, os empresários alegam dificuldades com a atual conjuntura econômica e se mostram resistentes às propostas de reajuste apresentadas pelos farmacêuticos.  
 

 

Os diretores do Sindicato patronal, Sincofarma,  presentes na reunião anunciaram a realização de assembléia com os associados para reavaliarem a pauta de reivindicações dos farmacêuticos.

 

 
Uma nova reunião entre os farmacêuticos e o sindicato patronal foi marcada para o dia 08 de abril (quarta-feira), às 10h
 

 

Vale lembrar que estamos no momento mais importante da campanha e por isso conclamamos toda a categoria a participar conosco das reuniões de negociação.

 

 
A sua participação nas reuniões é fundamental para avançarmos e garantirmos nossos direitos e conquistarmos uma Convenção Coletiva mais justa e digna.

 

 
Fiquem atentos!

 

Diretoria SINFARMIG
“Em defesa da saúde e da profissão farmacêutica"

 

Serviço:
Reunião SINFARMIG - CCT 2015 (2ª reunião)
Data: 08/04/15 (quarta-feira)
Horário: 10h
Local: Fecomércio MG (Rua Curitiba, 561 - 13º andar - Centro - BH/MG)

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