Arthur Chioro fez um balanço de seus 20 meses à frente do Ministério da Saúde, durante homenagem prestada a ele pelo Conselho Nacional de Saúde, na tarde desta quarta-feira (07.10). Ele lembra que procurou não faltar a reuniões do CNS porque encara como uma tarefa fundamental de qualquer gestor de manter o contato com os órgãos de controle social.
 

 

Divulgação: CNS 

 

“Quero agradecer a cada conselheiro de saúde e às entidades que representam pela abertura ao diálogo e pelo compromisso radical com o SUS. Dezenas de organizações, vozes de diferentes tons, representando a pluralidade da sociedade brasileira”, diz Chioro, que avalia que a 15ª Conferência Nacional de Saúde será um momento histórico para o SUS.
 

 

Chioro disse que não se arrepende de ter defendido a necessidade de mais recursos para a Saúde e mostrar que, mesmo com medidas constantes de melhorar os gastos e a administração, é necessário estabelecer uma fonte segura de recursos. “Nunca cai deste canto de sereia de que o problema do SUS é de gestão, mas assumi todos os riscos de mostrar que há um subfinanciamento”, disse Chioro. “Existe um consenso entre gestores e sociedade de que o recurso deve ser gasto de maneira responsável, com transparência e controle social. Entretanto, essa premissa não pode mais ser utilizada para justificar a manutenção do subfinanciamento da saúde”.
 

 

A presidenta do Conselho Nacional de Saúde, Maria do Socorro de Souza, lamentou que a Saúde Pública tenha sido moeda de troca no que se tem de mais conservador na cultura política brasileira, que é a barganha. “A reação de antigos e novos militantes do SUS foi imediata, expressando indignação, inconformismo e insubordinação à ordem estabelecida”, conta. “Reagimos também com afeto, ainda que na política este sentimento nem sempre nos é permitido expressar, porque carrega ambiguidades de, ora fraqueza, ora fortaleza”.
 

 

Mais Médicos
 

 

Em seu balanço das ações desenvolvidas durante os 20 meses à frente do Ministério da Saúde, com destaque para o Programa Mais Médicos, que teve sua consolidação durante a gestão do ex-ministro. Atualmente, 18.240 profissionais atuam em municípios e distritos sanitários indígenas de todo o país, garantindo a ampliação do acesso ao cuidado de saúde na Atenção Básica a mais de 63 milhões de brasileiros. “Hoje um terço dos médicos do programa são brasileiros que passaram a acreditar no Mais Médicos, porque viram na iniciativa uma oportunidade para suas carreiras”, diz.

 

 
Chioro também ressaltou outros importantes avanços durante sua gestão, como a ampliação do acesso da população e a incorporação de novos medicamentos. Três novas vacinas passaram a ser ofertadas na rede pública de saúde: de prevenção contra o HPV, que previne o aparecimento de câncer de colo de útero; da hepatite A voltada para as crianças; e a DTPa desenvolvida para as gestantes e que previne contra difteria, tétano e coqueluche. Com isso, o país chegou a disponibilizar do SUS 100% das vacinas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

 
No acesso, tratamento e testagem da Aids, o ex-ministro destacou como grande avanço a recomendação do tratamento para todas as pessoas com HIV positivo, independente da contagem de CD4. O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a disponibilizar esse acesso em um sistema público de saúde. Outro destaque foi oferta da dose tripla combinada dos medicamentos tenofovir, lamivudina e efavirenz no novo Protocolo Clínico da doença e a implementação da Profilaxia Antirretroviral Pós-Exposição (PEP), que unifica as três formas de prevenção: acidente ocupacional, violência sexual e relação sexual consentida.
 

 

Outra conquista destacada em seu discurso foi a incorporação de nova terapia para os pacientes diagnosticados com hepatite C. São medicamentos que aumentam as chances de cura e diminuem o tempo de tratamento.
 

 

O incentivo ao parto normal e o alerta da epidemia de cesarianas que vive o Brasil também foram temas presentes na fala de despedida do ex-ministro. Ele lembrou a parceria com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na adoção de medidas para empoderar as mulheres no seu direito de escolha por meio do acesso à informação e, desta forma, assegurar uma escolha consciente na hora do parto.
 

