A paralisação do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen), em São Paulo, iniciada no dia 9 de março, chegou ao fim. Os funcionários reivindicavam a manutenção de uma gratificação que havia sido retirada no mês passado. Por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União no dia 20, ficou garantida a concessão da gratificação específica de produção de radioisótopos e radiofármacos.

 

A produção e o fornecimento de produtos para a medicina nuclear, como o Flúor-14, estão normalizados desde terça-feira. A substância é utilizada no exame PET-CT, que ajuda a diagnosticar doenças como o câncer de pulmão, câncer colorretal e linfomas de Hodgkin e Não-Hodgkin. A greve colocou em alerta as entidades de medicina nuclear e laboratórios, porque o Ipen é o fornecedor de material radioativo médico do país.

 

Fonte: Agência Brasil – Flávia Villela

A trajetória de 30 anos da reforma psiquiátrica brasileira foi o ponto de partida dos debates da sessão plenária realizada na última terça-feira (24/3), como parte da programação do Seminário Internacional de Saúde Mental, realizado na Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz). O evento é promovido pela Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o Ministério da Saúde e a Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Coordenada por Ana Pitta, doutora em Medicina Preventiva e Saúde Mental pela Universidade de São Paulo (USP), a sessão plenária reuniu especialistas do Brasil e do exterior para a discussão dos principais temas do documento técnico de trabalho. Psiquiatra e coordenador do Programa de Pós-Graduação do Departamento de Psiquiatria da Unifesp, Jair Mari reconheceu os avanços das últimas décadas e ressaltou a importância do encontro para planejar o futuro. “Nós devemos aqui dar uma contribuição para um plano de ação futuro para a saúde mental. O caráter dogmático da reforma psiquiátrica deve ser substituído por um planejamento de novas políticas públicas, que possam incorporar os avanços científicos dos últimos trinta anos”, afirmou.

 

O diretor do Departamento de Saúde Mental da OMS, Shakhar Saxena, também disse que o Seminário Internacional do Brasil tem o objetivo de produzir análises e recomendações para o Plano de Saúde Mental da Organização Mundial de Saúde. “A experiência da reforma psiquiátrica brasileira demonstra a importância de ouvir a comunidade e os usuários do sistema de saúde. Com o fim dos hospitais psiquiátricos, é necessário construir condições efetivas para um cuidado contínuo e qualificado daqueles que precisam de atenção e tratamento”, reforçou.

 

Na mesma linha, o chileno Alberto Minoletti fez elogios ao documento técnico do encontro e declarou que os temas discutidos em saúde mental no Brasil são muito semelhantes aos debatidos em seu país. “Com todas as imperfeições que possa haver, a desinstitucionalização promovida pela reforma psiquiátrica brasileira é um grande exemplo para a América Latina. Nós não deveríamos mais conviver com manicômios, apesar de ainda haver muitos pelo continente”, explicou Alberto Minoletti.

 

Representando os usuários na sessão plenária do encontro, Milton Freire Pereira relatou as dificuldades de adaptação dos pacientes psiquiátricos ao mundo do trabalho. “O preconceito é grande e o estigma ainda é muito pesado”. Ao relatar sua própria experiência em antigos hospitais psiquiátricos, Milton também reivindicou a necessidade de mais diálogo. “O manicômio tem características de uma prisão. Nós precisamos de mais espaços comunitários de criação e convivência, para desenvolvermos uma cultura de solidariedade e ajuda mútua”, disse.

 

O impacto da violência sobre a saúde mental também foi assunto da sessão plenária, com a participação especial do antropólogo e diretor da ONG Viva Rio, Rubem César. “Em comunidades fragilizadas socialmente do Rio de Janeiro, por exemplo, os eventos quase que diários de violência armada criam um campo de traumas, ansiedades e estresses, que permeia a sociedade local”, declarou Rubem César.

 

Em sintonia com o diretor da ONG Viva Rio, o médico psiquiatra e doutor em Saúde Pública pela Fiocruz Francisco Inácio Bastos também chamou a atenção para a rotina de violência que atinge os profissionais de saúde mental. “Muitas vezes esses problemas de tráfico de drogas e milícia no Rio de Janeiro migram para dentro da instituição de saúde e das comunidades terapêuticas e tornam a gestão cotidiana extremamente complicada”. Como exemplo dessas dificuldades, Francisco Bastos revela um fenômeno recente que ganha uma dimensão cada vez maior no país. “Algumas internações hoje acontecem para que o paciente escape da violência. O próprio paciente diz que pode ser morto se voltar à sua comunidade. Nós vivenciamos isso no dia-a-dia. Apesar de ainda não ser uma situação calamitosa como a do México, já merece a nossa atenção”, completou.

 

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias / César Guerra Chevrand

Margareth Dalcolmo*


Perdeu o lirismo a velha tísica da iconografia de óperas e romances, que fez passar partes de suas vidas em sanatórios artistas e poetas até a metade do século passado. Após a Segunda Guerra Mundial, surgiram os primeiros medicamentos para tratamento, iniciando pela estreptomicina, até a rifampicina, no fim dos anos 60, e ainda hoje protagonista no tratamento da tuberculose.


