As negociações de Farmácia Hospitalar foram encerradas com o reajuste de 7% retroativo à data-base que é 1º de junho. “Aceitamos esse reajuste diante da ameaça de perdermos ainda mais”, explica a diretora do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais, Júnia Lelis.

 

Conforme a diretora, o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde de Minas Gerais (Sindhomg) agiu de maneira unilateral e autoritária ao fixar o reajuste, sem considerar as reivindicações da categoria, inclusive a de estabelecer um piso salarial para os farmacêuticos hospitalares.

 

A fixação do piso, no entendimento do Sinfarmig, é a única possibilidade de garantir uma remuneração mínima e digna para todos os farmacêuticos. “Sabemos que existe uma prática recorrente, denunciada constantemente pelos colegas, do recebimento de salários aviltantes pelos farmacêuticos hospitalares em todo o estado de Minas Gerais”, reiterou a diretora.

 

Para se ter uma ideia do desrespeito por parte do Sindicato dos Hospitais no decorrer do período de negociação, houve apenas uma reunião inicial no dia 15 de maio. A segunda reunião, marcada para o dia 26 de junho, foi desmarcada sem justificativa por parte do patronal e depois, através de e-mail, comunicaram a assessoria jurídica do Sinfarmig que o reajuste seria de 7% e deveria ser fechado até o final de julho sob pena de não pagamento desse mesmo reajuste retroativo ao mês da data-base. O Sinfarmig pediu nova reunião para ponderar com os patrões, mas não obteve resposta.  

 

A camisa de força imposta aos sindicatos dos trabalhadores da saúde pelo Sindicato dos Hospitais se ampara na reforma da lei trabalhista com a Emenda 45/2004, que autoriza levar a negociação para a justiça do trabalho, por meio do dissídio coletivo, somente se os dois sindicatos estiverem de acordo. “Com base nessa Emenda 45/2004, tão desfavorável aos trabalhadores, é que o sindicato patronal tem conduzido as negociações como querem, tomado a posição antissindical de não negociar ou negociar de forma vergonhosa como estamos vendo acontecer com todos os Sindicatos de Trabalhadores da Saúde. A Emenda 45/2004 não nos dá alternativas e nos vemos obrigados a aceitar o que está sendo imposto pelos patrões”, diz Júnia.
 

 

Avanço da lei 13021/14 permite planejar novas conquistas
Segundo a diretora do Sinfarmig, as boas expectativas neste ano surgiram por força da lei 13021/14 e se confirmaram em parte com a criação de  novos postos de trabalho para os farmacêuticos. Por causa da lei, há muito tempo não se via tamanha procura pelo trabalho dos farmacêuticos hospitalares o que é um ponto positivo porque é o reconhecimento da necessidade desse profissional dentro dos hospitais. Isso abre novas frentes para lutas e conquistas para o setor de farmácia Hospitalar.

 

Buscando alternativas para avançar

 

O Sinfarmig tem buscado alternativas para avançar no setor hospitalar e uma delas tem sido os Acordos Coletivos de Trabalho. Por meio dos Acordos, o Sindicato dos Farmacêuticos  vem conseguindo o que a Convenção Coletiva de Trabalho – negociada com o Sindicato dos Hospitais -  não permitiu estabelecer.  Um exemplo foi o Hospital da Baleia que fechou Acordo Coletivo de Trabalho com o Sinfarmig legalizando a jornada de trabalho de 12X36 e que instituiu piso salarial de R$ 3.610,80 para os farmacêuticos.
Legalização de jornada

 

De acordo com a Súmula 444, do Tribunal Superior do Trabalho, a jornada 12X36 só pode ser estabelecida mediante cláusula expressa na Convenção Coletiva de Trabalho ou por meio de Acordos  diretos entre as empresas e o Sinfarmig.

 

Ainda que o autoritarismo do Sindicato dos Hospitais esteja, temporariamente, obtendo êxito ao fixar o reajuste de maneira arbitrária, vamos continuar resistindo e só vamos negociar a implantação das jornadas 12X36 com obediência à Súmula 444 e aos direitos dos profissionais farmacêuticos”, frisou a diretora.

 

Ela enfatizou que o Sindhomg se nega a enxergar a nova realidade trazida pela legislação ao não aceitar sequer discutir um piso salarial para os farmacêuticos.  “Mas essa é uma bandeira muito clara para o Sinfarmig  e vamos continuar, sim, exigindo valorização, respeito, melhores condições de trabalho para os farmacêuticos e uma Convenção Coletiva de Trabalho mais justa e digna, lembrando que a participação de cada um é fundamental para avançarmos e garantirmos nossos direitos.