 

Fonte: CNS
Publicado em 09/10/2015

Da Revista Radis*

 

Se o momento é de “crise no SUS”, a receita do presidente eleito da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Gastão Wagner, é a reconstrução do movimento sanitário, de modo a impedir as ameaças ao direito à saúde e a outros pilares da cidadania e da democracia. “Nosso papel é forçar a transferência de recursos e de políticas para recolocar o ser humano no centro da vida”, diz o professor de Medicina Preventiva e Social da Universidade Estadual de Campinas em entrevista à Radis, em um intervalo do Abrascão.

 

Você tem usado o termo “crise no SUS”. Como reverter essa crise diante da expansão do mercado sobre a saúde, com entrada do capital estrangeiro e a PEC 451?

 

Gastão Wagner: O Márcio Pochmann [pesquisador da Unicamp] estava apontando a composição do Congresso (2/3 de empresários, 1/3 ligado ao agronegócio e não às lutas urbanas), muito conservadora. Eles estão fazendo uma desconstrução da Constituição de 1988. Estão atacando item por item os pilares da cidadania e da democracia, inclusive o direito à saúde. As concessões ao capital estrangeiro, a obrigatoriedade de empresas garantirem plano de saúde a todos que têm carteira assinada, são ideias que atentam contra a política pública, a política social. Mas o SUS é muito importante para a vida da maior parte da população brasileira. Temos milhões de trabalhadores ligados ao SUS. Além disso, muita coisa deu certo! Saúde mental, atenção básica, transplantes, tratamento do câncer… Enfim, não somos cachorro morto! Nós temos uma capacidade de reação muito grande.

 

Diante desse cenário, quais os principais desafios para a saúde coletiva?

 

Gastão Wagner: O principal desafio é a reconstrução do movimento sanitário, a gente aumentar a nossa capacidade de mobilização, de pressão, de negociação e de proposição das forças que defendem o direito à saúde, o direito ao SUS. Isso implica uma articulação nossa, o pessoal da Saúde, com outras lutas sociais: a luta pela reforma urbana, por transporte, por segurança pública. A gente também deve conseguir uma interlocução para constranger, obrigar, empurrar os governantes, o Congresso a voltar a ter uma articulação com a população.

 

Quais são os temas do Congresso da Abrasco que já sinalizam para a 15ª Conferência Nacional de Saúde?

 

Gastão Wagner: A discussão sobre financiamento já foi articulada com o Conselho Nacional de Saúde. A Carta da Abrasco também mira nessa direção. O Jairnilson Paim [professor da Universidade Federal da Bahia] falou que nós estamos perdendo de 7 a 1 para o capital, para o conservadorismo, e o “um” vai depender do que fizermos na conferência. Eu diria que está 7 a 2, 7 a 3… Estou um pouco mais otimista (risos). As conferências de saúde têm sido a síntese de vários movimentos sociais que têm prioridades diferentes, mas que têm que compor para conseguir efetividade política, pressionar os governos, parlamento, influenciar a sociedade civil. Espero que a conferência tenha novamente esse papel de criar uma plataforma de direitos sociais e de direito à saúde que nos unifique.

 

O pesquisador Carlos Morel [do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz] alertou sobre o caráter condicionante da saúde para o desenvolvimento. Qual a sua opinião sobre o assunto?

 

Gastão Wagner: O desenvolvimento não pode ser contra a saúde. Há uma certa posição ingênua, que vê um ciclo virtuoso, que qualquer crescimento econômico vai redundar em bem-estar social, inclusive em saúde. Não é verdade. O crescimento econômico pode redundar em destruição do meio ambiente, da natureza, em ameaças aos direitos sociais, em formas contemporâneas de exploração do trabalho e do trabalhador. O desenvolvimento precisa estar articulado com o ser humano. Não podemos calcular desenvolvimento somente por indicadores econômicos, do capital ou mesmo do orçamento público: inflação, crescimento do PIB. Temos que medi-lo por índices de desenvolvimento humano, de acesso à saúde, de esperança e de qualidade de vida, aumento da distribuição de renda, humanização das cidades, ocupação urbana saudável. Essa relação entre desenvolvimento e saúde só é positiva e virtuosa se houver luta social contra interesses privados, que não têm limite para garantir o crescimento de sua riqueza, de seu poder econômico e político. Nosso papel é forçar a transferência de recursos e de políticas de maneira a recolocar o ser humano no centro da vida. Se não, não há sentido para o desenvolvimento.

 

Sua chapa, que venceu a eleição da Abrasco, falava em um sistema nacional de avaliação independente do SUS. Como ele funcionaria?

