Por Renata Mielli, de Cuiabá

 

A solenidade de abertura do 8º Congresso da Fenafar foi uma marca da representatividade e do respeito político que a entidade acumulou nestes 40 anos de existência. A atuação em defesa da categoria, a luta incessante em defesa da saúde público, que se desdobra da defesa do Sistema Único de Saúde, e a luta em defesa da soberania nacional e da democracia tornaram a Fenafar uma referência de todo o movimento farmacêutico e sindical no Brasil.

 

 
No salão lotado, com a presença de representantes de 24 estados, as entidades anfitriãs dos eventos (Federação Nacional dos Farmacêuticos, Escola Nacional dos Farmacêuticos, Sindicato dos Farmacêuticos do Estado do Mato Grosso e o Conselho Regional de Farmácia do Mato Grosso receberam para o ato o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Universitários regulamentados, Murilo Celso de Campos Pinheiro, Esdras Daniel dos Santos Pereira, representando a Secretaria da Gestão Participativa do ministério da Saúde, Marco Aurélio Pereira, representando o Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, Margarethe Gomes Chaves, representando o Secretário de Saúde do Estado de Mato Grosso e vice-presidente do do CONAS Centro-Oeste, Altamiro José dos Santos representando o Conselho Federal de Farmácia, José Ribeiro, consultor da Organização Internacional do Trabalho – OIT, Ademir Valério da Silva, da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), Luciano Soares, representando a Associação Brasileira do Ensino Farmacêutico (ABEF), Nara Teixeira, presidente da CTB de Mato Grosso, João Luis Dourado, presidente da CUT-MT, Cristiane de Oliveira Rodrigues - Coordenadoria de Assistência Farmacêutica de Cuiabá.
 

 

Todos os presentes fizeram breves saudações destacando o papel fundamental da Fenafar para avanços obtidos recentemente pela categoria como a aprovação da Lei 13.021, a atuação decisiva para aprovação de outros projetos fundamentais para a categoria como o PLS 4135/2012, que torna obrigatória a presença do farmacêutico SUS.
 

 

O presidente do Conselho Regional de Farmácia/MT e Diretor Regional Centro-Oeste da Fenafar, Alexandre Henrique Magalhães, saudou a presença de todos os participantes “que estão discutindo conjuntura, os desafios da profissão, a defesa da saúde e da Assistência Farmacêutica, contribuindo para fortalecer as lutas da nossa categoria, para que o medicamento deixe de ser tratado como mercadoria, ele tem que ser tratado como um insumo de saúde e com o farmacêutico na frente deste processo para que no seu trabalho o ele possa cuidar bem das pessoas”. Ele destacou que “pela primeira vez aqui no Mato Grosso temos um evento com tamanha representatividade”.
 

 

Wille Calazans, presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Mato Grosso, falou da importância de “estarmos reunidos aqui entre farmacêuticos” para debater e reforçar a unidade da categoria para lutar em defesa da profissão, e destacou o papel da Fenafar. “A luta pela aprovação da Lei 13.021 foi muito grande e a Fenafar esteve com todos nós. E foi através da nossa união que conseguimos e hoje podemos dizer que temos uma farmácia como estabelecimento de Saúde”.
 

 

Formulação de políticas públicas
 

 

A presidente da Escola Nacional dos Farmacêuticos, Silvana Nair Leite, sublinhou que a solenidade de abertura do 8º Congresso da Fenafar, do 7º Simpósio Nacional de Assistência Farmacêutica e do 5º Encontro dos Farmacêuticos no Controle Social “mostra a representatividade do nosso evento e como temos construido nossas ações coletivamente”.
 