Apesar dos avanços nos últimos anos, com redução de 25% na incidência e 32% na mortalidade, o Brasil está entre os 22 países de maior carga de tuberculose no mundo, com 70 mil casos novos e cerca de quatro mil mortes anuais. Doença urbana, ligada a condições de vida, sua redução no país nas últimas décadas tem sido desigual. A redução anual, de cerca de 2,5%, é muito aquém da esperada.


Com a expectativa de erradicação nos próximos 50 anos, seria necessária uma queda de 6% ao ano. No mundo, três países do Brics — China, Índia e África do Sul — concentram 60% dos casos.

 

Identificar o sintomático respiratório, definido como a pessoa com tosse há mais de três semanas, e tratar é o mais eficiente. O tratamento, recomendado mundialmente, é composto de uma associação de fármacos de comprovada eficácia, utilizada há mais de 30 anos. Há evidências de que sua efetividade, porém, depende não só da disponibilidade de bons medicamentos, mas de fatores como adequada organização de ações, recursos humanos qualificados e tratamento humanizado.

 

Cinquenta anos após o lançamento da rifampicina, vivemos um momentum, com a descoberta de novas moléculas e estudos clínicos para testar eficácia e redução do tempo de tratamento. Há cerca de 20 novas moléculas em diversas fases de estudo e dois novos fármacos (bedaquilina e delamanide) recentemente aprovados por órgãos regulatórios internacionais para formas multirresistentes. Deverão estar disponíveis no Brasil no próximo biênio.

 

Foi no início dos anos 90, com a epidemia de Aids e a alta mortalidade na associação HIV-tuberculose — a mais frequente e de maior morbidade e mortalidade —, que prosperaram ações visando à redução da doença no mundo. O Banco Mundial, pelo impacto econômico da mortalidade de jovens, e a Organização Mundial da Saúde denominaram a doença emergência mundial desde 1993.

 

O Brasil tem sido exemplo, desde a formulação de normas para diagnóstico e tratamento elaboradas em conjunto pelo Ministério da Saúde e a comunidade acadêmica, com participação da sociedade civil, sem conflito entre medicina pública e privada. Alguns fatos merecem registro: o pioneirismo dos esquemas de tratamento encurtados, de dois anos para seis meses, permitindo o fechamento de sanatórios e o tratamento ambulatorial nos anos 80; o reconhecimento de grupos vulneráveis, em que a incidência é centenas de vezes mais alta do que na população geral, como indígenas, presidiários, pessoas com HIV e população de rua; medicamentos formulados em comprimidos de dose fixa combinada, que reduz de nove para quatro comprimidos diários; aquisição de equipamentos e insumos para diagnóstico rápido molecular; criação de centros de referência para casos complexos; e um banco de dados on-line, de alcance nacional, para vigilância epidemiológica; além de iniciativas como a Frente Parlamentar contra a Tuberculose e o aumento de orçamento de US$ 15 milhões em 2002 para US$ 85 milhões em 2014. Tudo isso compõe o arcabouço de governo, profissionais da saúde e sociedade civil.

 

Nesse cenário teoricamente favorável, é inadmissível o paradoxo de morrerem por ano quatro mil brasileiros de uma doença diagnosticável, tratável, virtualmente curável e com tratamento gratuito — o que nos permite, tristes, concluir que não existe mau paciente, e sim serviço de saúde ineficiente.

 


*Margareth Dalcolmo é pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

Com o objetivo de divulgar informações e combater o preconceito contra as pessoas que convivem com a epilepsia, associações de pacientes trouxeram para o Brasil a campanha mundial Purple Day, o Dia Lilás. O dia D da causa é hoje (26), mas a semana toda está sendo marcada por ações que chamam a atenção para a epilepsia.


A estimativa da Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia (Aspe) é que essa condição neurológica atinge cerca de 3 milhões de pessoas no Brasil. A presença, em alguns casos, de crises convulsivas em que o paciente perde a consciência, cai e se debate ainda torna a condição alvo de estigma na sociedade. O que grande parte da população não sabe é que em 80% dos casos a pessoa com epilepsia pode ter uma vida normal, se tratada adequadamente.


A campanha, de origem canadense, está colorindo de roxo a iluminação de prédios importantes, como o Congresso Nacional, a Universidade de Campinas, a sede da Federação da Indústrias do Estado de São Paulo, entre outros. Segundo o embaixador da campanha no Brasil, Eduardo Caminada, a mobilização é uma forma de chamar a atenção para a causa e informar a população sobre a epilepsia.

 

“É um trabalho de formiguinha contra o preconceito. Com informação, as pessoas vão entender o que é a epilepsia, o preconceito só existe por falta de informação”, disse Caminada.

Pelo menos 20 cidades estão sediando eventos relacionados à campanha. A Câmara Municipal de São Paulo promoveu uma mesa de debate sobre o tema na manhã de hoje. Amanhã (27) e depois, a capital de Rondônia, Porto Velho, sediará o 13º Encontro da Federação Nacional de Epilepsia.

No dia 28, três capitais vão ter caminhadas pelo Purple Day. Em Brasília, o movimento vai ocorrer, a partir das 9h, na área próxima à Nicolândia, no Parque da Cidade. Em São Paulo, a caminhada vai ser no Parque do Ibirapuera, às 10h. No Rio de Janeiro, a ação partirá da Estação Cardeal Arcoverde e também começará às 10h.

Fonte: Agência Brasil

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