 

Gastão Wagner: O SUS tem feito muitas avaliações. Acho importante termos uma entidade da sociedade civil - e a Abrasco não é uma entidade governamental - que faça uma avaliação na perspectiva das necessidades de saúde. É um instrumento de defesa da cidadania, mas ao mesmo tempo de apontar prioridades, problemas e caminhos. A gente quer uma avaliação polifônica, valorizando a opinião do usuário, em uma perspectiva qualitativa. Vamos ver se conseguimos criar uma narrativa com vários enfoques, e ter um discurso tanto para a sociedade como para a área científica, produzir ciência e ao mesmo tempo diálogo com os vários setores da sociedade civil. Nós queremos sacudir as instituições científicas e fazer política no concreto. Para que a gente não fique apenas gritando por mais recursos, mas possa apontar onde queremos. (ADL e BD)

 

*Esta entrevista foi publicada originalmente na Revista Radis Comunicação e Saúde, nº 156, de setembro de 2015.

 

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias / Publicado em 05/10/2015

O Conselho Nacional de Saúde vê risco de colapso no atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) devido ao aumento das restrições ao orçamento do SUS . Para contrapor essa situação será lançada no próximo dia 28, em Brasília, a Frente em Defesa do SUS.


 
Os cortes nos recursos do SUS vão triplicar em três anos, passado de R$ 3,8 bilhões em 2014 para R$ 16,6 bilhões em 2016.

 

Veja a íntegra da nota:

 

Saúde brasileira em colapso
 

 

O Brasil corre o risco de entrar como a Europa numa ciranda em que o ajuste fiscal reduz o crescimento, o que derruba a arrecadação e leva a pressões por um arrocho cada vez maior. Para contrapor a esse quadro, será lançada a a Frente em Defesa do SUS, no dia 28 de outubro.
 

 

Neste cenário, a luta histórica para garantir o valor necessário para cumprir com o Sistema Único de Saúde constitucional e as estratégias de valorização da atenção básica deve ser intensificada, com a perspectiva de dificuldade para manter o padrão de atendimento que já existe.

 

O ajuste fiscal tirou da saúde R$ 3,8 bilhões em 2014 e R$ 5,9 bilhões em 2015. A previsão para 2016 é de R$ 16,6 bilhões, considerando que qualquer percentual de redução da produção da economia vai gerar uma queda percentual ainda maior na receita para o SUS.
 

 

Isso significa um duro golpe nos recursos para a saúde, depois de um processo de crescimento moderado verificado nos últimos anos.
 

 

Contenção de gastos na saúde fatalmente reduz ou interrompe serviços como vacinação, consultas e exames, atenção básica e especializadas, cirurgias, terapias, oncologia e desabastecimento de medicamentos.
 

 

A manutenção da atual política macroeconômica leva o SUS a essa espiral de queda (veja quadro abaixo). Assim, além das cinco alternativas para dar sustento às metas de universalidade e integralidade do SUS o Conselho Nacional de Saúde propõe:
 

 

• Apoiar a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 01-A/2015, que corrige a Emenda Constitucional 86/2015, que reduziu o valor da aplicação mínima da União no SUS.
 

 

• Defender os projetos que tramitam no Congresso Nacional para a criação de uma contribuição sobre as movimentações financeiras (nos moldes da CPMF) e a taxação sobre grandes fortunas como novas fontes para a Seguridade Social e compartilhada entre União, Estados, Distrito Federal e os Municípios.
 

 

• Cobrar do governo federal a mudança da política econômica de caráter recessivo, com o início imediato da redução da taxa de juros, e o foco no crescimento econômico com inclusão social, que demonstrou ser uma estratégia macroeconômica vitoriosa entre 2004 e 2013.

 

 

 

Fonte: Reproduzido do site da Fenafar em 09/10/2015

Após resultado de análise fiscal, a Anvisa determinou a suspensão de todos os lotes do produto BB Gel Cream/base primer FPS 25, importado por Indice Tókio Comércio Importação e Exportação Ltda.

 

O produto apresentou resultado insatisfatório no ensaio de rotulagem para o lote 2013062414 com validade até agosto de 2016, conforme consta no laudo emitido pelo Instituto Adolf Lutz.

 

A empresa não cumpriu as exigências da Anvisa para adequação, com isso o registro do item foi cancelado.

 

Além da suspensão, a Agência determinou ainda, que a empresa deve promover o recolhimento do estoque existente no mercado.

 

A determinação está na Resolução 2.829/2015, publicada nesta sexta- feira (09/10) no Diário Oficial da União (DOU).

 

Fonte: Imprensa Anvisa

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