 

Ao destacar a missão da Escola, Silvana falou da importância de se “construir essa ideia, de termos essa instituição que se preocupa com a qualificação do farmacêutico não só técnicamente, mas para contribuir com a formulação de políticas públicas”. Neste processo, os vários seminários e outras atividades desenvolvidas deram vida a este projeto, “contribuindo para a construção e avaliação de uma política fundamental para a nossa categoria, que é a Política Nacional de Assistência Farmacêutica”, e destacou a realização das oficinas de avaliação da PNAF que contou com a participação expressiva de farmacêuticos e de outros atores sociais em 2014, e agora, em 2015, a realização de 19 encontros estaduais de farmacêuticos preparatórios para a 15ª Conferência Nacional de Saúde, “onde os farmacêuticos participaram efetivamente para preparar a sua intervenção na Conferência”.
 

 

Atuação em prol da categoria
 

 

Ronald Ferreira dos Santos, presidente da Fenafar, fez a fala de encerramento da solenidade. Ao cumprimentar cada um dos membros da mesa, Ronald foi resgatando a atuação mais recente da Fenafar, no controle social, na luta contra a entrada do capital estrangeiro na saúde, no movimento Saúde + 10, a sua participação no debate da educação farmacêutica, a maior integração da Fenafar na agenda do trabalho decente, a defesa do profissional liberal.
 

 

O presidente da Fenafar também trouxe aos delegados uma informação importante para a categoria. Depois de tramitar por três legislaturas, o projeto de lei que reduz a jornada de trabalho do farmacêutico para 30 horas semanais, foi arquivado definitivamente no Senado Federal em março. “Mas hoje, no mesmo dia da abertura do nosso Congresso, tivemos uma notícia muito importante para a luta por melhores condições de trabalho para a nossa categoria e para a nossa valorização profissional. Hoje, 6 de agosto, a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) reapresentou nosso projeto no Senado, e agora ele tramita como PL 513/2015”.
 

 

Honra, verdade e coragem para defender a democracia
 

 

Refletindo um pouco do que foi o debate ao longo do primeiro dia do Congresso, o presidente da Fenafar fez uma breve reflexão sobre “a nossa responsabilidade neste momento que estamos vivendo hoje no Brasil e no mundo. A humanidade enterrou há 70 anos o projeto de uma força política que se alimenta do preconceito, da lei da força e não da força da lei”, afirmou se referindo ao fascismo de Hitler. Mas, alertou, “esse pensamento, essa ideologia, ressurge hoje de forma assustadora. Por isso, esse cuidar bem das pessoas, presente no slogan do nosso Congresso, por isso resgatar a solidariedade, a centralidade do trabalho, temas que estão no centro dos debates do nosso 8º Congresso”.
 

 

Ronald dos Santos finalizou referindo-se ao presidente boliviano, Evo Morales. “Um índio que se baseia em três valores que me inspiram – ser honrado, não mentir e não ser frouxo. Os três princípios da tribo Aimará. É disso que precisamos para enfrentar a turbulência que estamos atravessando. Não podemos fazer concessão à intolerância, ao ódio e ao preconceito. Temos que sair daqui com essa mensagem, voltar para nossos estados e ir para as ruas para enfrentar essa luta! E nosso encontro nas ruas é no próximo dia 20 de agosto!”.
 

 

Fonte: Fenafar - Publicado em 07/08/2015

O 8º Congresso da Fenafar teve um debate específico sobre Trabalho e Educação - O trabalho como centro no processo de Formação profissional. A presidente da Escola Nacional dos Farmacêuticos, Silvana Nair Leite, apresentou dados que constam do Caderno de Debates do 8º Congresso sobre o tema e disse que "certamente todo esse cenário apresentado impõe grandes desafios".
 

 

O coordenador nacional da Associação Brasileira de Ensino Farmacêutico (ABEF), Paulo Arraes, foi o primeiro palestrante. Ele destacou que a atuação de um profissional está intrinsecamente relacionada com a sua formação, e que as mudanças no sentido de se melhorar a formação curricular é um desafio e, acima de tudo, um compromisso que os profissionais farmacêuticos têm com a sociedade.
 

 

"Qual o farmacêutico do século XXI que nós queremos para atuar na saúde pública, em prol do cuidado integral à saúde do indivíduo, da família e da comunidade? As diretrizes curriculares devem promover uma melhor formação do farmacêutico. As universidades devem se abrir mais ao diálogo, e os sindicatos são importantes nesse processo", pontuou o palestrante.
 

