Disponível online, a última edição da revista Cadernos de Saúde Pública discute a crise no suprimento de água no Brasil. Na seção Perspectivas, Léo Heller, do Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz Minas Gerais), afirma que o direito humano à água potável e ao saneamento foram explicitamente reconhecidos pelas Resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas. O especialista, além de apontar claramente que a população mais vulnerável (pobres, as crianças e idosos) será a mais afetada numa situação de restrição de consumo, alerta para a possibilidade de contaminação da água potável quando a distribuição é intermitente. “Se a população mais rica pode se proteger, comprando água ou abrindo poços, o direto à água e saneamento requer que o setor público priorize exatamente os que têm menor poder de pressão”, defende o pesquisador.


O editorial dos Cadernos, assinado pelo pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), Francisco Inácio Bastos, levanta outra questão importante: a agressividade e intolerância com relação a um amplo conjunto de minorias. “No meu cotidiano, testemunho tendência oposta, de agressões dirigidas a usuários de drogas (população com a qual trabalho), violência de cunho homofóbico e racial, agressões contra mulheres”, descreve Bastos. Para o pesquisador, o texto não é otimista, mas traz um chamado essencial para todos nós: não nos deixemos seduzir pelo canto das sereias, que ilude e mata. Recuperemos o Engenho e Arte da epidemiologia!



O volume 31, número 3, de CSP traz para discussão mais de vinte artigos com temas como a implantação de programas de controle em unidades prisionais no Brasil; avaliação econômica de doenças raras; depressão em idosos; análise territorial da distribuição do Aedes aegypti; endividamento hospitalar na compra de medicamentos; estigma e discriminação em mulheres HIV positivo; fatores psicossociais e socioeconômicos relacionados à insônia e menopausa; pontos de venda de alimentos e associação com sobrepeso e obesidade; estudo nutricional de vitaminas em crianças; exposição a agrotóxicos, entre outros assuntos.


No artigo Indução de endividamento hospitalar na compra de medicamento em situação de monopólio: o caso do mesilato de imatinibe, as pesquisadoras da Ensp, Carolinne Thays Scopel e Gabriela Costa Chaves, explicam que os gastos com medicamentos correspondem a uma grande parcela do orçamento em saúde. Sendo assim, a produção de conhecimento sobre o uso desses recursos é essencial na tomada de decisão em saúde pública e melhoria da assistência farmacêutica. O objetivo do estudo foi analisar o processo de endividamento em um hospital universitário de alta complexidade devido ao gasto crescente com a aquisição de mesilato de imatinibe, utilizado no tratamento de leucemia Mielóide crônica (LMC).


O estudo aponta que o processo de endividamento do hospital estudado, em função da compra do mesilato de imatinibe, ao longo do período avaliado, se deu não só pelo aumento da demanda, mas também em virtude da incompatibilidade entre o aumento do preço do medicamento e o valor repassado. O estudo mostrou que o caminho da incorporação do medicamento por um hospital universitário teve como pano fundo abordagens tanto da empresa como do governo. Para as autoras, o trabalho também servirá como subsídio para outras pesquisas que aprofundem o conhecimento sobre o uso de recursos gastos em medicamentos no Brasil e avaliem as Políticas de Desenvolvimento Produtivo como estratégia de produção local e promoção do acesso a novas tecnologias.



Propriedades psicométricas da versão brasileira do instrumento Vulnerable Elders Survey-13 (VES-13) é mais um dos artigos que compõem a edição. O estudo é assinado pela pesquisadora do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos (Demqs/Ensp), Inês Echenique Mattos, em parceira com os pesquisadores das Faculdades de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Laércio Lima Luz e Lívia Maria Santiago e João Francisco Santos da Silva, respectivamente.



O estudo buscou avaliar as propriedades psicométricas da versão brasileira do Vulnerable Elders Survey-13, para isso foram realizadas entrevistas com indivíduos de 60 anos ou mais, atendidos em unidade ambulatorial de hospital de câncer. Segundo os autores, O VES-13 apresentou boa validade convergente e validade divergente razoável. A versão brasileira do instrumento apresentou propriedades psicométricas consistentes.


No artigo Análise da implantação do Programa de Controle da Tuberculose em unidades prisionais no Brasil, o pesquisador do Departamento de Epidemiologia da Ensp, Luiz Antonio Bastos Camacho e a pesquisadora da Ensp e da Universidade Federal de Santa Catarina, Sonia Natal, em parceria com a pesquisadora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense, Luisa Gonçalves Dutra de Oliveira, avaliaram o grau de implantação do Programa de Controle da Tuberculose (PTC) em unidades prisionais de dois estados brasileiros.


