
Uso racional de medicamentos e acesso aos produtos farmacêuticos. Esse foi o tema do painel realizado pela Anvisa nesta quinta-feira (11). A discussão envolveu temas como a relevância pública das farmácias e drogarias como atividade empresarial e os aspectos políticos, éticos e legais envolvidos
De acordo com o diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, José Miguel Júnior, o acesso a medicamentos com segurança e orientação é um dos pilares do trabalho na área de saúde. “Farmácia é um estabelecimento de saúde e é essa visão que ainda não conseguimos passar”, explicou Júnior. Para ele é necessário que haja um entendimento entre a saúde pública e o mercado para que a justiça não seja o único caminho.
Já o diretor presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, destacou que o papel da farmácia na orientação do cidadão para o uso correto de medicamentos. Para ele é preciso corrigir distorções que ainda persistem. “Não há lugar no mundo em que medicamento isento de prescrição seja vendido fora da caixa como ainda acontece no Brasil”, exemplificou Raposo.
Ao falar sobre a evolução do modelo de assistência farmacêutica no país, o chefe da Unidade Técnica de Regulação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Trindade, lembrou como a industrialização influenciou a transformação dos antigos estabelecimentos farmacêuticos (as chamadas boticas) de produtores de medicamentos em dispensadores, alavancando o caráter comercial, que consigo trouxe alguns desvios.
Embora sejam inquestionáveis os avanços que a industrialização trouxe para o campo farmacêutico e para a evolução dos tratamentos de saúde, o principal desvio provocado por esse cenário parece ter sido justamente a descaracterização das farmácias como estabelecimentos de saúde, conforme aponta o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, Arnaldo Zubioli. Para ele, é urgente resgatar esse papel.
“A pessoa que vai a uma farmácia não quer ser tratada como consumidor meramente. Quer alguém que cuide dela, que resolva seu problema de saúde com qualidade alta, custo baixo e humanização”, diz Zubioli.
Gustavo Trindade falou também sobre a importância de se ter bons regulamentos, garantindo, por exemplo, a presença do responsável técnico, a fim de diminuir a vulnerabilidade do consumidor que, por falta de informação adequada, muitas vezes não se sente apto a fazer as escolhas. Mas ponderou:
“não adianta o país possuir boas regras e as melhores práticas de produção se o consumo também não tiver práticas adequadas”.
Os riscos associados ao consumo de medicamentos isentos de prescrição médica, os aspectos técnicos da regulação sanitária de medicamentos no Brasil e os direitos do consumidor também foram abordados pelos especialistas que participaram do encontro.
Fonte: Luana Cury - Imprensa / Anvisa