 

Em sua fala, ele fez um histórico da atuação do farmacêutico, mostrando a trajetória da profissão farmacêutica no Brasil, e destacou que o farmacêutico do século XXI encontra dificuldades. "Com a reforma sanitária e a instituição do SUS, a gente percebeu um novo horizonte para o farmacêutico, com a possibilidade de uma nova identidade, mas o profissional muitas vezes não tem o preparo necessário para essas práticas profissionais, porque simplesmente ele não teve a oportunidade de aprender como fazer isso, e então a Associação Brasileira de Educação Farmacêutica e outras entidades têm promovido ações para atacar estas questões".
 

 

Entre os pontos críticos das políticas educacionais, Paulo Arrais citou a abertura excessiva de cursos e a sua distribuição inadequada pelo país, a dificuldade de harmonização da formação e limitação das políticas integrativas. Mencionou, também, a formação essencialmente tecnicista, as dificuldades de execução de uma matriz curricular, e do currículo, a falta de interação entre a teoria e a prática, além da precarização dos recursos humanos.
 

 

A questão da metodologia de ensino, por exemplo, necessita, segundo ele, de uma reavaliação. Falta capacitação profissional para a docência e, ao mesmo tempo, existe um excessivo número de alunos por turmas, além de outros problemas.
 

 

"Se somarmos todas essas dificuldades apontadas, e levando em conta também os vários problemas brasileiros, a gente já vai pensando um pouco na condição do farmacêutico atual e sua formação. Precisamos de uma formação com qualidade. Temos que preparar o profissional farmacêutico para o desempenho das atividades voltadas para a saúde", assinalou ele.
 

 

Segundo Arrais, também é preciso divulgar mais o papel do farmacêutico, para que a sociedade o valorize mais e, para isso, os profissionais devem buscar mais espaço na mídia.
 

 

Perspectivas
 

 

Para o diretor de Gestão da Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Alexandre Medeiro, algo muito importante para o profissional farmacêutico é ter consciência das perspectivas. Em sua palestra, ele falou sobre os desafios para a saúde no Brasil e destacou que o conhecimento das perspectivas é uma forma de melhorar as condições de trabalho.
 

 

Um dos fatores relevantes, segundo ele, é o processo de envelhecimento. "A sociedade precisa se preparar para isso, e, dentro da perspectiva do farmacêutico, o profissional tem que estar preparado para trabalhar levando em consideração as mudanças no perfil etário da população", pontuou ele.
 

 

Além disso, o palestrante mencionou os problemas quanto às doenças infecciosas e os desafios para a educação na saúde. Para um reflexo imediato, segundo ele, é preciso sobretudo melhorar as condições de trabalho do profissional farmacêutico. "Para se ter uma educação de qualidade é preciso integrar o mundo do trabalho ao mundo da educação", recomendou Alexandre.
 

 

Transformações
 

 

Em sua fala, a pesquisadora e professora do Departamento de Saúde Coletiva e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UNB Magda Scherer destacou que a primeira questão que precisa ser estudada é o trabalho. O que está mudando, que impacto as transformações tecnológicas vão ter na formação profissional, o que é preciso conhecer e quem participa do processo, bem como que formação desenvolver. Fazendo isso, segundo ela, é possível compreender o trabalho para transformá-lo.
 

 

"Como o trabalho produz a sociedade em que vivemos? O trabalho é produto da história e está em constante transformação", observou a professora, acrescentando que os conhecimentos e as relações sociais foram construídos ao longo da história, e que os saberes acumulados e transformados em normas de vida são uma conquista da humanidade.
 

 

A palestrante também frisou que o trabalho é produto da sociedade, e que a tentativa de padronizar tudo acabou fracassando, estabelecendo um rompimento da unidade entre concepção e execução. No campo farmacêutico do Sistema Único de Saúde (SUS), em que o produto é a assistência farmacêutica, ela disse que as diferenças em relação a outras categorias são grandes.
 