No Brasil, as ações de controle da tuberculose destinadas à população carcerária estão há dez anos regulamentadas pelo Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário e os estados da federação têm modelos distintos de organização do PCT no sistema prisional. Segundo os autores, com base na análise de implantação feita no estudo, é necessário que as ações de busca ativa sejam enfatizadas tanto no ingresso do detento como por meio de exames periódicos e dos contatos. Além disso, o tratamento diretamente observado deve ser feito para todos de forma a esclarecer dúvidas, promover a educação em saúde e evitar o uso indevido dos medicamentos.


Os autores apontam ainda que a comunicação entre os profissionais de segurança e os da saúde nas unidades prisionais, entre as unidades prisionais por ocasião das transferências, e entre o sistema penitenciário e o sistema de saúde nas situações de livramento, seja feita de forma a evitar a interrupção do tratamento dos pacientes, aumentando as taxas de cura e, consequentemente, reduzindo a transmissão da doença no ambiente prisional. “Em última análise, o impacto desse conjunto de medidas pode beneficiar a própria equipe de saúde ao propiciar evolução favorável dos casos e reduzir a transmissão da doença”, defendem os autores.


Na seção As autoras respondem, as pesquisadoras da Ensp, Joyce Mendes de Andrade Schramm e Vera Lúcia Edais Pepe e a pesquisadora do Instituto Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), Tatiana Aragão Figueiredo, agradecem os comentários ao artigo Seleção de Medicamentos Essenciais e Carga de Doença no Brasil, uma vez que permitem ampliar a discussão em torno da Assistência Farmacêutica vis-à-vis importantes conceitos como essencialidade, seleção e incorporação de medicamentos, fundamentais para a construção de um Sistema Único de Saúde (SUS), respeitando seus princípios de equidade, universalidade e integralidade.


Confira aqui o volume 31, número 3, de Cadernos de Saúde Pública na íntegra

 

Fonte: Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp)

Pacientes com hemofilia estão sem receber a quantidade adequada de medicamento para evitar os sangramentos característicos da doença. A denúncia foi feita hoje (17) pela Federação Brasileira de Hemofilia (FBH) – data em que é lembrado o Dia Mundial da Hemofilia. Segundo a entidade, as reclamações vêm de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, Ceará e da Paraíba.

 

De acordo com a farmacêutica do Hemocentro do Espírito Santo Maria Orletti, enquanto a média mensal, em 2014, de recebimento do Fator 8, hemoderivado usado para ajudar o paciente na coagulação do sangue, era 750 mil unidades internacionais (UI), neste mês, foram recebidas apenas 260 mil UI.

 

O estudante mineiro Venicius de Barros, de 38 anos, mora em Barbacena e desde 2012 pegava mensalmente o medicamento suficiente para 30 dias, em Juiz de Fora, a 120 quilômetros de onde mora. “No mês passado, fui pegar as 12 doses necessárias, mas só recebi seis. Quando acabaram, retornei lá para pedir as outras seis e só me deram quatro.”

 

Este mês, Venicius diz que recebeu novamente apenas a metade do medicamento necessário para o mês. “Estou tomando metade da dose porque tenho medo de faltar, de ter um sangramento e precisar com urgência do fator”, ressaltou. Ele conta que a redução das doses já causou um sangramento no ombro no mês passado.

 

Segundo a vice-presidenta da FBH, Mariana Freire, o Ministério da Saúde mudou, em 2012, a forma de tratamento para as pessoas com hemofilia. Até então, os pacientes só recebiam a medicação quando tinham sangramentos. Depois da mudança, eles passaram a receber os fatores de coagulação para evitar essas situações. Além das doses necessárias a cada paciente, os hemocentros precisam contar com um estoque estratégico, usado para situações de sangramentos, mas, com a redução dos repasses, esses estoques estão comprometidos.

 

Para ela, está havendo racionamento dos hemoderivados desde novembro do ano passado, além do fracionamento das doses, o que dificulta a vida dos pacientes que, muitas vezes, precisam viajar para buscar o tratamento em um dos 193 hemocentros que distribuem a medicação.

 

De acordo com a hematologista Margareth Ozelo, membro da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, a prevenção é o tratamento mais adequado para quem tem hemofilia. Ela lembra que a profilaxia permite ao paciente ter qualidade de vida e evita as sequelas dos sangramentos.

