Diante da crise política e econômica, a Fenafar aponta para a luta em defesa da democracia e dos direitos sociais. A defesa do SUS se insere neste contexto. O Presidente da Federação aponta que é preciso combater o golpismo da direita e, também, rejeitar as medidas que atentam contra os direitos sociais. A criação de uma Frente Nacional em Defesa do SUS é urgente diante dos ataques à saúde pública.
 

 

Em seu 8º Congresso, realizado a pouco mais de 1 mês, a Fenafar debateu a conjuntura nacional, destacando que a atual crise política e econômica tem vários condicionantes com destaque para três: os impactos da crise internacional; a ação golpista dos setores de oposição derrotados nas eleições de 2014, que tentam impor uma agenda neoliberal para a política econômica e antecipar o fim do governo; e o esgotamento do projeto político iniciado em 2003 com a eleição de Lula.
 

 

Para sair dos impasses e superar a crise, a Fenafar apontava que era preciso recompor à base social que garantiu a vitória da presidenta Dilma Rousseff a partir da retomada da agenda política consagrada nas urnas: mais mudanças e mais avanços, que se traduziam em ampliação dos direitos sociais, como educação, saúde e moradia; investimentos em infraestrutura e ampliação das políticas de redução das desigualdades.
 

 

Também, empreender um grande movimento social contra o golpismo e o avanço das forças conservadoras que, com o apoio da mídia, apostam no quanto pior melhor para desestabilizar o país, o governo e, assim, abreviar o mandato legítimo da atual presidenta.
 

 

“Toda esta análise do Congresso da Fenafar continua atual e as resoluções que aprovamos nos dão a orientação de como devemos atuar neste cenário político. Somos contra o golpismo da direita. E para combater essa onda conservadora o caminho é valorizar a soberania popular”, afirma o presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos.
 

 

Entre as resoluções aprovadas, uma em particular (o item 32 de conjuntura nacional) não deixa dúvidas sobre como a Federação deve se posicionar diante da ofensiva dos setores de oposição que tentam abrir um processo de impedimento da presidenta da República: “Defender intransigentemente a democracia e a soberania do voto popular, repudiando tentativas de setores da sociedade, apoiados pela grande mídia, que querem impor o impeachment ao mandato da presidenta Dilma".
 

 

O presidente da Fenafar explica que “não há nada que implique a presidenta Dilma. E não se pode abreviar um governo eleito democraticamente pelas urnas em razão de problemas na economia, problemas sociais. Se fosse assim, como garantir a estabilidade das instituições? Além disso, que garantias temos de que abreviar um governo eleito pelo povo e substituí-lo por outro que não possuí legitimidade popular será a solução para a crise econômica e política?”, questiona Ronald.
 

 

Na sua avaliação, a resultante deste processo de golpe em curso no país pode ser exatamente a contrária. “Temo que possa haver um aprofundamento da crise política e uma intensificação da crise econômica. Não tenho dúvidas que a receita dos setores da oposição para superar o déficit no orçamento do governo federal será ainda mais perverso do que os ajustes divulgados pelo atual governo. A agenda da direita é a criação de taxas para a utilização dos serviços públicos de saúde, ou seja, acabar com o acesso gratuito para o SUS, é cortar ainda mais os recursos para a saúde, é acabar com a gratuidade das universidades públicas, é acabar com a política de conteúdo nacional para estimular a indústria brasileira e proteger a economia interna, é usar os royalties do pré-sal para fazer superávit primário e não para investir em melhorias na saúde e educação. Essa agenda não é a nossa. Sairemos às ruas para impedir esse grave retrocesso”, alerta Ronald Ferreira dos Santos.
 

 

Ajustes do atual governo não contemplam agenda dos movimentos sociais
 

 

Ser contra o golpismo da direita e defender o mandato da atual presidenta não pressupõe que a Fenafar apoie incondicionalmente todas as ações e medidas que vem sendo adotadas pelo atual governo.
 

 

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (14) um pacote econômico emergencial que pretende redefinir o orçamento para 2016 e enfrentar a crise econômica em curso. O objetivo é reduzir os gastos do governo em R$ 26 bilhões. “Infelizmente, o enxugamento dos gastos proposto atinge os trabalhadores, a classe média e os mais pobres, que deverão pagar a parte mais salgada da conta”, lamenta Ronald.


 
“Somos contra o sentido geral dos ajustes anunciados que, mais uma vez, atendem aos interesses dos grandes agentes econômicos do país. Há medidas muito ruins e que vamos lutar para que não sejam efetivadas. Entre elas, as que atingem os servidores e paralisam os concursos, além dos cortes anunciados na Saúde. Por outro lado, somos favoráveis as iniciativas que visem taxar a renda dos setores mais ricos da sociedade. Mas, estas medidas no ajuste apresentado ainda são tímidas diante do que poderiam ser, como a efetiva taxação das grandes fortunas e das grandes transações financeiras”, avalia o presidente da Fenafar.
 