 

Busca de respostas
 

 

Dilemas, crises, sofrimentos, impasses relacionados às condições e formas de gestão de trabalho. O que acontece que os trabalhadores estão adoecendo? Na avaliação da professora Magda, estudos minuciosos detectaram que há uma grande distância entre o que é prescrito e aquilo que é efetivamente realizado. No trabalho há um entrecruzamento entre normas e valores construídos no âmbito macro e micro da vida, em confronto com a experiência de vida dos indivíduos e coletivos, na relação dialética com o meio, tudo ancorado num campo histórico e social.
 

 

"Tentar aprisionar as pessoas, fazer exatamente o que está prescrito, é algo impossível e não vivível. O tempo inteiro na busca de eficácia, a gente renormaliza protocolos. A distância entre o prescrito e o real pode levar a uma redefinição de protocolos importante para o trabalhador. No caso do farmacêutico, ficar exatamente no que é prescrito é impossível, porque o profissional se anula. Quanto o trabalho nos engaja e quanto ele nos custa?", colocou a sanitarista.
 

 

Conhecer o trabalho, segundo ela, requer conhecer os sujeitos e o contexto do trabalho. "Deve-se ouvir o outro e respeitar as diferenças, e a partir das experiências individuais e coletivas, é preciso pensar em novas alternativas."Trabalhar é gerir o conteúdo da distância entre o prescrito e o realizado, continuamente renovados", concluiu a sanitarista.
 

 

Durante o debate, que contou com a participação de vários farmacêuticos e estudantes presentes no Congresso, algumas preocupações foram levantadas, entre as quais como garantir maior interação entre o movimento sindical e os trabalhadores farmacêuticos com as organizações e os setores acadêmicos que estão discutindo as diretrizes curriculares para os cursos de farmácia. Também, foi bastante enfatizado a necessidade de se realçar o farmacêutico como profissional do medicamento, que atua em toda a cadeia do medicamento.
 

 

Colaborou Luiz Perlato, jornalista do CRF-MT

 

Publicado em 06/08/2015

 

Fonte: Fenafar

O 8º Congresso da Fenafar começou com uma reflexão profunda do cenário político nacional e internacional, e o papel do trabalho no enfrentamento da crise política e econômica.

Por Renata Mielli, de Cuiabá

 

 

 

 

Os convidados para debater o tema foram o jornalista Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, a professora Madalena Guasco, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino – Contee e o dentista Mauro Rubem, presidente da Central Única dos Trabalhadores de Goiás. O vice-presidente da Fenafar, Rilke Novato coordenaou o debate.
 

 

A partir de abordagens distintas sobre o atual cenário político, um consenso fundamental ficou explícito e condicionou, de certo modo, todas as análises: a de que “o quadro é de muitas incertezas e tensão no mundo, na América Latina e no Brasil. Vivemos um momento de mais dúvidas que certezas, daí a importância de parar e refletir', afirmou Altamiro Borges no início de sua intervenção.
 

 

Miro, que foi o primeiro a falar, foi taxativo ao dizer que diante deste quadro é imperativo “mudar os nossos hábitos e posturas dentro do movimento sindical e lutar muito mais. Quem estiver na mesmice, do dia após o outro, tem que parar. O quadro não está fácil. É preciso revolucionar as práticas”.
 

 

Crise sistêmica e prolongada
 

 

Ao descrever a grave situação econômica internacional, o jornalista destacou que se trata de uma crise sistêmica do capitalismo, de longa duração, que atinge o conjunto dos países, não apenas os periféricos, mas os pólos dinâmicos do sistema, como Japão, Estados Unidos, e a Europa. Ele destacou que uma das principais consequências da crise é o ataque aos direitos sociais e trabalhistas. Para ilustrar esse ataque, Miro citou os índices históricos de arrocho salarial e de desemprego nos EUA, e o corte linear de salários da Grécia da ordem de 25%, o mesmo ocorrendo na Espanha, Itália e Alemanha.
 