A Anvisa aprovou nesta quinta-feira (30/7) uma norma que deve reduzir a necessidade do uso de animais em testes para pedidos de registro de medicamentos, cosméticos, produtos para saúde, produtos de limpeza, entre outros produtos. De acordo com a nova regra, os métodos  alternativos ao uso de animais, já reconhecidos no país, pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), induzem as empresas a abandonar o uso de animais nos casos em que há alternativas de métodos para comprovação de segurança e eficácia dos seus produtos.

 

Na prática, uma empresa que precisar realizar um teste de irritação ocular, por exemplo, adotará métodos alternativos em vez do uso de animais, já que para o teste de irritação ocular existem alternativas validadas no Brasil.

 

No país, o órgão responsável pelo reconhecimento de métodos alternativos é o Concea. Atualmente já existem 17 métodos alternativos aprovados pelo órgão. Entre os testes alternativos estão procedimentos para avaliar irritação da pele, irritação ocular, toxicidade aguda e absorção cutânea, entre outros.

 

A medida da Anvisa garante que qualquer  metodologia alternativa reconhecida  pelo Concea será aceita pela Agência, mesmo que não estejam previstos em normas específicas ou que a norma de algum produto exija teste com animais.

 

O prazo para que cada método seja obrigatório é de cinco anos a partir da homologação dos métodos pelo Concea, já que a norma da Anvisa reconhece os métodos aprovados por aquele órgão.

 

Em setembro do ano passado o Concea publicou o reconhecimento do 17 métodos citados, ou seja, as empresas terão até setembro de 2019 para abolir totalmente os testes com animais que já foram reconhecidos.

 

Os métodos alternativos são aqueles que eliminam o uso de animais, reduzem a sua necessidade ou reduzem a necessidade de intervenção no animal.

 

Os testes já validados pelo Concea estão divididos em sete grupos:
Para avaliação do potencial de irritação e corrosão da pele
Para avaliação do potencial de irritação e corrosão ocular
Para avaliação do potencial de Fototoxicidade
Para avaliação da absorção cutânea
Para avaliação do potencial de sensibilização cutânea
Para avaliação de toxicidade aguda
Para avaliação de genotoxicidade

 

Fonte: Imprensa Anvisa

Pesquisa mostra que usuários do Mais Médicos dão nota nove, de dez, como nota média para o programa. O levantamento, feito pelo Grupo de Opinião Pública da Universidade Federal de Minas Gerais, mostra que 54% dos usuários entrevistados dão nota dez ao programa, criado em 2013 para levar médicos a regiões carentes.

 

Encomendado pelo Ministério da Saúde, o estudo aponta que, diferentemente do que os que são contra o programa pensavam, a maioria dos pacientes atendidos pelos médicos estrangeiros não sentiu dificuldades na comunicação. Os dados apontam que 84% não tiveram dificuldades de entendimento e que apenas 2% sentiram muita dificuldade.

 

Para Helcimara Telles, coordenadora da pesquisa, o que faz com que o programa seja bem avaliado é o atendimento médico. ”Mesmo que a infraestrutura da Unidade Básica de Saúde não seja muito boa, mesmo que faltem coisas, quando o atendimento médico é bom isso repercute bem na avaliação do programa”, defende a pesquisadora. Para a coordenadora, essa satisfação pode estar ligada à experiência dos médicos, já que 63% dos profissionais têm mais de dez anos de experiência, a maioria na atenção básica.

 

O perfil do usuário mostra que a maioria (80%) dos pacientes são mulheres, com filhos, renda de até dois salários mínimos e que 40% recebem bolsa família. “Isso mostra que o programa está atendendo o público alvo”, explica Helcimara.

 

Como desafios principais apontados pelos usuários, o levantamento destaca as dificuldades no acesso aos medicamentos, na marcação de consultas e na demora para receber o atendimento. Além disso, os pacientes também reclamam que não conseguem ser atendidos pelo mesmo profissional, o que dificulta o acompanhamento do histórico de saúde.

 

Comparando com o período anterior à chegada dos médicos do programa, 84% acham que o atendimento melhorou muito, 83% apontam melhora na duração da consulta e 81% acreditam que o profissional conhece mais os problemas de saúde do que os médicos anteriores.

 

Os resultados da pesquisa foram apresentados durante o 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Goiânia. As entrevistas foram feitas em Unidades Básicas de Saúde de 700 municípios de todas as regiões do país entre 17 de novembro e 23 de dezembro de 2014. A margem de erro é 1%.