 

“Os sangramentos nos hemofílicos ocorrem principalmente nos músculos, os chamados hematomas, e nas articulações, as juntas. Por causa disso, o paciente acaba por desenvolver deformidades,  dificuldade para movimentação em braços e pernas, comprometimento articulares”, diz Margareth. Ela acrescenta que no Hemocentro da Universidade de Campinas, onde é professora, não faltou medicamento, porém, os pacientes estão tendo de voltar com mais frequência para completar a dose.

 

Em nota, o Ministério da Saúde informou que em nenhum momento houve desabastecimento de hemoderivados para os pacientes atendidos pela rede pública de saúde. “A liberação fracionada dos frascos, em março deste ano, teve como objetivo assegurar o fornecimento do medicamento a todos os pacientes atendidos. É importante destacar que os estoques de Fator 8 Plasmático (9 milhões de UI) para os estados e municípios estão regularizados desde a semana passada. No total, o Ministério da Saúde adquiriu 180 milhões de unidades em dezembro de 2014, número suficiente para abastecer o país por um ano.”

 

Fonte: Agência Brasil – Aline Leal

Já está disponível no site da Anvisa um documento com as dúvidas mais recorrentes sobre medicamentos fitoterápicos e medicamentos dinamizados. O material foi elaborado pela Coordenação de Medicamentos Fitoterápicos e Dinamizados (Cofid) com base nos questionamentos mais frequentes do setor regulado.

 

A Cofid recebe, por meio dos canais formais de comunicação com a Anvisa (memorandos, ofícios, Ouvidoriatende e SAT), inúmeros questionamentos por parte da sociedade, dos usuários de medicamentos e de outros órgãos da Administração Pública a respeito de fitoterápicos e medicamentos dinamizados (homeopáticos, anti-homotóxicos e antroposóficos). 

 

A maior parte desses questionamentos refere-se à regularidade de registro e notificação desses produtos. No entanto, essas informações podem ser obtidas de forma rápida diretamente no site da Anvisa, por qualquer interessado, utilizando-se as ferramentas de consulta disponíveis. Assim, a Cofid elaborou um passo-a-passo para orientar e auxiliar aos interessados na realização desse tipo de pesquisa.

 

A Cofid verificou também que muitos questionamentos apresentam dúvidas gerais e recorrentes sobre fitoterápicos e medicamentos dinamizados e, então, além, do passo-a-passo para a realização da consulta de regularidade de empresas e produtos, este documento conta com uma seção de Perguntas e Respostas, que trata dessas principais dúvidas.

 

O documento pode ser obtido por meio do link:  http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Medicamentos/Assunto+de+Interesse/Medicamentos+fitoterapicos

 

Fonte:  Imprensa Anvisa

Evento permitiu troca de experiências entre advogados e dirigentes das entidades sindicais

 

 

 

 

Foi realizado nesta quarta-feira (15/4), em São Paulo, o Encontro Jurídico da CNTU que reuniu dirigentes e advogados de federações e sindicatos filiados para discutir questões e providências legais que dizem respeito às instituições e suas categorias. A diretora do Sinfarmig e da Fenafar, Júnia Lelis, integra o Departamento de Formação Sindical da CNTU e esteve presente no Encontro.

 

“Com esse debate, a CNTU cumpre o importante papel de assessorar os sindicatos da sua base”, afirmou José Carrijo Brom, coordenador do Departamento de Formação Sindical da entidade, que propôs o evento. O assessor jurídico da confederação, Jonas da Costa Matos, destacou a qualidade do intercâmbio de ideias e informações. “O nível foi muito elevado, foi uma aula de Direito. Acho que este deve ser o primeiro de muitos", comemorou.

 

 

Da esq. para direita, a diretora do Sinfarmig, Simone Santos, o assessor jurídico do Sindicato, Luciano Marques e a diretora da Fenafar e do Sinfarmig, Júnia Lelis

 

A continuidade da troca de experiências nesse setor, que é essencial para as entidades, foi consenso entre os participantes e deve ser constituído um fórum permanente, a ser coordenado pela advogada da CNTU, Silvia Machado Martins. "A iniciativa trará certamente o  fortalecimento coletivo e agregará conhecimento a todas as assessoria para que aprimorem o trabalho em prol dos profissionais", previu.

 

Trabalho
Na avaliação do presidente da CNTU, Murilo Celso de Campos Pinheiro, o encontro jurídico soma-se ao trabalho da entidade que vem se desenvolvendo “de forma muito positiva, na questão técnica e política”. Para ele, o sucesso alcançado pela CNTU até agora deve-se ao empenho que precisa ser mantido. “Temos que continuar a luta pensando principalmente em um Brasil melhor”, afirmou.

 

Fonte: Comunicação CNTU e Sinfarmig

Mais Artigos...