 

Neste cenário se deu um fenômeno chamado por muitos economistas de “desenvolvimento combinado e desigual do capitalismo – enquanto algumas potências entraram em declínio, países emergiram, com destaque para os que compõem os BRIC's, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Esses países cresceram em taxas econômicas razoáveis, chegamos a ter no Brasil um PIB de 7,4%. Eles se articularam, criaram um Banco, e tomaram iniciativas para aumentar a sua integração, mas agora também são atingidos pela crise”, alertou Miro.
 

 

Ele explicou que para escapar da crise, esses países adotaram políticas anticíclicas – medidas para estimular o mercado interno – como a administração de preços de energia, petróleo; desoneração de impostos – 56 setores da economia tiveram seus impostos reduzidos. Medidas que na crise podem manter a economia em funcionamento. “Só que isso cobrou o seu preço e gerou problemas fiscais. Se a crise fosse rápida daria para navegar – mas como a crise é prolongada o governo precisou adotar medidas de ajustes, que acabaram recaindo para os trabalhadores”, disse.
 

 

O ovo da serpente fascista choca
 

 

Altamiro BorgesAltamiro BorgesEsse quadro econômico, de acordo com Altamiro, “gera manifestações políticas. Citando Gramsci, o velho não morreu e o novo ainda não se consolidou. Nestes períodos históricos algumas coisas assustadoras aparecem. Estamos vivendo extremos. Na Europa reaparece o neofacismo, manifestações de preconceito anti-imigrantes, porque os imigrantes estão atrapalhando o seu emprego. Ou seja, o ovo da serpente fascista choca. Nós estamos vendo isso em vários países da Europa, nos EUA, e também na América Latina. Ao mesmo tempo, há a resistência a esta ofensiva do capital, com explosão de revoltas sociais que se consolidaram como alternativas de poder, como o Podemos na Espanha e o Syriza na Grécia”.
 

 

“Mesmo neste cenário de alternativa a vida não tá fácil.... O Syriza ganhou a eleição na Grécia e vem a Troika e impõe um acordo de austeridade fiscal. Para se contrapor o governo faz um plebiscito que rejeita o pacote de austeridade. Ai, vem a Merkel [presidenta da Alemanha] e vai para cima da Grécia, gerando um estado de líquidez na economia grega, com os bancos fechando. É a chantagem do capital, é a ditadura dos banqueiros. Mesmo com apoio popular, com um plebiscito dizendo não à austeridade, diante da chantagem econômica o governo se viu obrigado a ir para a televisão e dizer que não dá para resistir e que precisa assinar um acordo. A Grécia está vendendo ilhas, patrimônio físico, estuda a venda do Paternon”, informou Miro.
 

 

Integração irrita a elite e o imperialismo
 

 

A professora Madalena Guasco destacou, como a política de integração latino-americana feita pelos governos “irritou” a elite brasileira e os Estados Unidos. “A aproximação do Brasil dos países aqui da América Latina, com o fortalecimento do Mercosul, com troca de elementos de desenvolvimento de um país para outro, isso irritou o imperialismo norte-americano que não tem interesse em que a América Latina se fortaleça como região e atue com soberania. Irritou também uma elite brasileira que odeia o fato de sermos latino-americanos e de não sermos europeus. Irrita porque essa política de desenvolvimento social interno, usando o Estado como indutor, trouxe direitos sociais que sempre foram negados historicamente no Brasil e nos países vizinhos. Isso irrita a elite brasileira e internacional”.
 

 

E no Brasil o impacto também é profundo

 

