artigos
busca: 
 
 
11/05/2007 - Cultura brasileira e acesso restrito incentivam medicação

 

 

CULTURA BRASILEIRA E ACESSO RESTRITO INCENTIVAM AUTOMEDICAÇÃO

“A tragédia acontecida com a jovem que usou o propranolol para sentir-se mais calma durante o exame de direção não é um caso isolado em nosso país. Milhares de pessoas fazem uso desses medicamentos e de tantos outros sem consultar um médico. Segundo dados do Sinitox (Serviço de Informações Toxicológicas) do Ministério da Saúde, o Brasil ocupa o 1º lugar mundial em automedicação. Uma pesquisa realizada pelo órgão revelou que, desde 1996, ano a ano, o uso indiscriminado de medicamentos tornou-se o agente que mais causou intoxicação no país.

Este consumo elevado de medicamentos pelos brasileiros pode ser atribuído a vários fatores. O principal é o fator cultural, o hábito da população de se automedicar. A “vizinhoterapia” é altamente difundida, fazendo a população acreditar que se um medicamento foi para um, será bom para todos.

Outro fator é a inacessibilidade e ineficiência aos setores públicos e privados para a população com baixo poder aquisitivo. As pessoas não conseguem marcar consultas na rede pública e a rede privada cobra valores exorbitantes para uma simples consulta. Assim, o balcão da farmácia acaba virando consultório médico. Além disso, a propaganda exagerada e a não obediência à legislação incentivam e facilitam o consumo de remédios por conta própria. Medicamentos como o propranolol contém uma tarja vermelha, que implica na necessidade da receita para venda, que não é exigida na maioria das farmácias.

A automedicação no Brasil tornou-se um grave problema na saúde pública. Para amenizar essa situação crítica são necessárias ações institucionais por parte dos órgãos do Ministério da Saúde e conselhos de categoria (médicos, farmacêuticos, enfermeiros) e, sobretudo uma campanha nacional que atinja a população, alertando sobre os riscos do uso de medicamentos de forma irracional.

Existe um jargão farmacêutico “A informação é o melhor remédio”. Uma vez que população torne-se consciente de que todo medicamento possui contra-indicações e podem provocar efeitos colaterais e reações adversas, e que o medicamento usado com sucesso por uma pessoa pode causar danos à saúde de outra, vamos conseguir uma sensível diminuição nestes casos.

Certamente se a jovem que usou propranolol tivesse uma conversa com um profissional de saúde, este a teria orientado para não usá-lo, pois o medicamento não possui propriedades calmantes em alunos que vão se submeter ao teste de direção veicular.”

Rilke Novato
Diretor do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais

 


   

Fonte:

Indique este artigo | Imprimir