Taxar fortunas é socialmente justo e economicamente eficiente
 


Uma das principais bandeira da Fenafar e do movimento social é a taxação das grandes fortunas. Atualmente o Brasil e um dos únicos países do mundo que não tem uma política para taxar os setores ricos da sociedade. Segundo estudo apresentado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) à Subcomissão Permanente de Avaliação do Sistema Tributário Nacional do Senado, na noite desta segunda (14), o governo poderia arrecadar cerca de R$ 43 bilhões ao ano, o suficiente para cobrir o rombo orçamentário previsto para 2016, se taxasse em 15%, via imposto de renda, os lucros e dividendos recebidos por acionistas de empresas.


 
Hoje, de acordo com legislação aprovada

Pesquisador do Ipea estima que novas fontes de recursos propostas pelo CNS podem elevar o orçamento do SUS para cerca de 7% do PIB.
 

 

“O governo federal precisa aplicar no mínimo R$ 110 bi (excluindo as emendas impositivas) em 2016”, diz Carlos Ocké do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea à reportagem do portal da 15ª Conferência Nacional de Saúde.
 

 

Ao longo de 10 anos, o gasto público em relação ao PIB avançou de forma tímida, apenas pouco mais de um ponto percentual, passando de 3,4% em 2004 para 4,7% em 2013.
 

 

Em 2013, o gasto público do Brasil na saúde em relação ao Produto Interno Bruto - PIB foi menor do que países do Mercosul como Argentina (4,9%) e Uruguai (6,1%). Se comparado a países que também possuem sistemas universais de saúde, a distância é ainda maior. Canadá, Suíça e Reino Unido aplicaram 7,6% do PIB na saúde. Já a França, destinou 9% do seu PIB para a saúde pública.
 

 

Para o economista, a meta do movimento Saúde + 10, de elevar o orçamento do SUS a 10% das Receitas Correntes Brutas da União representa um avanço, porém, seria insuficiente sem a economia crescer e sem interromper o parasitismo do mercado sobre o Estado. “Não tenho dúvida, entretanto, que sua aprovação seria um ponto de apoio fundamental para consolidar o caráter anticíclico, anti-inflacionário e redistributivo do SUS, que mitigaria os efeitos da recessão sobre os trabalhadores e as classes médias e garantiria melhores condições de atenção médica para a população brasileira”, diz.
 

 

O autor de “SUS: o desafio de ser único” defende uma fonte segura, estável e vinculada para o SUS, e uma reforma tributária, justa e igualitária.
 

 

CNS:O senhor concorda com as cinco novas fontes de recursos para o SUS propostas pelo CNS (veja lista abaixo)? Qual a viabilidade dessas propostas?
Carlos: Sim, concordo, quem ganha mais deve contribuir de acordo com sua capacidade. Defendemos a justiça tributária e a seguridade social, que desonere e proteja os trabalhadores e as classes médias. Enfrentaremos dificuldades para aprovação dessas propostas no atual cenário econômico e político, mas o apoio popular à proposta do “saúde mais dez” ronda o Congresso Nacional.
 

 

CNS: As cinco propostas seriam capazes de colocar o SUS acima do parâmetro de 7% do PIB?
Carlos: Sem dúvida, porém nosso desafio é aprovar uma contribuição vinculada, estável e suficiente para financiar o SUS. Para alcançar esse patamar em relação ao PIB é necessário que o país volte a crescer em um novo ciclo de desenvolvimento, que se promova uma reforma estrutural no campo tributário e que se interrompa a sangria de recursos do Estado que são destinados ao setor privado de saúde.
 

 

CNS: Já existe alguma alternativa de financiamento no governo que dialogue com as propostas apresentadas pelo CNS?
Carlos: A Emenda Constitucional 86 é um retrocesso, a CIS parece uma boa alternativa ao reforçar o pacto federativo e defender o aumento da alíquota da CSSL sobre as instituições financeiras se tornou um imperativo. Com a recessão e a queda da arrecadação, aumentar a alíquota do imposto que incide sobre herança pode desafogar os estados e os estudos sobre a criação de uma contribuição ou imposto sobre grandes fortunas são bem-vindos nessa hora dramática do ajuste fiscal: quem ganha mais deve contribuir mais.
 