 
Altamiro Borges também se referiu ao cenário político nacional. Para ele, “a eleição de 2014 mostrou o esgotamento de um ciclo político no país – iniciado com a vitória de Lula – que mudou a linha de atuação do país sem ruptura, fazendo um condomínio de classes, no qual o Lula era o síndico. Uma projeto que estimulou o mercado interno, enfrentou a miséria, estabeleceu relações mais democráticas com o movimento social, uma política externa mais ativa e altiva, e que nesta onda de crescimento da economia permitiu que se atacassem gravíssimos problemas sociais. Foram incluídas 19 milhões de pessoas no mercado de trabalho, foi dado o direito às pessoas terem refeição, chegou energia elétrica em várias cidades que viviam de lampião, tudo isso foi uma pequena revolução. O resultado apertadíssmo da eleição, mostrou que o voto foi para evitar um retrocesso na eleição presidencial, mas no Congresso Nacional tomamos um tombo. Parlamentares importantíssimos não foram eleitos. O PT que tinha eleito 94 deputados em 2010, elegeu 50. Em compensação cresceram a bancada da bala, a bancada evangélica e a a bancada do agronegócio. A direita cresceu, a ponto de eleger para a presidência da Câmara dos Deputados, um lobista chamado Eduardo Cunha, que defende o dia do orgulho hetéro, a redução da maioridade penal, um representante da direita orgânica no Brasil”.
 

 

Na sua avaliação, “não estamos vivendo no Brasil apenas uma retomada das ideias neoliberais de desmonte do trabalho, do Estado e da Nação, estamos vivendo uma retomada da onda neofacista. Mas isso teve início a mais tempo e que agora ganhou mais peso na sociedade”.
 

 

Mídia como simulacro
 
Os palestrantes também fizeram uma crítica profunda à mídia brasileira, que segundo Miro “é o principal partido da direita brasileira. A mídia é a grande força oposicionista, ela que agenda a política e faz a cabeça de milhões de pessoas, porque a mídia são empresas privadas que têm interesses econômicos e políticos.
 

 

Madalena Guasco - Madalena destacou que a mídia atua como simulacro. “Nenhuma mídia consegue fazer simulacro sem base real. O que a mídia faz é não relacionar A com B nas notícias que dá. A mídia não se coloca contra a corrupção, ela se coloca contra a corrupção da Petrobras e do PT. Corrupção tem em todos as esferas da sociedade brasileira. Se eles fizessem a luta contra a corrupção eles teriam questionado o fato de o Congresso Nacional ter votado uma reforma política que manteve o financiamento privado de campanha, a principal base da corrupção na política. Eles lutam para minar, sangrar o governo. As explicações são muito rápidas. E nós temos dificuldade de travar esse debate no campo das ideias”.
 

 

No Brasil a crise é política e econômica

 

 
“Muitos estão polemizando se o Brasil está vivendo uma crise política ou uma crise econômica. Nós estamos vivemos uma crise política e econômica dialeticamente relacionadas”, afirmou a professora Madalena Guasco.
 

 

Madalena ressaltou também que é importante reconhecer que uma parte da crise política e econômica é fruto de erros cometidos pelo governo. “A medida que o governo tomou para enfrentar a crise econômica é a pior, porque vai levar a recessão e ao desemprego. O governo também tem dificuldade de articular a sua base e de conversar com o movimento social. Aquela atitude que o governo Lula tinha de conversar com os movimentos sociais foi abandonada. O movimento sindical nacional ficou sabendo das medidas impopulares pelo noticiário e isso traz um problema político, porque fortalece justamente as forças conservadoras e ai nós ficamos numa defensiva”.
 

 

Para o presidente da CUT-GO, Mauro Ruben, é fundamental analisar os erros que foram cometidos neste período. “Não podíamos esperar que o governo fizesse o papel dos movimentos sociais, mas esperávamos que o governo tivesse cumprido melhor o seu papel de fazer uma debate político na sociedade. Não construímos um núcleo, um pensamento crítico. Nós criamos uma grande massa de incluídos”, mas para ele foi um erro não ter discutido com a sociedade o sentido destes programas, colocando-os como “programas republicanos, ignorando a luta de classes”.
 

 

A presidente da Contee alertou para um problema que precisa ser considerado quando avaliamos a atuação do movimento sindical nesta conjuntura. Na sua avaliação, estamos vivendo um umomento de defensiva, “mas a defensiva que vivemos hoje é diferente da defensiva que viviámos na época do FHC. Aquela era uma defensiva no contexto de resistência à aplicação de um projeto neoliberal. Hoje nós estamos na defensiva numa crise mundial do capitalismo e contra uma crise econômica no âmbito de um projeto que nós ajudamos a construir, é uma defensiva de outra qualidade. Porque se não soubermos nos colocar neste debate vamos deixar o capital ganhar, de outro lado também não podemos fazer coro com os setores golpistas”.
 