 

Para a doutora em saúde pública e professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Lígia Bahia, o programa cumpriu um papel importante no atendimento em áreas carentes. “Ele não muda a estrutura do sistema público de saúde, mas ele foi capaz de levar assistência a uma parcela da população que não tinha”.

 

Ela destaca que os médicos cubanos são muito experientes e bons e que isso pode ter levado à avaliação tão positiva dos pacientes. No entanto, Lígia contesta o modelo de dar uma nota ao programa. “Uma nota resumo não é um método adequado para uma pesquisa de satisfação do usuário. Para mim, uma nota nove não quer dizer nem que o sistema é excelente e nem que não funciona.”, defende,

 

*A repórter viajou a convite da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco

 

Fonte: Agência Brasil

Doutor em Saúde Pública, o médico Luis Eugênio Souza informou hoje (30) que são dois os principais desafios nos serviços do setor: a formação de profissionais de saúde descolada das necessidades e o subfinanciamento da rede pública de saúde.

 

“Temos uma oferta insuficiente de profissionais e uma formação centrada em doenças tratáveis em hospitais e que negligencia os problemas de atenção primária, mais comuns na sociedade e que, se tratados, evitam os mais complexos. Segundo ele, de forma geral há uma educação centrada nas doenças raras.

 

Na véspera do fim do seu mandato de três anos como presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o professor do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia conversou com a reportagem da Agência Brasil sobre o sistema de saúde brasileiro.

 

Durante o 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o professor explicou que muitos procedimentos, hoje feitos apenas por médicos, poderiam ser de responsabilidade de outros profissionais. “Por exemplo, a maioria dos países com sistema universal usa a figura do optometrista, que não pode fazer cirurgias, não trata doenças, mas é capaz de identificar o grau de sua miopia, hipermetropia, astigmatismo”.

 

A classe médica é contra a regulamentação da profissão, mas o professor avaliou o posicionamento como corporativismo. Outro exemplo usado por ele é o parto. “Em outros sistemas, temos as enfermeiras obstetrizes. Não é preciso médico para fazer todo parto natura.l”

 

Financiamento

 

Sobre o financiamento público de saúde, ele fez um comparativo entre o gasto anual por habitante no Brasil e outros países com sistema universal de saúde. Enquanto a média entre Inglaterra, Canadá, Japão e Austrália é de U$ 3 mil por habitante/ano, o Brasil gasta em torno ds U$ 500. Na rede privada brasileira são gastos cerca de U$1.500 por ano. Durante a abertura do congresso, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, concordou que falta dinheiro.

 

A saúde pública brasileira, que tem como objetivo constitucional servir aos cidadãos de forma integral, tem, segundo Luis Eugênio, basicamente três fontes de doenças que precisam de diferentes tipos de atenção. São as infecciosas, as crônicas e as decorrentes de vários tipos de violência.

 

“O grande problema é organizar um sistema de saúde capaz de tratar dessa tripla carga de doenças. Isso exige competências diversificadas, entre elas a construção de redes de atenção à saúde, boa rede disseminada pelo território nacional, cobertura de atenção primária a saúde, por meio do fortalecimento da estratégia de saúde da família, e, ao mesmo tempo, estratégia especializada e que garanta segmento aos problemas das pessoas que necessitam de outros recursos tecnológicos. Para isso, é preciso dinheiro”, esclareceu o professor.

 

Avanços

 

Apesar das críticas, Souza destacou que o Sistema Único de Saúde (SUS) merece parabéns por uma série de motivos. Segundo ele, a conquista mais importante da saúde brasileira foi o controle das doenças passíveis de prevenção por vacinação.

 

 

"Também merecem elogios o Samu, programa Brasil Sorridente, a rede de saúde mental, que reduziu significativamente os leitos psiquiátricos, uma tendência mundial, e a rede Caps [Centros de Atenção Psicossocial], articulada em poucos anos, que ainda tem problemas, mas é um avanço”.

 

Para o especialista, outros avanços na saúde pública são a estratégia de saúde na família e as parcerias de Desenvolvimento Produtivo, que trazem tecnologia à produção de remédios para o Brasil.

 

A Abrasco é a entidade que, em 1988, esteve envolvida na construção do Sistema Único de Saúde, em 1988. O ministro da saúde, Arthur Chioro, que é médico sanitarista e doutor em Saúde Coletiva, foi membro da entidade e esteve na abertura do 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, nessa quarta-feira (29), explicando os gargalos da saúde pública brasileira e apontando caminhos adotados pelo governo.

 

*A repórter viajou a convite da Abrasco

 

Fonte: Agência Brasil - Aline Leal - repórter

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