 

CNS: Qual a sua avaliação do atual momento que o SUS enfrenta com relação ao seu financiamento?
Carlos: Às vésperas da 15ª Conferencia Nacional de Saúde, para evitar o colapso do SUS, em uma estratégia defensiva de acúmulo de forças, o Conselho Nacional de Saúde junto com as entidades do movimento da reforma sanitária, setores do governo e do parlamento precisam mobilizar a sociedade para barrar a PEC 87/2015 (que amplia a DRU), a PEC 233/2008 (que ataca o orçamento da seguridade social) e a PEC 451/2014 (que fere o caráter universal do SUS e amplia os subsídios ao setor privado). Além do mais, nesse quadro de ataque aos direitos sociais, apoiar alterações na EC 86, ampliando as alíquotas que incidem sobre a receita corrente líquida da União, bem como reduzindo o escalonamento para atingir a alíquota máxima de 19,3% (equivalente a 10% da RCB), não pode ser menosprezada. Em outras palavras, sem prejuízo de discutir a criação de uma fonte vinculada, estável e suficiente no longo prazo, uma possibilidade emergencial seria com toda força e toda energia apostar na aprovação da PEC 01-A/2015, visando superar o retrocesso que representa para o financiamento da saúde pública a EC 86.
 

 

CNS: Destinar 10% das Receitas Correntes Brutas da União é suficiente?
Carlos: Na atual conjuntura histórica, seria um avanço considerável, mas, sem a economia crescer e sem interromper o parasitismo do mercado sobre o Estado, seria insuficiente, por exemplo, para alcançar 7% do PIB. Não tenho dúvida, entretanto, que sua aprovação seria um ponto de apoio fundamental para consolidar o caráter anticíclico, anti-inflacionário e redistributivo do SUS, que mitigaria os efeitos da recessão sobre os trabalhadores e as classes médias e garantiria melhores condições de atenção médica para a população brasileira.
 

 

Novas Fontes
 

 

Segundo o Conselho, a criação de novas fontes poderiam envolver:
 

 

1. a ampliação da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para instituições financeiras dos atuais 9% para 18%
2. a criação de uma contribuição sobre as grandes transações financeiras (CGTF) e a tributação das remessas de lucros e dividendos realizadas pelas empresas multinacionais, atualmente isentas, com destinação para a Seguridade Social
3. a aprovação da taxação sobre grandes fortunas com destinação para a Seguridade Social em tramitação na Câmara Federal
4. a revisão do DPVAT para ampliar a destinação de recursos ao SUS
5. a elevação da taxação sobre os produtos derivados de tabaco, sobre as bebidas alcoólicas e sobre as empresas que importam, fabricam e montam motocicletas.

 

 
Fonte: Blog da 15ª CNS

 

Reproduzido do site da Fenafar

Oito estados brasileiros – Amapá, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Santa Catarina e São Paulo – vão receber uma Unidade Móvel do Trabalhador. O anúncio foi feito hoje (17) pelo ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias.

 

O objetivo do governo é ampliar o acesso a serviços oferecidos em postos físicos de atendimento. As vans são equipadas com balcão, mesa, cadeira e computador e terão como prioridade a emissão da Carteira de Trabalho e Previdência Social.

 

“A finalidade é atender às populações mais distantes, onde o ministério tem dificuldade de ter uma unidade e onde os trabalhadores mais pobres podem ter dificuldade de acesso às nossas agências”, disse o ministro. “Confeccionamos a carteira online”, completou.

 

De acordo com a pasta, os oito estados foram escolhidos a partir de um estudo de demanda que identificou as localidades do país mais necessitadas de reforço na prestação desse tipo de serviço. A previsão é que, até o final deste mês, todas as unidades móveis tenham sido entregues.

 

“Temos locais do Brasil que ficam muito distantes das nossas agências e são os setores mais pobres que, muitas vezes, têm dificuldade de locomoção, de pagar uma passagem de ônibus”, disse o ministro, ao destacar a previsão de ampliar a distribuição das unidades até o fim do ano.

 

A van que será enviada ao Maranhão vai permanecer em Brasília até amanhã (18), em frente ao prédio do Ministério do Trabalho e Emprego, fazendo atendimento à população das 8h às 12h e das 14h às 18h.



Fonte: Agência Brasil - repórter Paula Laboissière

O Sinfarmig, em parceria com a Faculdade Pitágoras, está realizando sorteio de 02 bolsas de estudo para Curso de Pós-Graduação em Farmácia Clínica. O desconto para o sorteado será de 30%.

 

Os interessados em concorrer devem ser farmacêuticos sindicalizados e podem se inscrever no sorteio enviando e-mail com nome e telefone para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. até as 16 horas do dia 23 de setembro (quarta-feira).

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