 

O que fazer?
 

 

Diante desta crise, de um quadro de incertezas, o que fazer? Como retomar o crescimento? Para a professora Madalena Guasco “temos que estabelecer um diálogo de como ser protagonistas e ao mesmo tempo ter clareza de que não podemos ser objeto de ação da direita e dos facistas. Não é uma situação fácil. Temos que ser protagonistas na hora de ir para a rua, mas temos que ter voz para falar. Nós vamos ser ouvidos como se todas as medidas para enfrentar a crise são recessivas e para retirar direitos dos trabalhadores?”, pergunta.
 

 

E ela mesma procura responder dizendo que só tem uma clareza; “temos que defender o que eles querem nos tirar, que é a nossa soberania, temos que defender a Petrobras. Temos que impedir que eles coloquem o Brasil dentro da abertura da OMC, acabando com o papel do Estado. Temos que defender o SUS, que eles querem privatizar, a Educação Pública, que eles querem privatizar. Então, apesar das críticas que eu tenho a atual condução política, a forma de enfrentamento da crise econômica, eu não tenho outra saída a não ser ir para a rua contra o golpe, em defesa do Estado de Direito, em defesa da democracia e por mais direitos”.
 

 

Para o presidente da CUT, é o momento de sair às ruas e o próximo encontro marcado é o dia 20 de agosto, por mais direitos e em defesa da democracia.
 

 

Na avaliação de Altamiro Borges, os setores da direita estão dividos entre duas tendências, uma que defende o impeachment e outra que quer manter um processo de desistabilização e engessamento da Dilma e o desgaste da esquerda e de outras lideranças, como Lula. “Seja um ou outro cenário, estamos correndo risco de um grande retrocesso. Diante disso, temos que ter uma atividade muito radical, sair da mesmice, não dá para achar que está tudo bem e que eu vou tocando a vida do sindicato. Se houver uma onda regressiva o seu sindicato acabou. A mentalidade só da luta econômica, só da luta da categoria, de só cuidar da máquina do sindicato, essa mentalidade não serve para este momento. Este momento exige muita coragem para enfrentar o debate de ideias, exige colocar o trabalhador nas ruas contra a direita e por avanços nos direitos”, concluiu Miro.
 

 

Fonte: Fenafar - 06/08/2015

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou hoje (6), em Brasília, a terceira fase de testes para a vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. O objetivo desta última etapa é estudar a eficácia do medicamento em cerca de 17 mil pessoas entre 18 e 59 anos.

 

A CTNBio, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, é responsável pela aprovação de estudos de medicamentos que contêm organismos geneticamente modificados.

 

A vacina do Butantan é 100% brasileira e usa diferentes tipos de vírus da dengue alterados geneticamente. O medicamento é tetravalente, ou seja, tem potencial para proteger contra os quatro tipos da doença com uma única dose. Na segunda fase de testes da vacina, aplicada em cerca de 200 voluntários humanos, os resultados foram considerados satisfatórios pelo instituto e pela CTNBio.

 

A previsão do Butantan é que a última rodada de testes comece em setembro deste ano, mas isso ainda depende de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). A terceira fase deve durar cerca de um ano. Em abril, o instituto protocolou na Anvisa uma solicitação, ainda não respondida, para antecipar a fase final de testes do medicamento.

 

Os resultados da terceira fase serão apresentados novamente à CTNBio. Se a eficácia da vacina for comprovada, seguirá para a Anvisa para registro comercial.

 

Quem tiver interesse em contribuir com os estudos pode se inscrever como voluntário no site do Instituto Butantan:

 

http://www.butantan.gov.br/producao/ensaios/Paginas/default.aspx

 

Fonte: Agência Brasil

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